PIB cresce 1,9% no 2º tri e aponta fim da recessão no Brasil

Indústria volta a se expandir, mas investimento cai ao menor nível para um segundo trimestre desde 2003

Redação, Agência Estado

11 de setembro de 2009 | 09h05

Após dois trimestres consecutivos de queda, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 1,9% no segundo trimestre de 2009 ante os três primeiros meses do ano, encerrando o período de recessão no País. A indústria também voltou a crescer, após acumular grandes perdas. O PIB industrial avançou 2,1% em comparação com o primeiro trimestre. Já a taxa de investimento (FBCF/PIB) ficou em 15,7%, a menor apurada em um segundo trimestre desde 2003. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).      

 

 

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Na comparação com o segundo trimestre de 2008, o PIB caiu 1,2%. No primeiro trimestre de 2009, a economia brasileira encolheu 0,8%, depois de recuar 3,6% de outubro a dezembro do ano passado, quando a turbulência externa atingiu em cheio a atividade nacional.

 

O PIB industrial também mostrou recuperação com o crescimento de 2,1%, após registrar dois trimestres consecutivos de queda. Nos três primeiros meses, o PIB da indústria havia caído 3,1%. Já no 4º trimestre de 2008, a crise econômica levou a uma queda de 7,4% - a maior desde 1996.

 

Na comparação com o 1 trimestre, a agropecuária caiu 0,1% e o setor de serviços, o de maior peso no PIB, teve expansão de 1,2%. De abril a junho deste ano em relação ao mesmo período de 2008, a indústria desabou, com -7,9% e a agropecuária caiu 4,2%. O setor de serviços, porém, cresceu 2,4% em relação ao segundo trimestre de 2008.

 

No primeiro semestre de 2009, o PIB registrou variação negativa de 1,5% ante igual período do ano passado. Em 12 meses, o PIB acumula alta de 1,3%. Em valores correntes, o PIB do segundo trimestre somou R$ 756,2 bilhões.

 

Segundo o IBGE, as exportações também se recuperaram no segundo trimestre. As vendas externas cresceram 14,1% em relação ao primeiro trimestre deste ano, mas caíram 11,4% na comparação com o segundo trimestre do ano passado. No primeiro trimestre em relação ao período de outubro a dezembro de 2008, as exportações haviam caído 16%. No primeiro semestre, as exportações ficaram 13,1% menores que no mesmo período do ano passado e, nos 12 meses terminados em junho, a queda foi de 7,6%.

 

Já as importações aumentaram 1,5% na comparação do segundo trimestre em relação ao período de janeiro a março, mas tiveram queda de 16,5% em relação ao segundo trimestre do ano passado. No primeiro semestre, caíram 16,3% e, nos 12 meses terminados em junho, a redução foi de 0,8%.

 

A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a balança comercial. No PIB, entram bens e serviços e as variações porcentuais divulgadas dizem respeito ao volume. Já na balança comercial, entram só bens e o registro é feito em valores, com grande influência dos preços.

 

Investimento

 

Os investimentos, ou Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), ficaram estáveis (0,0%) no segundo trimestre em relação aos primeiros três meses do ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2008, houve queda de 17%. No primeiro semestre, a FBCF acumulou queda de 15,6% na comparação com igual período de 2008. Nos 12 meses terminados em junho, houve redução de 2,2%. A Formação Bruta de Capital Fixo é constituída principalmente por máquinas e equipamentos e pela construção civil.

 

Já a taxa de investimento (FBCF/PIB) ficou em 15,7% no segundo trimestre, enquanto no segundo trimestre de 2008 tinha ficado em 18,5%. Na média do primeiro semestre, a taxa de investimento foi de 16,1% - no mesmo período do ano passado tinha sido de 18,5%.

 

A taxa de poupança (poupança/PIB), por sua vez, foi de 15,0% no segundo trimestre e no primeiro semestre ficou em 13,1%. No segundo trimestre de 2008, tinha sido de 19,0% e no primeiro semestre do ano passado, de 17,2%.

 

Consumo

 

O consumo das famílias no segundo trimestre cresceu 2,1% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, o consumo das famílias aumentou 3,2%. No total do primeiro semestre, houve expansão de 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos 12 meses terminados em junho, o consumo das famílias teve ampliação de 3,5% na comparação com igual período anterior.

 

O IBGE registrou queda de 0,1% para o consumo do governo no segundo trimestre na comparação com o primeiro deste ano e crescimento de 2,2% na comparação com o segundo trimestre de 2008. No primeiro semestre, o consumo do governo se expandiu 2,5% em relação a igual período de 2008 e 4,2% nos 12 meses terminados em junho.

 

Dados Revisados

 

O IBGE revisou a variação do PIB no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre do ano passado na série com ajuste sazonal de -0,8% para -1,0%. No quarto trimestre em relação ao terceiro trimestre, houve revisão de -3,6% para -3,4%.

 

O instituto também reduziu os crescimentos na série de comparação com o trimestre imediatamente anterior com ajuste sazonal do terceiro trimestre de 2008 de 1,4% para 1,3%; do segundo trimestre de 2008, de 1,6% para 1,5% e do primeiro trimestre de 2008 de 1,9% para 1,8%.

 

Entenda o que é o PIB

 

O Produto Interno Bruto representa o total de riquezas produzido num determinado período num país. É o indicador mais usado para medir o tamanho da economia doméstica. No Brasil, o cálculo é realizado pelo IBGE, órgão responsável pelas estatísticas oficiais, vinculado ao Ministério do Planejamento.

 

O cálculo do PIB leva em conta o acompanhamento de pesquisas setoriais que o próprio IBGE realiza ao longo do ano, em áreas como agricultura, indústrias, construção civil e transporte. O indicador inclui tanto os gastos do governo quanto os das empresas e famílias. Mede também a riqueza produzida pelas exportações e as importações.

 

O IBGE usa ainda dados de fontes complementares, como o Banco Central, Ministério da Fazenda, Agência Nacional de Telecomunicações e Eletrobrás, entre outras.

 

O PIB pode ser medido de duas formas, para um mesmo resultado. Quando o PIB é analisado pela ótica de quem produz essas riquezas, entram no cálculo os resultados da indústria (que respondem por 30% do total), serviços (65%) e agropecuária (5%).

 

Outra maneira de medir o PIB é pela ótica da demanda, ou seja, de quem compra essas riquezas. Nesse caso, são considerados o consumo das famílias (60%), o consumo do governo (20%), os investimentos do governo e de empresas privadas (18%) e a soma das exportações e das importações (2%).

 

(com Adriana Chiarini e Jacqueline Farid, da Agência Estado)

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