Rafaeç Arbex/Estadão - 20/3/2019
Colheita de milho; quebra da safrinha por problemas climáticos contribuiu para tombo no PIB agrícola. Rafaeç Arbex/Estadão - 20/3/2019

PIB: Clima, restrições de oferta e perda de confiança ofuscam melhora da pandemia; leia análise

Recuperação do mercado de trabalho, especialmente na construção e no setor de serviços, deverá amortecer o impacto do ciclo de aperto monetário, permitindo modesto crescimento em 2022

Ana Paula Vescovi* e Lucas Maynard**, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2021 | 13h48

O resultado do PIB para o terceiro trimestre revela importante perda de impulso da economia após ampla vacinação e normalização da mobilidade, com a melhora da pandemia. Com riscos domésticos ampliados e restrições de oferta impulsionando pressões inflacionárias, a confiança se abateu. O aumento das incertezas contribuiu para o desempenho decepcionante do PIB.

Do lado da oferta, houve a persistência das restrições logísticas e de insumos para a indústria, além da escassez de energia. A quebra da safrinha por problemas climáticos e as restrições de importações de carne por parte da China derrubaram o PIB agrícola.

Do lado da demanda, o freio das exportações agropecuárias retirou a contribuição positiva do setor externo. O consumo das famílias contribuiu positivamente, refletindo a dicotomia entre a recuperação mais acentuada dos gastos com serviços e o enfraquecimento da demanda por bens. 

Mediante recuperação do mercado de trabalho, a expansão do crédito e o consumo da poupança acumulada durante a pandemia deram sustentação ao consumo, alimentando em alguma medida o processo inflacionário.

O bom desempenho da construção civil, na esteira das taxas de juros reais negativas e do impulso da busca por melhores condições de moradia durante a quarentena, ajudou a evitar uma retração mais forte nos investimentos.

Para os próximos trimestres, acreditamos que a recuperação do mercado de trabalho, especialmente na construção e no setor de serviços, deverá amortecer o impacto do ciclo de aperto monetário, permitindo modesto crescimento em 2022.

A safra agrícola de grãos, após saldo positivo de chuvas durante o período de plantio, tende a ser fortemente positiva. Ademais, o ciclo positivo - e mais longo - da construção civil e a exportação de commodities são fatores menos cíclicos que ajudarão a sustentar algum nível de atividades, especialmente nos próximos dois a três trimestres.

Contudo, os efeitos defasados da política monetária mais apertada e da deterioração das condições financeiras se somarão aos maiores riscos fiscais e inflacionários, comprometendo com mais intensidade o segundo semestre de 2022. Para 2023, esgotados as fontes de crescimento não cíclico e inercial do ano anterior, estimamos que os efeitos defasados do aperto monetário deverão prevalecer, levando a uma retração da atividade econômica.

*Economista-chefe do banco Santander

** Economista do banco Santander 

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Alexandre Calais: Economia parou e não se sabe quando voltará a andar; leia análise

A pandemia afetou o resultado do PIB do terceiro trimestre, que recuou 0,1%, mas a falta de rumo na condução da política econômica também contribuiu para esse quadro

Alexandre Calais*, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2021 | 10h04

O resultado do PIB divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira, 2, mostrando uma queda de 0,1% no terceiro trimestre, apenas corroborou o que todos os analistas já sabiam e que toda a população sente no dia a dia: a economia brasileira parou. Obviamente, a pandemia da covid-19, caminhando para completar dois anos, com novas ondas que se sucedem e que não permitem a volta à normalidade, tem um peso gigante nesse resultado. Mas não há como negar que as falhas e a falta de rumo na condução da política econômica também contribuíram, e muito, para esse quadro. E o pior é que as perspectivas, pelo menos no curto e no médio prazos, não são das melhores.

No terceiro trimestre, apenas o setor de serviços avançou (1,1%) em relação ao segundo trimestre. Efeito de uma certa retomada possibilitada pelo avanço das vacinas. Mas a indústria ficou no mesmo lugar e a agropecuária, sempre um motor importante da nossa economia, teve uma forte queda de 8%. Como no segundo trimestre o País teve queda de 0,4%, estamos em recessão técnica - o nome dado pelos economistas quando há dois trimestres seguidos de recuo.

 

 

Pode até ser que no quarto trimestre haja algum avanço. No acumulado do ano, devemos ter um crescimento por volta de 4%, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos. Muito mais por efeito estatístico, depois da queda de 3,9% do ano passado (dado revisado pelo IBGE), do que por algum movimento articulado de retomada. Ou seja: ao final de 2021, o País vai estar praticamente no mesmo patamar de 2019, talvez até pior.

A pandemia atingiu todos os países, e os remédios para combatê-la foram muito parecidos: estímulos econômicos na veia e aposta na vacinação. No caso brasileiro, mais estímulos do que vacinas, pelo menos no primeiro momento. Mas, nos outros países, pelo menos nos mais desenvolvidos, as perspectivas são melhores do que as nossas. Por quê?

Não dá para negar o impacto das decisões políticas  nesse quadro. Tudo o que aconteceu nesses últimos meses, todas as discussões que foram levantadas e que tiveram como objetivo as eleições de 2022, foram decisivas para esse quadro de desconfiança com o crescimento econômico. O ministro Paulo Guedes insiste que o Brasil vai surpreender, terá uma retomada em V. O governo teima em prever um PIB crescendo mais de 2% no ano que vem. Mas a realidade se impõe. As projeções dos analistas para 2022 se aproximam cada vez mais da estagnação, com muita gente já falando em recessão, mesmo.

Muito do que se faz na economia é alimentado por expectativas. Os investimentos chegam quando há perspectiva de crescimento, quando o empresário sabe que terá mercado para seus produtos. Mas esse crescimento só vem quando há um clima de estabilidade. E isso é tudo que não temos agora. O governo forçou isso ao insistir, por exemplo, na mudança do teto de gastos. A regra que limita o avanço das despesas à inflação do ano anterior era uma garantia, para o mercado, que o governo não teria como patrocinar uma “farra eleitoral”. Com a violação da regra, avalizada pelo Congresso, essa garantia vai por água abaixo. As contas públicas ficam em risco, continuaremos gastando muito mais do que arrecadamos, como acontece há muitos anos. O quadro se turva e a economia se retrai.

No fundo, tudo agora vai ficar parado à espera de definições eleitorais. Quem serão os candidatos com condições de vencer a disputa pela presidência e quais são seus planos. O problema é que ainda falta um ano para essa definição acontecer. É tempo demais para um País às voltas com desemprego alto, inflação descontrolada, juros subindo. Mas o governo não dá sinais de que poderá reverter nada disso. Na cabeça do presidente, que nunca mostrou grande preocupação com nenhum problema real do Brasil, há apenas a reeleição no radar. A economia espera um rumo para seguir. Pode até ser que o encontremos em 2023. Mas, até lá, parece que as coisas ainda vão piorar muito.

*Editor-coordenador de Economia

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PIB recua 0,1% no 3º trimestre e Brasil entra em recessão técnica

Termo indica dois trimestres seguidos de retração na atividade econômica; setor de serviços avançou 1,1%, enquanto a agropecuária teve queda de 8%

Daniela Amorim e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2021 | 09h07
Atualizado 02 de dezembro de 2021 | 12h12

RIO - A economia brasileira seguiu estagnada na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Mesmo com a normalização de algumas atividades, a inflação pressionada e o mercado de trabalho ainda difícil impediram um impulso mais forte da demanda, enquanto a estiagem derrubou o desempenho da agropecuária e desequilíbrios provocados pela pandemia ainda atrapalham a indústria.

O resultado foi uma ligeira queda de 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB, o valor de todos os produtos e serviços produzidos na economia em determinado período) no terceiro trimestre ante o segundo, informou nesta quinta-feira, 2, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Após nove meses de avanços, do terceiro trimestre de 2020 ao primeiro deste ano, a economia parou a partir de abril. No segundo trimestre, o PIB caiu 0,4% ante os três primeiros meses do ano, conforme revisão anunciada também nesta quinta, pelo IBGE.

Com isso, a economia brasileira entrou em “recessão técnica”, como economistas de mercado chamam a situação em que ocorrem dois trimestres seguidos de retração no PIB.

 

No terceiro trimestre, a economia foi puxada - pelo lado do que é produzido - pelo setor de serviços, com avanço de 1,1% sobre o segundo trimestre. “Há uma normalização das atividades presenciais. Estamos colhendo os frutos da vacinação”, disse Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de Macroeconomia da Tendências Consultoria, lembrando que essa “normalização” das atividades aparece no mercado de trabalho, com a recuperação de postos de trabalho, especialmente nos serviços presenciais.

Como responde por pouco mais de 70% do PIB, o setor de serviços puxa a atividade como um todo, mas, no terceiro trimestre, a indústria e, principalmente, a agropecuária seguraram o impulso, impedindo um crescimento maior.

Sob efeito de quebras de safra provocadas pela estiagem histórica no meio do ano, a agropecuária registrou queda de 8% sobre o segundo trimestre. O resultado foi o pior nessa base de comparação desde o primeiro trimestre de 2012, quando o setor recuou 19,6% sobre os três últimos meses de 2011.

Segundo o IBGE, o mau desempenho da agropecuária foi influenciado por perdas nas lavouras de café, algodão, milho e cana-de-açúcar, mas também no segmento pecuário, especialmente de criação de bovinos.

“Várias lavouras importantes do Brasil estão todas com expectativa de queda no ano”, disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas nacionais do IBGE, lembrando que, o resultado só não foi pior ainda porque a soja, principal cultura do País, passou mais ou menos ilesa pela estiagem. A soja foi plantada antes da seca, colhida e exportada antes do terceiro trimestre deste ano, lembrou a pesquisadora.

O PIB industrial ficou estagnado, ainda afetado pelos gargalos nas cadeias globais de produção, marcados pelo travamento do transporte marítimo e pela escassez de peças e componentes.

“Essa questão das cadeias globais de fornecimento continua. É um problema superrelevante. O tempo de entrega de insumos e peças, inclusive, está acima do primeiro momento da pandemia”, afirmou Alessandra Ribeiro.

A crise hídrica também pesou sobre a indústria, que inclui a atividade de produção e distribuição de eletricidade, gás e água. Essa atividade recuou 1,1% ante o segundo trimestre, sob impacto do encarecimento da geração de energia. Segundo Rebeca Palis, a crise de energia ajudou a puxar o PIB brasileiro pra baixo nos últimos dois trimestres.

 

Pela ótica da demanda, ou seja, de quem compra o que é produzido no País,o motor da economia no terceiro trimestre foi o consumo das famílias, que cresceu 0,9% sobre o trimestre imediatamente anterior. Parte desse crescimento também tem a ver com a “normalização” da economia, uma vez que os consumidores de maior renda, menos afetados pela crise causada pela covid-19, puderam voltar a consumir, com a flexibilização de restrições impostas pela pandemia. Para quem teve a renda pouco ou nada afetada pela crise, a simples reabertura de negócios como salões de beleza, cinemas, bares e restaurantes já leva, quase que automaticamente, a um aumento do consumo.

Por outro lado, para o conjunto das famílias como um todo, o consumo é mais diretamente ligado à dinâmica de emprego e renda. Embora o mercado de trabalho venha apresentando recuperação, com geração de vagas, a retomada ainda não foi suficiente para repor todos os empregos perdidos na crise. Para piorar, as vagas que estão sendo abertas têm salários menores, e a aceleração da inflação nos últimos meses corrói a renda, segurando o apetite para o consumo entre as famílias de renda menor.

Na visão do professor Gilberto Tadeu Lima, pesquisador do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP, o quadro é agravado pela indefinição, desde 2020, em torno dos rumos do auxílio emergencial. O benefício temporário foi reduzido no fim do ano, demorou a ter a renovação garantida em 2021, chegando a ficar suspenso nos primeiros meses deste ano, e terminou no mês passado sem que se tenha um desenho claro, com valores, para o Auxílio Brasil, novo nome do Bolsa Família, após uma reformulação.

Como o auxílio emergencial ajudou a sustentar o nível da atividade econômica, ajudando o consumo das famílias e evitando um “colapso” maior no PIB do ano passado, a indefinição em torno da continuidade, e em que moldes, dos programas federais de transferência de renda tem, agora, o efeito oposto. Em vez de impulsionar o ritmo do consumo, tira fôlego para um crescimento para além do processo de “normalização” das atividades.

“Sem dúvidas, o auxílio emergencial jogou um papel essencial (na retomada da economia desde meados de 2020), mas a própria definição de algo tão essencial está sujeita a um processo capenga, de vaivém e indefinição”, diz Lima, criticando a falta de coordenação entre o governo federal e as demais esferas no enfrentamento da crise causada pela covid-19.

Ainda na ótica da demanda, a formação bruta de capital fixo (FBCF), conta dos investimentos no PIB, caiu 0,1% na comparação com o segundo trimestre. Frequentemente associada por economistas às perspectivas futuras para os negócios, a dinâmica de investimentos é a primeira a ser atrapalhada pelas incertezas em torno dos atritos políticos envolvendo o governo federal, sobre o tamanho dos desequilíbrios nas contas públicas e, a partir de 2022, sobre as eleições gerais. O agravamento desses pontos de incerteza reforça o quadro de estagnação.

 

 

A estagnação não impedirá um crescimento econômico expressivo neste ano, mas a perda de fôlego aponta para um desempenho bem abaixo disso em 2022. A pesquisa do Projeções Broadcast com analistas do mercado financeiro, feita antes da divulgação dos dados desta quinta-feira pelo IBGE, apontava para um crescimento de 4,8% no PIB de 2021 ante 2020, desacelerando para apenas 0,5% em 2022 ante este ano.

Economistas começaram a revisar para baixo suas projeções para o crescimento de 2022 em setembro, quando a persistência da inflação mais elevada ficou clara - para enfrentar a alta de preços, o Banco Central (BC) deverá subir mais os juros básicos da economia, medida que visa esfriar a demanda e, portanto, tirar impulso do crescimento econômico. 

O processo se aprofundou em outubro, após o governo dar sinais de que pretendia pagar parte do Auxílio Brasil com gastos que ficariam fora do “teto” (a regra fiscal que limita o crescimento das despesas públicas, de um ano para o outro, apenas à inflação).

De lá para cá, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precários passou na Câmara dos Deputados e está prestes a ser aprovada no Senado Federal, com números apontando, cada vez mais, para aumento de gastos - não só com o novo Auxílio Brasil, mas também com emendas parlamentares no Orçamento. Como resultado, as cotações das ações negociadas na Bolsa vêm despencando, a taxa de câmbio disparando, assim como as taxas de juros do mercado futuro, sinalizando para juros básicos ainda mais altos e, portanto, ainda menos impulso para a economia.

“O governo deu estímulos, a economia foi (desde meados de 2020), mas, agora, diante dos desequilíbrios, com inflação e todo o risco ligado ao desequilíbrio fiscal (das contas do governo), vamos pagar a conta com menos crescimento econômico”, disse Alessandra Ribeiro, da Tendências.

E há mais chances de piora do que de melhora, na avaliação da economista. O processo eleitoral pode elevar ainda mais as cotações do dólar, levando a juros ainda mais altos e menos crescimento econômico. Além disso, a economia mundial está em desaceleração, incluindo a China, principal compradora das exportações brasileiras

O economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, acrescenta aos riscos para a economia brasileira em 2022 uma possível nova onda da covid-19, por causa da variante Ômicron, e uma eventual antecipação na alta dos juros nos Estados Unidos. O aperto na política monetária americana, após o grande afrouxamento para apoiar a economia em meio à pandemia, tende a elevar juros no mundo todo e retirar recursos dos mercados emergentes, um motivo a mais para as cotações do dólar subirem. / COLABOROU GUILHERME BIANCHINI

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Queda de 8% no PIB da agropecuária no 3º trimestre é a maior desde 2012

Resultado foi influenciado por perdas nas lavouras de café, algodão, milho e cana-de-açúcar, mas também pelo desempenho do segmento pecuário, especialmente de criação de bovinos

Daniela Amorim, Vinicius Neder e Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2021 | 12h04
Atualizado 02 de dezembro de 2021 | 22h52

RIO e SÃO PAULO - Se a retomada do consumo de serviços impulsionou o setor no terceiro trimestre, choques de oferta na agropecuária e na indústria foram decisivos para o desempenho negativo do Produto Interno Bruto (PIB)como um todo. A seca histórica que atingiu o País no inverno leva boa parte da culpa. Por causa da estiagem, a agropecuária registrou queda de 8% sobre o segundo trimestre, pior resultado nessa base de comparação desde o primeiro trimestre de 2012, quando a queda foi de 19,6%.

 

Além da seca, que golpeou em cheio a segunda safra de milho, o inverno foi marcado por geadas que atingiram as plantações de cafécana-de-açúcar. “O terceiro trimestre nos lembrou de que a atividade agropecuária é inerente aos efeitos do clima”, disse o coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Renato Conchon.

Ausência da soja

O terceiro trimestre, normalmente, é mais fraco para a agropecuária. Isso ocorre porque a principal cultura do País, a soja, é colhida, principalmente, no primeiro trimestre, gerando impactos econômicos concentrados na primeira metade do ano. Tanto que o desempenho no ano como um todo deverá apresentar crescimento, porque a soja passou mais ou menos ilesa pela estiagem, lembrou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O tombo na atividade agrícola no terceiro trimestre foi resultado da combinação da saída dos efeitos econômicos da safra de soja com o fato de praticamente todas as principais culturas típicas do período terem sido atingidas pelo clima. Segundo o IBGE, o mau desempenho da agropecuária foi influenciado por perdas de café, algodão, milho e cana-de-açúcar, e na pecuária, especialmente na criação de bovinos.

“Normalmente, para o setor agropecuário, todo o terceiro trimestre de cada ano é, em média, pior do que o segundo, em virtude da sazonalidade do setor. Neste ano, este resultado negativo foi agravado pelos efeitos climáticos muito severos”, explicou Conchon.

Para 2022, as perspectivas são melhores, porque as chuvas começaram no momento certo, em outubro, e têm vindo em volume positivo em relação às médias históricas. Por outro lado, escassez e encarecimento de insumos, agravados pelas elevadas cotações do dólar, que abalam a indústria desde o início da pandemia, poderão atrapalhar também a safra de 2021/2022, disse Conchon.

A crise hídrica também atrapalhou a indústria. O PIB industrial teve variação nula no terceiro trimestre ante o segundo, puxado para baixo pela atividade de produção e distribuição de eletricidade, gás e água, que recuou 1,1%. Isso porque a geração de eletricidade encareceu. Segundo Rebeca Palis, do IBGE, a crise de energia ajudou a puxar o PIB brasileiro para baixo nos últimos dois trimestres.

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