PIB cresce, mas investimento não reage

Puxado pelo consumo das famílias e pelo setor de serviços, o Brasil saiu da recessão no segundo trimestre, com um crescimento de 1,9% ante o primeiro, na série que elimina influências sazonais (ou 7,8%, anualizando o dado, como se faz nos Estados Unidos e em outros países).

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

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Houve queda nos dois trimestres anteriores, o que configurou a recessão. Da leva de países que conseguiram sair da recessão já no segundo trimestre, o Brasil se destacou como um dos que obteve crescimento mais forte, o que animou os analistas em relação às projeções para este ano e 2010.

Pelo lado negativo, houve queda de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) ante o mesmo período de 2008. Os investimentos ainda se mantêm deprimidos, com o recuo recorde de 17% ante o segundo trimestre de 2008.

A indústria, embora tenha crescido 2,1% ante o primeiro trimestre, caiu 7,9% em relação ao segundo trimestre de 2008. No primeiro semestre, o PIB caiu 1,5%, o pior resultado semestral da série iniciada em 1996.

"O consumo continua sustentando o PIB", disse Roberto Olinto, coordenador de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao divulgar os dados, ontem, no Rio.

A indústria, a mais afetada pela crise, acumulou o terceiro trimestre de queda ante igual período do ano anterior, mas o recuo de 7,9% foi menor que o do primeiro trimestre, de 9,3%. No semestre, a indústria teve queda de 8,6%, a pior em dois trimestres consecutivos desde 1996, o início da série.

Em relação ao segundo trimestre de 2008, houve recuo de 10% na indústria de transformação; de 9,5% na construção civil; de 4% no segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana; e de 0,8% na indústria extrativa mineral (com alta de 5,9% de petróleo e gás). As maiores quedas na indústria de transformação foram em máquinas e equipamentos, metalurgia, peças para veículos, mobiliário e vestuário e calçados.

Apesar do mau desempenho, a indústria iniciou a recuperação no segundo trimestre, com avanço de 2,1% ante o trimestre anterior. Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE, notou que segmentos ligados ao investimento, como máquinas e equipamentos, puxaram para baixo a indústria, enquanto bens duráveis e semiduráveis, como automóveis e eletroeletrônicos, impulsionados pelas desonerações tributárias, tiveram o melhor desempenho.

A agropecuária teve queda de 4,2% no segundo trimestre, em relação a igual período de 2008, prejudicada por quedas projetadas para as safras de soja, milho e café. No semestre, a agropecuária acumula queda de 3%. O mau desempenho da indústria e da agropecuária foi compensado pelos serviços, que cresceram 2,4% no segundo trimestre, ante igual período de 2008, e 1,2% ante o primeiro trimestre.

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