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PIB cresce 5%, mesmo com atividade zero no 4º tri, diz ministro

Paulo Bernardo diz que Lula ficou satisfeito com resultado do PIB e afirmou que previsão de 0% é pessimista

Beatriz Abreu, da Agência Estado,

09 de dezembro de 2008 | 12h37

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse nesta terça-feira, 9, que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 5% este ano mesmo que o resultado da atividade econômica no último trimestre seja de zero. Bernardo disse que a expansão "foi freada bruscamente" pela crise financeira internacional. Os efeitos mais danosos da crise sobre a economia brasileira foram percebidos a partir da segunda quinzena de setembro e já provocaram uma retração da atividade industrial no mês de outubro. Os dados do quarto trimestre serão divulgados pelo IBGE só no próximo ano. Veja também:Mantega comemora PIB e reforça 'crescimento de qualidade'A medida do crescimento do PaísPIB cresce 6,8% no 3º tri e acumula expansão de 6,4% em 2008 "Mesmo que não cresça nada no quarto trimestre, a economia crescerá 5% ou um pouco mais este ano", disse Paulo Bernardo. Nesta manhã, ele passou os dados do PIB para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se mostrou satisfeito com o impulso da economia e discordou da avaliação de seu ministro de que o último trimestre pode ser ruim.  "Você está muito pessimista Paulo Bernardo. O PIB do último trimestre não vai dar zero, não", relatou o ministro. Segundo ele, o presidente Lula disse ter informações de vários setores da economia que ainda estão mantendo a atividade, apesar do impacto da crise na oferta de crédito e na liquidez nas linhas comerciais do País. "O PIB do quarto trimestre não vai dar zero porque o comércio está vendendo muito", disse Lula, ainda segundo relato de Paulo Bernardo. Ele lamenta que os efeitos danosos da crise aconteçam justamente em "um momento de embalo da economia". Assegurou, no entanto, que o governo vai trabalhar para criar as condições para garantir um crescimento da economia de 4% em 2009. "Não estamos falando de crescer 4% como um desejo aleatório. Essa é a meta que nos impusemos", disse.  Construção A expectativa de que a atividade econômica não cairá no último trimestre está sendo sustentada nas análises do governo por informações de que setores afetados pela crise financeira começam a exibir sinais de retomada dos negócios, disse Bernardo. Segundo ele, em reunião na semana passada, os dirigentes da Câmara Brasileira da Construção Civil (CBIC) garantiram que foram retomadas as vendas de imóveis em novembro, embora em escala menor.  Paulo Bernardo disse que a Caixa Econômica Federal encerra o ano com a liberação de R$ 22,8 bilhões de crédito imobiliário. Todo o sistema financeiro deve somar R$ 30 bilhões em financiamentos. "É evidente que teremos uma retração. Mas é fato, também, que quem está no meio do processo não vai voltar atrás. Vai continuar em atividade", disse ainda o ministro. O governo, como afirmou, vai continuar adotando medidas para garantir o crédito e a liquidez no mercado interno para garantir um crescimento da economia em 4% do PIB, no próximo ano.  Além disso, Bernardo afirmou que Lula pediu aos bancos oficiais que mantenham o esforço de ampliar a oferta de crédito na economia a taxas mais baixas. Atualmente, os bancos públicos têm uma participação de 40% na oferta de crédito garantindo a liquidez no mercado, diante da retração dos bancos privados. Paulo Bernardo assegura que essa maior participação das instituições oficiais não representa uma exposição ao risco, num cenário de agravamento da crise financeira. "Não há risco. Ninguém está emprestando de forma temerária", disse. O governo está observando o comportamento dos bancos privados e aposta que as instituições retomarão a oferta de crédito. Paulo Bernardo disse que novas medidas para estimular a liberação de crédito estão em estudo, mas não quis revelar quais os instrumentos, além da liberação dos compulsórios, serão adotados para garantir a normalização da liquidez no sistema financeiro. Ele comentou que o governo "tem clareza" de que "não pode obrigar a nenhuma instituição a emprestar dinheiro", mas também reconhece que os bancos públicos não podem suprir todo mercado.  Copom O ministro do Planejamento assegurou ainda que nas reuniões com os dirigentes de bancos oficiais o presidente não tem discutido o patamar atual da taxa Selic, de 13,75%. Segundo ele, o presidente avalia com os dirigentes dos bancos oficiais a oferta de crédito no mercado e a redução das taxas dos empréstimos. "Em todas as reuniões quando se menciona a questão dos juros, o presidente afirma que não se trata de reunião para discutir a selic", disse ainda Paulo Bernardo.  "Nas poucas vezes que alguém se manifesta sobre a selic, o presidente diz que esse é um assunto que ele conversa com o Meirelles ( o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles)", relata Paulo Bernardo. "O presidente sempre diz que a conversa de juros é entre ele e o Meirelles", garante o ministro.

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