REUTERS/Larry Downing
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PIB americano cresce à taxa anualizada de 4,1% no 2º trimestre

Recuperação nos gastos do consumidor, nas exportações e no investimento empresarial levaram ao ritmo mais forte de crescimento nos Estados Unidos desde 2014

Ben Casselman, The New York Times

27 de julho de 2018 | 10h26
Atualizado 27 de julho de 2018 | 23h20

WASHINGTON - O Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira, 27, sua estimativa inicial sobre o crescimento econômico no segundo trimestre. O produto interno bruto (PIB) norte-americano subiu a uma taxa anual de 4,1%, acima dos 2,2% dos primeiros três meses do ano. Foi o trimestre mais forte de crescimento desde 2014. 

Os gastos dos consumidores aumentaram 4%, mas o investimento privado caiu ligeiramente com a desaceleração do mercado imobiliário. As exportações subiram 9,3%, impulsionadas em parte por um aumento nos embarques de soja vinculados às políticas comerciais do presidente Trump. Os preços ao consumidor subiram 1,8%.

A aceleração do segundo trimestre foi bastante antecipada pelos economistas, resultado de uma confluência de eventos que dificilmente se repetem – a maioria deles prevê que os resultados não serão tão bons no segundo semestre do ano.

Ainda assim, dados recentes sugerem que o ritmo de crescimento aumentou este ano. Alguns economistas acreditam que o crescimento do PIB poderá atingir 3% em 2018 pela primeira vez na recuperação de quase uma década.

Trump, que havia dito que ficaria feliz com qualquer crescimento acima de 4%, comemorou o que chamou de “incríveis” números do PIB em comentários na Casa Branca. E questionou os economistas que dizem que a taxa é insustentável. “Isso não é algo que só vai acontecer uma vez”, disse. “Acredito que nós nos sairemos extraordinariamente bem no nosso próximo relatório, no próximo trimestre.”

Os números do segundo semestre foram incentivados pela alta nas exportações, que responderam por um quarto do crescimento total do trimestre. De forma paradoxal, o boom de exportações foi impulsionado em parte pela crescente tensão comercial, que levou compradores estrangeiros a estocarem produtos americanos antes que seus governos impusessem tarifas.

A tendência é especialmente clara nas exportações de soja, que subiram mais de 50% em maio em relação a 2017. Tais compradores, presumivelmente, não queriam mais soja do que o habitual – só a queriam mais cedo. As exportações quase certamente cairão no terceiro e quarto trimestres, e se transformação em um empecilho para o crescimento do PIB.

“Estamos obtendo um crescimento explosivo no segundo trimestre por causa do comércio”, disse Ellen Zentner, economista-chefe nos EUA para o Morgan Stanley. 

O resultado do PIB também refletiu um aumento nos gastos do governo vinculados ao acordo orçamentário aprovado pelo Congresso este ano– os gastos federais aumentaram 3,5% no segundo trimestre. Os efeitos desse acordo não serão tão breves quanto o aumento do comércio, mas também são temporários; economistas acreditam que o impacto sobre o crescimento atingirá o pico no final do ano.

Tributos

Os cortes de impostos republicanos provavelmente também estão exercendo sua parte no crescimento do PIB, embora os efeitos sejam difíceis de quantificar. Os gastos do consumidor se recuperaram no segundo trimestre depois de cair no primeiro.

“Os consumidores receberam uma boa quantia de dinheiro após os cortes de impostos”, disse Joseph Song, economista sênior do Bank of America nos Estados Unidos.

Os defensores do corte de impostos argumentam que isso estimulará o investimento empresarial, o que permitirá que a economia americana cresça mais rápido no longo prazo. Mas Michael Gapen, economista-chefe nos EUA para o Barclays, disse que há poucas evidências disso até agora. 

O relatório desta sexta-feira, 27, mostrou que os investimentos das empresas em equipamentos cresceram no ritmo mais lento desde o final de 2016. Isso torna mais provável que os cortes de impostos levem a economia a se superaquecer, em vez de abrir caminho para um período mais sustentável de crescimento mais forte.

“Os gastos das empresas não estão sendo retomados no ritmo que os defensores do corte de impostos esperavam”, disse Gapen. “Nós poderíamos estar nos colocando na posição em que teremos um boom seguido por uma queda.”

Mesmo com essas ressalvas, o relatório é uma boa notícia para Donald Trump e para candidatos republicanos ao Congresso esperando que a forte economia aumente suas chances nas eleições de meio de mandato (em 6 de novembro). O governo não divulgará sua estimativa inicial de PIB do terceiro trimestre até 26 de outubro, pouco mais de uma semana antes do dia da eleição e depois de muitos eleitores já terem tomado suas decisões.

É improvável que os novos números surpreendam os formuladores de políticas do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que deverão manter as taxas de juros inalteradas em sua reunião na próxima semana. O relatório mostrou que a inflação desacelerou um pouco, mas permanece próxima da meta de 2% do Fed. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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