PIB brasileiro no 2º tri deve crescer de 1,5% a 2%, diz Goldfajn

Economista avalia que o PIB ficará levemente negativo em 2009, mas em 2010 pode crescer ao redor de 4,3%

Luciana Xavier e Denise Abarca, da Agência Estado,

14 de agosto de 2009 | 16h07

A retomada da economia brasileira é consistente e o País tem condições de crescer "relativamente bem" ao longo de 2010, acredita Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central e professor da PUC-RJ. "Se consistente significa que ela (a retomada) irá perdurar mais, então acho que sim. Acho que nos próximos trimestres a economia vai continuar crescendo", afirmou, em entrevista, por telefone, ao AE Broadcast Ao Vivo nesta sexta-feira, 14.

 

Goldfajn disse que embora Ásia e Brasil tenham começado a retomada mais cedo, os Estados Unidos e a Europa devem mostrar "boa recuperação" ainda este ano, já neste terceiro trimestre. O economista prevê que o PIB brasileiro irá crescer de 1,5% a 2% no segundo trimestre deste ano - o resultado oficial será divulgado pelo IBGE em 11 de setembro. Com um resultado positivo no trimestre passado, o Brasil estaria tecnicamente fora da recessão.

 

Apesar da expectativa de melhora no segundo semestre deste ano, Goldfajn avalia que o PIB ficará levemente negativo em 2009, mas em 2010 pode crescer ao redor de 4,3%.

 

Em julho, o Itaú Unibanco passou a divulgar o PIB mensal do Brasil. Segundo o banco, em maio o País cresceu 2,3%. O número referente a junho será divulgado na próxima segunda-feira, 17. Goldfajn adiantou que o PIB de junho não supera o de maio, "mas é saudável".

 

O ex-diretor do BC também avalia que o quadro inflacionário está confortável o bastante para um último corte da Selic este ano. O banco espera que um corte de 0,50 ponto porcentual, para 8,25% ao ano, possa ser feito nas reuniões do Copom de outubro ou dezembro deste ano. Para a inflação, Goldfajn espera que o IPCA fique em 4,3% este ano e 3,85% em 2010.

 

"Acho que a sinalização do Banco Central foi relativamente clara. Eles indicaram que estão satisfeitos com a taxa de juros no patamar de 8,75%. A gente incorporou em nossa visão um pouco desse sinal deles. No entanto, estamos vendo a inflação mais baixa e creio que irá ficar claro, se estivermos corretos, esse nosso cenário. As pessoas vão começar a refazer os cálculos para 2010 e vão ver que a inflação para 2010 está caminhando para abaixo do centro da meta. Portanto, acho que implicitamente vai começar a ter o questionamento se há o espaço residual de 0,50 ponto porcentual", afirmou Goldfajn.

 

Boa parte do mercado aposta em manutenção da taxa em 8,75% até pelo menos o fim deste ano e alguns até mesmo ao longo do ano que vem. Mas a curva de juros precifica uma alta da taxa básica já em janeiro de 2010. "Se a inclinação da curva está refletindo a percepção de um juro de equilíbrio maior, ela não condiz com a minha percepção."

 

Goldfajn explicou que há hoje uma discussão "implícita" no mercado sobre qual é a taxa de juros neutra, ou seja, a taxa de equilíbrio da economia brasileira. "Ninguém, na verdade, tem a bola de cristal para saber. Mas minha avaliação é de que houve uma mudança na taxa de juros de equilíbrio e de que provavelmente ela não voltará lá para frente", disse. Segundo ele, a taxa de equilíbrio pode caminhar 4% ou 5%, mas não mais para 7% ou 8%.

 

Goldfajn avalia que a situação fiscal, que representa hoje a questão mais frequentemente citada por economistas com um risco futuro, preocupa, mas não compromete a dinâmica da dívida. Ele comentou também que não acredita a meta de superávit primário deste ano, de 2,5%, será cumprida. "Se for cumprida será usando artifícios contábeis, como PPI e Fundo Soberano. Mas acho que a meta está mais para 2% do que para 2,5%."

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