Philips amplia aposta na área de saúde no País

Philips amplia aposta na área de saúde no País

Grupo anunciou a compra da Tecso, que desenvolve sistemas de informação de radiologia. É a terceira aquisição no setor

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

A Philips fechou na quarta-feira a compra da Tecso, que desenvolve software para hospitais e laboratórios. Trata-se da terceira aquisição do grupo holandês no setor de saúde no Brasil. "Há dois anos, resolvemos dar um foco especial aos mercados emergentes", afirmou ontem Ronald de Jong, presidente executivo de Mercados Emergentes da Philips Healthcare, no escritório da empresa em São Paulo. "Para isso, resolvemos comprar companhias que conhecem melhor o mercado."

Criada há 24 anos no Rio de Janeiro, a Tecso desenvolve sistemas de informação de radiologia, que armazenam, processam e distribuem dados e imagens radiológicas de pacientes. O valor da aquisição não foi divulgado. A Tecso tem 25 funcionários e conta com 65 clientes, que incluem o Hospital das Clínicas e a Amil.

Segundo Daurio Speranzini Junior, vice-presidente sênior para a América Latina da Philips Healthcare, a Philips decidiu comprar a Tecso porque seu software já está adaptado a especificidades do mercado brasileiro, como informações que precisam ser geradas para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Seriam tantas adaptações a serem feitas que inviabilizariam trazer um sistema de fora", disse Speranzini.

O mercado brasileiro de equipamentos de saúde movimentou US$ 3,96 bilhões em 2008, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos (Abimo). Desse total, US$ 2,735 bilhões foram importados.

O crescimento do mercado de saúde em países emergentes como o Brasil, a China e a Índia tem atraído a atenção de grandes grupos como a Philips, a GE e a Siemens, mais conhecidos por sua atuação em áreas como eletrônicos, energia e telecomunicações. A GE está investindo em uma fábrica de equipamentos de diagnóstico por imagem em Contagem (MG).

Nos mercados emergentes, existem milhões de pessoas que não tinham acesso a serviços de saúde e, com o crescimento econômico, começam a ter. Nos mercados maduros, também existe uma grande oportunidade: conforme a população vive mais e se torna mais velha, a demanda por serviços de saúde também aumenta. "Identificamos que a próxima onda é uma demanda muito grande por saúde e bem estar", afirmou Jong.

Compras. A estratégia de aquisições da Philips no País começou em 2007, com a aquisição da VMI, localizada em Lagoa Santa (MG), fabricante de sistemas de imagens diagnósticas, como máquinas de raio X. No ano passado, comprou a Dixtal, de São Paulo, que produz monitores de beira de leito e outros equipamentos médicos.

Mercado. Os equipamentos estrangeiros estão muito concentrados nos grandes hospitais particulares no Brasil. A rede pública e os hospitais menores, boa parte das vezes, não têm recursos para adquirir esses equipamentos, e optam por soluções nacionais. A Philips decidiu comprar empresas brasileiras para atender a esse mercado. "Precisávamos de soluções que coubessem no bolso do brasileiro", afirmou Speranzini. "Depois das aquisições, nos tornamos líderes de mercado."

O executivo explicou que os equipamentos produzidos pelas empresas brasileiras são "mais simples e mais robustos" que os importados. A compra da VMI, em 2007, marcou o início da produção local de equipamentos médicos pela Philips.

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