Yuya Shino/Reuters
Yuya Shino/Reuters

PIB anualizado do Japão cresce 2,4% no trimestre e supera expectativa de analistas

Resultado ficou bem acima do projetado por economistas, mas pode desacelerar no segundo trimestre; maior parte do crescimento se deu pelo aumento dos estoques

O Estado de S. Paulo

20 Maio 2015 | 08h08

A economia do Japão cresceu 2,4%, em base anualizada, no período de janeiro a março, avançando pelo segundo trimestre consecutivo sustentada com um aumento nos gastos de capital, afirmou o governo nesta quarta-feira, 20.

A leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) ficou acima da estimativa de 1,5% de economistas. No último trimestre do ano passado, houve uma expansão revisada de 1,1%.

Em relação ao trimestre anterior, o PIB cresceu 0,6% nos primeiros três meses deste ano, mais do que a estimativa de crescimento de 0,4% apontada por analistas.

Apesar de a alta ter superado as projeções, o crescimento da economia japonesa não é tão bom quanto parece e pode desacelerar no segundo trimestre, dizem analistas.

Isto acontece porque 0,5 pontos porcentuais da expansão de 0,6% registrada em relação aos três últimos meses de 2014 (que representam 2,0% do crescimento anual) podem ser creditados ao aumento de estoques. 

"Como isso reflete um excesso de produção na composição da demanda final, fica difícil ter uma perspectiva positiva", escreveram analistas do Barclays.

A prevalência do aumento de estoques no crescimento do primeiro trimestre "pode ser atribuída à fraca demanda por bens", disse em nota Junichi Makino, economista chefe da SMBC Nikko Securities. Para o analista, embora o consumo tenha tido um crescimento anual de 1,4%, seus fundamentos ainda são "fracos".

Para Tomo Kinoshita, economista chefe da Nomura Securities, os dados indicam que a economia japonesa deve desacelerar levemente no segundo trimestre antes de "retomar a rota de recuperação" na segunda metade do ano. Isso acontece porque as empresas, especialmente do setor automobilístico e de siderurgia, deverão reduzir a produção após o forte aumento dos estoques. Para Kinoshita, salário e bônus não terão crescido suficientemente até lá para compensar essa queda no lado da produção.

Embora considere que os números do primeiro trimestre não tenham sido "muito satisfatórios", o Société Générale acredita que a recuperação deve ganhar força no segundo trimestre. Isso aconteceria por causa do aumento dos salários reais no país, impulsionada pela queda do petróleo, e também pela recuperação econômica dos Estados Unidos, que já tem ajudado as exportações japonesas. "Com o aumento dos gastos das empresas e das famílias, a taxa de crescimento entre abril e junho deve acelerar ainda mais", disseram analistas do banco.

Bolsa. O índice Nikkei fechou no maior patamar em 15 anos nesta quarta-feira, após a divulgação dos dados, que ajudaram a alimentar o otimismo dos investidores.

Como resultado, a bolsa de Tóquio fechou em alta de 170,18 pontos (0,85%), aos 20.196,56 pontos, o maior patamar desde 14 de abril de 2000. Apenas este ano, o ganho acumulado chega a 15,7%.

"Os números de PIB funcionam como uma boa propaganda, e certamente geram um certo otimismo", disse o estrategista da CLSA, Nicholas Smith. "Estudos mostram que a correlação entre a divulgação do PIB e as bolsas é, na verdade, ligeiramente negativa. Mas, neste caso, com balanços empresariais tão sólidos e lucros quebrando recordes, fica difícil ter do que reclamar." (Com informações da Agência Estado e da Reuters).

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