PIB argentino cresce 8,5% em 2006

O governo do presidente Néstor Kirchner exibiu nesta quinta-feira com orgulho o índice de crescimento da economia argentina em 2006. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), o PIB cresceu 8,5% em 2006, proporção que quase duplicou os modestos valores previstos pelo governo em janeiro do ano passado. O PIB foi calculado em US$ 106,62 bilhões. Segundo o Indec, o crescimento foi estimulado pela construção civil - que passa por um boom sem precedentes em várias décadas - a agricultura e a indústria.O valor anunciado também ultrapassou consideravelmente as previsões dos economistas mais otimistas, que a meados de 2006 calculavam que o PIB desse ano chegaria a um aumento de 7,5%.Desta forma, a Argentina acumula quatro anos de persistente e substancial crescimento econômico. Depois de encerrar cinco anos de recessão - a mais prolongada da História do país (entre 1998 e 2002) - e de uma queda de 10,9% do PIB em 2002, em 2003 o PIB argentino cresceu 8,8%. Em 2004, o aumento foi de 9%. Em 2005, chegou a 9,2%. A Argentina não exibia índices dessa magnitude desde os anos 50, época dourada da expansão econômica. CarênciasApesar do intenso crescimento da economia, Kirchner indica que ainda falta muito para que o país seja o "paraíso da classe média" que foi até os anos 80. Recorrendo à Divina Comédia do poeta italiano Dante Alighieri, Kirchner costuma dizer que o país ainda está saindo do "Inferno" e que espera que no fim de seu mandato a Argentina esteja pelo menos nas portas do "Purgatório".Apesar do crescimento, a Argentina ainda mostra as graves marcas de vários anos de crise. Mendigos pedem esmolas nas outrora elegantes ruas do centro portenho, ex-integrantes da classe média sobrevivem como catadores de papel, a subnutrição assola as províncias do norte do país e milhares de comércios e fábricas permanecem com as portas fechadas em todo o território. A brecha social entre ricos e pobres é uma das maiores registradas em toda a História do país.Mas, para 2007, o clima é de otimismo. Os economistas consideram que o crescimento do PIB será de 7%. Eles sustentam que, neste ano, o crescimento econômico será mais estimulado pelo consumo do que pelos investimentos, já que em 2007 as empresas - por causa da campanha política e das eleições presidenciais - estarão mais cautelosas.Quatro anos de governoPara o governo, a notícia de quatro anos de crescimento persistente - um fenômeno sui generis na tradicionalmente turbulenta economia argentina - será um trunfo a usar na campanha eleitoral.No dia 25 de maio Kirchner completará quatro anos no poder (seu mandato é, circunstancialmente, de quatro anos e meio). A expectativa é que na ocasião ele anunciará que disputará a reeleição presidencial em outubro. Caso ele não se apresente às eleições, a candidata seria sua própria esposa, a senadora Cristina Fernández de Kirchner.

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