PIB americano reage, mas ainda preocupa

Crescimento de 2,5% no terceiro trimestre não altera necessidade de medidas fiscais, diz governo

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE/WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2011 | 03h06

Empurrada pela melhoria nas taxas de consumo, de exportação e de investimentos, a economia dos Estados Unidos cresceu 2,5% no terceiro trimestre. Mais robusto do que as taxas do primeiro trimestre (0,4%) e do segundo (1,3%), o indicador divulgado ontem pelo Departamento de Comércio não afasta o risco de nova recessão e foi comemorado com cautela pelo governo.

"Embora a expansão contínua seja encorajadora, é necessário crescimento mais rápido para repor os postos de trabalho perdidos na recente queda (da economia) e para reduzir o desemprego em longo prazo", disse Katharine Abraham, conselheira econômica da Casa Branca.

"Estamos num momento frágil na economia mundial e não podemos permitir que algo venha a minar nossa recuperação econômica", disse. Ela defendeu a aprovação, pelo Congresso, da Lei de Empregos proposta em setembro pelo presidente Barack Obama. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, concordou que a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% não é "suficientemente boa para um tiro largo", embora melhor do que a do período anterior. "Por isso precisamos agir para dar um impulso ao crescimento e à criação de empregos."

Impostos. O pacote apresentado por Obama envolve US$ 447 bilhões em medidas fiscais para dar maior impulso ao crescimento. Entre elas, a prorrogação da redução de impostos sobre a folha de pagamentos e do seguro-desemprego, ajuda aos Estados para manter empregos de professores, policiais e bombeiros e o investimento em infraestrutura. O fim de benefícios tributários para os americanos mais ricos, entretanto, causa resistência da oposição republicana ao pacote.

Os EUA estão há nove trimestres em oscilante crescimento econômico, depois do período de queda sucessiva do PIB entre julho de 2008 e junho de 2009, o auge da crise financeira. Taxas superiores a 3,8% foram registradas só entre outubro de 2009 e junho de 2010. Para este ano, a maioria dos economistas americanos prevê crescimento em torno de 2%. Em setembro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) baixou sua estimativa para 1,5%.

Entre julho e setembro, o consumo pessoal nos EUA cresceu 2,4%, uma recuperação em relação ao segundo trimestre, quando expandiu 0,7%. Esse desempenho deveu-se especialmente às compras de bens duráveis. O investimento produtivo aumentou 16,3%, e as exportações de bens e de serviços cresceram 4%. Os gastos do governo também contribuíram com a expansão de 2,5% do PIB, com alta de 2%, especialmente no setor de Defesa.

O setor da construção civil continua prejudicado no segmento residencial. O investimento na compra de casas aumentou 2,4%, depois de ter alcançado 4,2% no segundo trimestre. A taxa de desemprego entre julho e setembro foi de 9,1%, oo 14 milhões de trabalhadores.

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