PIB americano cresce só 1,6% no 2º trimestre

Resultado ficou abaixo das previsões do governo, mas acima da estimativa do mercado, que reagiu bem aos números e ao discurso de Bernanke

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2010 | 00h00

O desempenho da economia dos Estados Unidos no segundo trimestre foi pior que o anunciado. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 1,6% no período, conforme divulgou ontem o Departamento de Comércio americano, ao corrigir sua projeção anterior de expansão de 2,4%.

A nova estimativa foi mais generosa que a do mercado, que previa um PIB ainda mais magro, de 1,3%. Porém, foi confirmada em um momento de forte percepção de que a economia do país caiu na armadilha japonesa do crescimento pífio combinado com deflação.

A expectativa de que, ainda ontem, o Federal Reserve (banco central dos EUA) anunciasse novas medidas de impulso à atividade econômica frustrou-se. Em discurso em Jackson Hole, Estado de Wyoming, o presidente da instituição, Ben Bernanke, preferiu adotar uma linguagem de otimismo moderado e assinalar que o Fed estará pronto para iniciar uma ampla compra de títulos de longo prazo se o "ritmo modesto" piorar. A medida, entretanto, não foi ainda tomada.

"Se mais ação for necessária, haverá opções disponíveis para dar um impulso adicional (na economia)", afirmou. "Acredito que uma compra adicional de títulos de longo prazo (do Tesouro), cuja decisão cabe ao Comitê Federal de Mercado Aberto, seria eficaz para facilitar as condições de financiamento", acrescentou Bernanke, referindo-se a um órgão que ele comanda, mas no qual há oposição à adoção de mais medidas monetárias.

No início de julho, o Fed decidiu usar os recursos que estão entrando em seu caixa na compra de títulos do Tesouro. A expectativa é que a medida contribua para reduzir o juro ao consumidor e o custo de empréstimos.

Apesar da expansão ainda menos expressiva do PIB americano no segundo trimestre do ano, o anúncio do Departamento de Comércio trouxe um pouco mais de alento ao governo americano, que se vê pressionado especialmente pela taxa de desemprego de 9,5% em junho e julho. Um dos principais componentes do cálculo do PIB, o consumo interno, cresceu 2% no período. Antes, a estimativa era de 1,6%. No primeiro trimestre, foi de 1,9%. Segundo Bernanke, somado ao aumento dos empréstimos bancários e à redução das preocupações com a capacidade de a Europa enfrentar sua dívida, a expansão do consumo mostra que "as precondições para a retomada do crescimento em 2011 se mantiveram".

O resultado do PIB e o discurso de Bernanke agradou aos investidores e foi bem-recebido pelos mercados. Nos EUA, os Índices Dow Jones e Nasdaq fecharam em alta de 1,65%; no Brasil, o avanço do Ibovespa foi de 2,65%.

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