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PIB cresce 0,5% no 2° trimestre e frustra o mercado

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre deste ano, ante o primeiro trimestre, na série com ajuste sazonal (levando-se em conta os efeitos temporais), segundo divulgou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou no piso das expectativas de mercado apuradas pelo AE-Projeções, que variavam de 0,5% a 1%, com mediana em 0,75%. O resultado divulgado hoje é o mais baixo desde o terceiro trimestre de 2005, quando houve retração de 1,2%.Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o PIB cresceu 1,2%, também abaixo do piso das expectativas, que variavam de 1,50% a 2,40% (mediana em 1,85%).O PIB acumulado no primeiro semestre cresceu 2,2% ante igual período do ano passado e o resultado acumulado em 12 meses foi de 1,7% até junho. Com este resultado, fica mais longe a possibilidade de que a projeção de crescimento de 4% traçada pelo governo para este ano seja de fato cumprida.Segundo o IBGE, dos três setores que compõem o indicador - Agropecuária, Indústrias e Serviços - o destaque de desempenho no segundo trimestre, ante o primeiro trimestre, foi da Agropecuária (0,8%), seguida pelo setor de Serviços (0,6%). A Indústria registrou queda de 0,3% no período.Consumo das famílias puxa crescimentoOs técnicos do IBGE explicaram no documento de divulgação que o consumo das famílias puxou o PIB do segundo trimestre, tanto na comparação com o primeiro trimestre, quando cresceu 1,2%, quanto em relação a igual período do ano passado (4%), em que registrou o 11º crescimento consecutivo nesta base de comparação. No primeiro semestre, o consumo das famílias cresceu 3,8%, ante igual período do ano passado. "O PIB do segundo trimestre foi sustentado totalmente pelo mercado interno", segundo observou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. De acordo com ela, os aumentos no consumo das famílias no segundo trimestre deste ano refletem o crescimento do rendimento dos trabalhadores e a continuidade na expansão do crédito. Rebeca mostrou dados que apontam um aumento de 6,8% na massa salarial real no segundo trimestre deste ano ante igual período do ano passado e uma expansão de 31,8% no saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para pessoas físicas. Os investimentos, no entanto, apresentaram situação inversa. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF ou investimento) teve queda de 2,2% no segundo trimestre deste ano, ante o primeiro trimestre. A perda ocorreu revertendo o crescimento de 3,7% apresentado no primeiro trimestre de 2006 ante quarto trimestre de 2005. A FBCF é formada pela construção civil (60% de peso no indicador) e máquinas e equipamentos (40%). Rebeca observou que, "apesar da Selic mais baixa e do crescimento no volume das operações de crédito", houve a desaceleração nos investimentos no segundo trimestre, puxada especialmente pela construção civil.Rebeca disse que os investimentos e o setor externo foram responsáveis pela desaceleração no crescimento do PIB no segundo trimestre. Segundo ela, além da queda registrada na FBCF, e do menor crescimento dos investimentos no segundo trimestre deste ano, ante igual trimestre do ano passado (2,9%), em relação ao obtido no primeiro trimestre nessa base de comparação (9%), as exportações de bens e serviços diminuíram o ritmo de expansão, enquanto as importações, que tem contribuição negativa para o PIB, aceleraram o crescimento. A queda de 0,6% nas exportações de bens e serviços apurada no PIB do segundo trimestre deste ano, ante igual período do ano passado, significou o pior resultado apurado pelo IBGE nesse indicador nessa base de comparação desde o terceiro trimestre de 2003 e também o primeiro recuo registrado desde então. De acordo com Rebeca, essa queda reflete o câmbio valorizado, mas também a greve na Receita Federal - que se prolongou por dois meses no segundo trimestre - e o menor número de dias úteis no segundo tri deste ano, na comparação com igual período de 2005, em razão da Copa do Mundo. As importações de bens e serviços cresceram 12,1% no período. Segundo Rebeca, no primeiro trimestre o setor externo já tinha dado uma contribuição negativa para o PIB (já que as exportações cresceram 9,3% ante o primeiro tri de 2005 mas as importações expandiram muito mais, em 15,9%), mas esse efeito se acentuou no segundo trimestre, contribuindo para a desaceleração do PIB do País em relação aos resultados apresentados no primeiro trimestre. Segundo trimestre X segundo trimestreServiços foi o setor com maior representatividade no crescimento de 1,2% do PIB no segundo trimestre, tomando como base o mesmo período de 2005. A alta foi de 1,9%. A Agropecuária, por sua vez, avançou 1%, enquanto o crescimento da Indústria ficou em 0,5%. O QUE É O PIB? O Produto Interno Bruto (PIB) representa o total de riquezas produzido num determinado período num país. É o indicador mais usado para medir o tamanho da economia doméstica. No Brasil, o cálculo é realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão responsável pelas estatísticas oficiais, vinculado ao Ministério do Planejamento.O cálculo do PIB leva em conta o acompanhamento de pesquisas setoriais que o próprio IBGE realiza ao longo do ano, em áreas como agricultura, indústrias, construção civil e transporte. O indicador inclui tanto os gastos do governo quanto os das empresas e famílias. Mede também a riqueza produzida pelas exportações e as importações.O IBGE usa ainda dados de fontes complementares, como o Banco Central, Ministério da Fazenda, Agência Nacional de Telecomunicações e Eletrobrás, entre outras.Matéria alterada às 12h53 para acréscimo de informações

Agencia Estado,

31 de agosto de 2006 | 10h18

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