PIB crescerá menos que em 2011, admite BC

Um dia após o governo lançar o 7º pacote de estímulo, BC rebaixa previsão para o PIB

EDUARDO CUCOLO, CÉLIA FROUFE, FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h06

O governo admitiu pela primeira vez que a economia brasileira vai crescer neste ano menos que o verificado no ano passado. O Banco Central revisou ontem a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012 de 3,5% para 2,5%. Em 2011, o crescimento foi de 2,7%.

Será o segundo ano seguido de desaceleração e o pior resultado desde 2009, quando a economia encolheu por conta da crise externa. A revisão se deve, principalmente, ao fato de a atividade econômica ter crescido, desde o primeiro trimestre, mais lentamente que o esperado.

A instituição ainda não divulgou a previsão para 2013, mas afirmou que será um ano de recuperação. Destacou, entretanto, que as estimativas de analistas para o próximo ano têm sido revisadas para baixo. Essa avaliação vai ao encontro da afirmação já feita pelo BC de que a crise vai se arrastar por mais dois anos. O mesmo relatório destaca de maneira inédita que economias emergentes sofrem cada vez mais o impacto da crise na Europa e Estados Unidos.

"Prevalece uma visão de recuperação em 2013, mas a intensidade dessa recuperação tem sido revista para baixo", disse o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, ao apresentar o Relatório Trimestral de Inflação.

Para chegar a sua nova estimativa de crescimento em 2012, o BC cortou pela metade sua projeção para a expansão da indústria, que passou a ser de 1,9%. Também diminuiu a previsão para o setor de serviços para 2,8%.

No caso da agricultura, a revisão foi mais drástica, já que passou de uma alta de 2,5% para uma retração de 1,5%.

Parcimônia. Apesar de avaliar que a atividade perdeu força, o BC diz que a política de corte dos juros continuará sendo conduzida com "parcimônia", pois várias medidas de estímulo econômico ainda terão efeito, neste e no próximo ano. Para vários analistas, parcimônia significa cortes de 0,50 ponto porcentual da Selic nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). A divulgação da nova previsão derrubou os juros no mercado, devido à aposta de que a taxa básica deve cair dos atuais 8,5% para 7,5% ao ano.

A visão do BC não é, no entanto, unanimidade na equipe econômica e despertou críticas. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, disse que o crescimento em 2012 será maior que no ano passado. Afirmou ainda que o número do BC "não é um dado que possa se tomar como sendo preciso e certo", pois não leva em conta todos os estímulos do governo para a economia. O Estado apurou ainda que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ficou preocupado com a previsão, mas avalia que é possível crescer mais.

Preços. O Banco Cental também revisou para baixo a projeção para a inflação em 2013, de 5,2% para 5,0%, e avalia que o índice de preços ao consumidor vai ficar praticamente nesse nível no primeiro semestre de 2014.

A expectativa para 2012, porém, foi revisada para cima. Em março, a previsão era de um IPCA abaixo da meta (4,4%) em 2012. A alta do dólar, no entanto, levou o BC a elevar a projeção para 4,7%. Apesar do aumento, se confirmado, será o melhor resultado para a inflação nos últimos três anos.

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