PIB argentino pode cair até 3% neste ano

O Ministério da Economia da Argentina prevê para este ano uma queda de 2% do Produto Interno Bruto (cerca de 5,5 bilhões de pesos) e a volta da inflação, que ficaria entre entre 6% e 8%. Ou seja, recessão com inflação. Esses números fazem parte da proposta de orçamento que o governo está elaborando.Mas os próprios técnicos do ministério admitem que, na atual situação do país, esses porcentuais são otimistas e ainda podem ser modificados, de acordo com a evolução dos mercados.O secretário-geral da Presidência, Aníbal Fernández, disse que o texto será apresentado nesta semana ao Congresso. O projeto prevê um equilíbrio entre receitas e despesas, em um patamar entre 37 bilhões e 38 bilhões de pesos.Nas estimativas de receita ficaria incluída uma emissão monetária de 3 bilhões de pesos e seria admitida uma queda na arrecadação tributária de cerca de 15% em relação a 2001.Adiantando-se ao envio do projeto pelo Executivo, o presidente da Comissão de Fazenda da Câmara dos Deputados, Jorge Matzkin, disse que o orçamento deve prever uma queda de 2 ou 3% do PIB, e que o corte de gastos será muito inferior aos 3 bilhões de pesos que tinham sido previstos inicialmente para este ano pelo ex-ministro Domingo Cavallo. De acordo com Matzkin, a lei será aprovada antes do fim do mês.TensãoSegundo fontes parlamentares, a menos que a tensão social piore com novos panelaços ou sejam cortados fundos especiais de promoções regionais (algo possível e que modificaria o voto dos deputados com problemas em seus redutos eleitorais, mas que é improvável), o projeto deve ser aprovado por 80% dos deputados. Depois os senadores aprovariam o texto sem modificações.FilasNo segundo dia de dólar flutuante, houve filas nas casas de câmbio, mas as cotações não variaram muito em relação a sexta-feira. Segundo o gerente financeiro do Banco Piano, uma das mais tradicionais casas de câmbio de Buenos Aires, Francisco Ribeiro Mendonça, ?havia muita gente vendendo pouca quantidades de dólares, até 200, e poucas pessoas comprando, em geral entre US$ 5 mil e US$ 50 mil dólares?.A cotação da moeda americana variou de 1,70 a 1,75 peso para compra, e 1,50 a 1,55 peso para venda. A cotação oficial é de 1,40. Com a queda da conversibilidade, deixou de ser proibido comprar dólares com cheque em pesos.Mas Mendonça disse que atualmente não venderia com cheque porque "estaria concedendo um empréstimo devido ao prazo de 48 horas para compensação?.O vice-ministro da Economia, Jorge Todesca, afirmou que a intenção do governo é passar para um único sistema de livre flutuação cambial ainda este ano, depois que termine o processo (ainda não iniciado) de reestruturação da dívida externa.O Fundo Monetário Internacional condenou o duplo sistema de câmbio. Nos bancos também houve longas filas. Além de sacar dinheiro, pagar contas, reclamar da demora para compensação de cheques e tirar dúvidas, correntistas queriam transferir para contas em pesos saldos de até US$ 3 mil em poupanças e US$ 10 mil em contas correntes. Esta operação só será permitida durante esta semana.O governo continua estudando permitir que uma parte dos investimentos a prazo fixo seja transferida para contas correntes em pesos. Em um primeiro momento a discussão era se o bancos teriam fundos para encarar essa possibilidade de aumento dos saques.Segundo o economista Aldo Abram, da Consultora Exante, essa medida favoreceria os bancos, porque os depósitos compulsórios que têm de fazer no Banco Central são menores para o dinheiro das contas correntes e poupanças (18,5%) do que para os investimentos a prazo fixo (21%).Abram disse que o governo não teme a quebra de grandes bancos. ?Isso pode ocorrer com bancos menores.?O ScotiaQuilmes (12º banco em depósitos na Argentina) admitiu nesta segunda-feira no Canadá que poderia encerrar suas operações no país por causa da atual situação.PesquisaUma pesquisa sobre o que as pessoas fariam com o dinheiro se pudessem retirá-lo dos bancos, realizada online pelo site do jornal Clarín nesta segunda-feira, apontou que 60% dos votantes guardariam o dinheiro em casa e apenas 8,3% voltariam a depositá-lo nos bancos.BolsaA Bolsa de Valores de Buenos Aires não abriu novamente nesta segunda-feira, pelo sexto dia útil. "É muito provável que, quando abrirmos, as cotações caiam?, disse Federico Vieytes, da agência de bolsa Puente Hermanos.Ele afirma que o principal problema para reabrir as operações é a falta de definição, por parte do governo, sobre a disponibilidade das contas dos clientes onde são depositados os valores de venda de ações.PronunciamentoCom medo de manifestações, o presidente Eduardo Duhalde desistiu do encontro que teria nesta segunda em uma igreja no centro de Buenos Aires para dar início ao "diálogo multisetorial", que tem como objetivo elaborar políticas para combater a crise atual, e preferiu anunciar a iniciativa em um pronunciamento em rede de rádio e televisão, marcado para as 22 horas (de Brasília) desta segunda.As reuniões, que devem durar de um a dois meses, serão entre o governo, representantes de partidos, do empresariado, de sindicatos e organizações não-governamentais, com o aval da Igreja Católica e a mediação das Organizações das Nações Unidas.Leia o especial

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