PIB argentino vai cair 2%, prevê Moody's

Em relatório destinado a investidores, agência de classificação de risco diz que o país 'está atravancado numa recessão econômica'

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2014 | 02h02

A agência de classificação de risco Moody's anunciou que a Argentina encerrará este ano com uma queda de 2% do PIB "ou mais". Em um relatório destinado a investidores, a agência sustentou que, "embora a economia da Argentina seja maior e mais rica do que a de seus pares, o país está atravancado numa recessão econômica". O economista Gabriel Torres, vice-presidente da agência, afirmou que a Moody's calcula que a recuperação será "no melhor dos casos, modesta em 2015 e 2016".

Segundo a agência, por trás da recessão argentina estão as restrições cada vez maiores para importar insumos para a indústria argentina, a queda da demanda brasileira de produtos fabricados na Argentina, além do baixo número de investimentos de empresas privadas. A Moody's sustenta que o controle de preços e as mais variadas intervenções do governo da presidente Cristina Kirchner na economia prejudicaram projetos de investimentos no país, especialmente na área energética, onde a Argentina fica cada vez mais deficitária.

Além disso, segundo a Moody's, a recessão argentina aumenta por causa da crescente inflação (calculada pelos economistas em 33%, enquanto o governo sustenta que não passa de 21,4%). Torres sustenta que "as decisões de política econômica inconsistentes por parte do governo e persistentes dúvidas sobre a confiabilidade das estatísticas oficiais tornam extremamente difícil para qualquer pessoa determinar qual é a real condição econômica do país".

No entanto, o governo Kirchner descarta culpas próprias no andamento da economia interna e coloca a culpa na conjuntura internacional. "A economia mundial não está com boa saúde", disse na terça-feira o ministro da Economia Axel Kicillof.

A população também considera que o estado da economia é preocupante. Segundo uma pesquisa da consultoria Management & Fit, 55% dos portenhos consideram que a situação do país ficará "pior" nos próximos meses. Somente 15% consideram que "vai melhor".

No entanto, os entrevistados exibem otimismo para 2016, após o encerramento da administração de Cristina Kirchner, cujo mandato termina em dezembro do ano que vem. Segundo 32% dos pesquisados a economia "vai melhorar" após as eleições presidenciais, enquanto 19% consideram que o cenário continuará "igual". Outros 19% afirmam que "vai piorar".

Desemprego. O próprio governo Kirchner, que costuma negar a existência da crise - ou manipular os números que a evidenciam -, admitiu que nas 31 principais aglomerações urbanas o desemprego aumentou de 6,8% para 7,5% da população economicamente ativa. Isso indica que por causa da crise foram eliminados 450 mil postos de trabalho. No total, existem atualmente na Argentina 895 mil pessoas desempregadas.

Na cidade de Córdoba, atingida pelas demissões do setor automotivo, o aumento do desemprego foi o mais significativo, passando de 8,99% para 11,6%.

Outro reflexo da recessão é o volume de 1,1 milhão que tentam sobreviver com trabalhos ocasionais. Nesse caso, a proporção saltou de 8,7% para 9,4% nos últimos 12 meses.

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