Philips abandona mercado de TVs

Fábricas de televisores serão transferidas para joint venture com a chinesa AOC

, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

HAIA

A gigante holandesa Philips, última grande fabricante europeia de televisores, anunciou ontem que abandonará a atividade, em consequência da competição feroz das rivais asiáticas. Os competidores têm vendido seus televisores "a preço de saldo", e "destruíram completamente o mercado", disse o analista Sjoerd Ummels, do ING.

A divisão de televisores da Philips será transformada em uma joint venture com a TPV Technology, de Hong Kong, em que a companhia holandesa terá 30%. A TPV é dona da marca AOC. As duas empresas ainda não sabem informar qual será o impacto do acordo no Brasil.

A Philips enfrenta a japonesa Sony e principalmente os sul-coreanos Samsung e LG, que diminuíram os preços de seus televisores graças a um modelo de produção de alto rendimento, beneficiado por uma moeda nacional desvalorizada. "Nos últimos 10 anos, a Philips perdeu uma parte importante do mercado, passando de mais de 10% para entre 5% e 6%", destacou o analista do ING.

As vendas de televisores da Philips - que são fabricados no Brasil, Argentina e Hungria - representavam, em 2005, 25% do faturamento total do grupo, ficando em somente 13% em 2010.

"Encontrar uma solução para nosso setor de televisores era nossa prioridade absoluta", disse o presidente mundial da Philips, Frans van Houten, ao apresentar os resultados do primeiro semestre, em que a empresa registrou prejuízo operacional de 106 milhões na divisão de TVs.

O lucro líquido da companhia caiu 31,3% no primeiro semestre, somando 138 milhões e ficando abaixo da expectativa dos analistas. Fundado em 1891, o grupo holandês fabricou seus primeiros televisores em preto e branco em 1950, destinados ao mercado nacional. A produção de TVs em cores começou em 1962.

Preço. O valor que a TPV pagará pelos 70% da joint venture será calculado a partir do lucro antes de juros e impostos (Ebit, na sigla em inglês) de um período de pelo menos três anos, a partir de 2012.

"Em outras palavras, a Philips receberá dinheiro pela participação somente se a joint venture tiver lucro", disse Joost Akkermans, um porta-voz do grupo holandês. Os aparelhos produzidos pela joint venture terão marca Philips durante pelo menos cinco anos, em troca de pagamento de direitos.

A joint venture não poderá vender televisores na China, Índia, Estados Unidos, Canadá, México e alguns países da América Latina, que a Philips não quis precisar, porque neles possui acordos que permitem a outros fabricantes usarem a marca Philips. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.