PIB britânico cai 1,5%, na 1ª recessão desde 1991

Crise ?é mais aguda do que muitos imaginavam?, diz o ministro das Finanças; previsão para 2009 indica contração de 2,1% da riqueza do país

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

Um desempenho econômico mais fraco do que o previsto levou o Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido a confirmar, ontem, em Londres, a entrada do país em recessão, a primeira desde 1991. Entre outubro e dezembro, o Produto Interno Bruto (PIB) do país decresceu 1,5% em relação ao trimestre anterior. As más notícias levaram a libra a cair ainda mais, chegando a sua pior cotação ante o dólar em 24 anos. A recessão, configurada por dois trimestres seguidos sem crescimento, foi verificada porque no terceiro trimestre o nível de riqueza do país havia caído 0,6%. Muitos analistas europeus já consideravam o Reino Unido em recessão desde setembro, porque no segundo trimestre de 2008 a alta do PIB havia sido nula (0%). Ontem, porém, o governo admitiu o retrocesso da atividade econômica. "Nas últimas semanas, houve um aprofundamento substancial da crise", reconheceu o ministro das Finanças, Alistair Darling. "É sem dúvida mais aguda do que se imaginava." O resultado surpreendeu porque a maior parte dos analistas, segundo o jornal The Guardian, acreditava que a perda nos últimos três meses seria de 1,2%. O resultado não só foi além, como acabou sendo o maior recuo já verificado no segundo semestre desde 1980, quando a queda do PIB foi de 1,8%. Outro recorde: a expansão estimada da economia britânica no ano passado, de 0,7%, deve ser a pior desde 1992, quando a Europa viveu uma crise monetária. De acordo com o Escritório de Estatísticas, o recuo da produção industrial, de 4,6%, foi um dos fatores que mais pesaram na balança. "Estamos vendo a produção industrial cair em razão do contágio do mercado exportador", disse Darling. Os dados revelados ontem também serviram para rever a previsão de crescimento do país em 2009. Até dezembro, a estimativa para a queda do PIB era de 1,5%. Agora a maioria dos especialistas imagina um recuo de 2,1%. O efeito da recessão se faz sentir no nível de emprego. Segundo os últimos dados, 1,92 milhão de trabalhadores em idade ativa estão desempregados no país. As más notícias também serviram para derrubar ainda mais a cotação da libra, que ontem chegou ao seu pior valor em relação ao dólar em 24 anos, valendo US$ 1,355.

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