José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

PIB cai 1,9% no 2º trimestre, na maior queda desde 2009, e confirma recessão

Recuo ocorre ante uma base ainda mais fraca de comparação, já que o PIB do 1º trimestre foi revisado para -0,7%; investimento, consumo e serviços têm maior tombo desde a década de 1990

Idiana Tomazelli, Mariana Durão e Vinicius Neder , O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 09h00

A economia brasileira está em recessão. O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 1,9% no segundo trimestre ante os três primeiros meses do ano. Foi o maior tombo desde o primeiro trimestre de 2009, quando também houve queda de 1,9%, segundo o dado revisado. Na época, o País ainda se recuperava dos impactos mais imediatos da crise interncional.

No primeiro trimestre de 2015, o PIB já havia encolhido - o que configura o cenário que os economistas chamam de recessão técnica. E a atividade teve uma queda bem mais intensa nesses três primeiros meses do que se imaginava: o dado foi revisado de -0,2% para -0,7%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Recentemente, porém, o Codace/FGV apontou que a economia brasileira está em recessão há muito mais tempo, desde o segundo trimestre de 2014. 

Na comparação com o período de maio a junho de 2014, houve queda de 2,6%. Com os dados divulgados hoje, a economia encolheu 2,1% no primeiro semestre ante igual período do ano passado, e acumula recuo de 1,2% em 12 meses. Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 1,43 trilhão.

A turbulência tanto política quanto econômica está afetando a atividade, afirmou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. Segundo ela, a conjuntura atual guarda algumas semelhanças em relação ao período da crise internacional, mas também algumas diferenças. "Tem coisas parecidas e coisas diferentes. Em 2008 e 2009, por exemplo, o consumo das famílias não tinha sido tão afetado, já que houve medidas para diminuir o efeito (da crise). A situação agora é um pouco diferente", explicou Rebeca.

 

Segundo Rebeca, todos os setores da atividade são afetados pela turbulência política, mas alguns com mais força. É o caso da construção civil, com destaque para os ramos ligados à infraestrutura. Além disso, a queda nos índices de confiança também influencia negativamente.

Investimento. Os investimentos, chamados de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e considerados o motor da economia, registraram o oitavo trimestre consecutivo de queda ante os três meses imediatamente anteriores: 8,1%. Já na comparação com o mesmo período de 2014, a queda foi de 11,9% - o pior resultado desde 1996.

A taxa de investimento do País ficou em 17,8% do PIB, abaixo do observado no mesmo período do ano anterior (19,5%). Já a taxa de poupança passou para 14,4%, de 16% em 2014.

O consumo das famílias também teve desempenho negativo, impactado pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda. Houve recuo de 2,7% ante o mesmo período de 2014, o segundo consecutivo nessa base de comparação e o maior desde 1997.

O consumo do governo, por sua vez, caiu 1,1%, em relação ao segundo trimestre de 2014. Mas cresceu 0,7% na comparação com os três primeiros meses do ano.

Pela ótica da oferta, a indústria apresentou a maior retração ante os primeiros três meses do ano: 4,3%. O principal impacto negativo veio da construção civil. Já a agropecuária encolheu 2,7% e os serviços tiveram queda de 0,7%.

Na comparação com o mesmo período de 2014, os serviços recuaram 1,4%, o maior tombo desde o início da série do IBGE, em 1996. A indústria, por sua vez, encolheu 5,2% nessa base de comparação, maior queda desde 2009.

Afetada pela alta de preços, a alimentação fora do domicílio foi um dos destaques negativos dentro de serviços. De acordo com Rebeca, a média dos preços de alimentação fora de casa no segundo trimestre de 2015 ante o mesmo período de 2014 subiu 10,4%, enquanto o preço médio da economia medido pelo IPCA teve alta de 8,5%. "Isso afetou o setor negativamente", disse.

desaceleração da economia também se refletiu na arrecadaçãoO volume de impostos pagos caiu 5,7% no segundo trimestre ante igual período de 2014. "Todos os impostos tiveram impacto negativo. Mas os principais foram o Imposto de Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), muito por causa da indústria", disse Rebeca.

Setor externo. As importações também tiveram o pior desempenho desde 2009, devido ao quadro de recessão. O recuo no segundo trimestre de 2015 ante igual período de 2014, de 11,7%, só é superada pelos 12,6% de abril a junho daquele ano. "Com a queda nas importações e a alta nas exportações, isso gerou contribuição positiva do setor externo (ao PIB)", acrescentou Rebeca.

As exportações cresceram 3,4% no segundo trimestre de 2015 em relação ao primeiro trimestre deste ano. Já em relação ao período de abril a junho de 2014, o avanço foi de 7,5%. 

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