Kazuhiro Nogi/AFP
Kazuhiro Nogi/AFP

Mercados internacionais fecham sem sentido único com PIB da China, covid-19 e estímulos nos EUA

Na Ásia, os mercados fecharam em alta, mas China caiu com o resultado abaixo do esperado do PIB; nos EUA, impasses em torno das medidas de incentivo derrubaram as bolsas

Sergio Caldas e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2020 | 07h20
Atualizado 19 de outubro de 2020 | 19h56

As Bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira, 19, reagindo a expectativas de que haja uma vacina para o novo coronavírus antes do fim do ano e de olho na possibilidade de novos estímulos nos EUA - que acabou por se degradar no final da tarde. Os mercados chineses, porém, ficaram no vermelho após o Produto Interno Bruto (PIB) da segunda maior economia do mundo crescer menos do que se esperava no último trimestre. Europa e Nova York também fecharam em queda. 

Nesta segunda, a economia da China registrou expansão de 4,9% no terceiro trimestre, na comparação anual, após subir 3,2% no segundo trimestre deste ano ante igual período de 2019. As informações foram divulgadas neste domingo, 18, pelo Escritório Nacional de Estatísticas chinês. O resultado veio abaixo da mediana das projeções coletadas pelo jornal The Wall Street Journal, de alta de 5,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento na comparação com o trimestre anterior foi de 2,7%. Nos primeiros nove meses do ano, o PIB chinês registra avanço de 0,7% em relação a igual período de 2019.

Pela manhã, investidores viam com bons olhos as chances de os EUA lançarem novos estímulos após a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, dizer no domingo que está esperançosa de chegar a um acordo sobre um novo pacote fiscal com a Casa Branca, apesar de "pequenas divergências". O cenário positivo, no entanto, se degradou na tarde desta segunda, após Pelosi citar "discordâncias na linguagem" sobre o pacote. A deputada também disse que os dois lados ainda têm diferenças a resolver, incluindo na legislação sobre o programa de testes para o coronavírus.

Após o fechamento do mercado, um porta-voz da democrata informou que Pelosi e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, conversaram por telefone durante 53 minutos hoje e voltarão a negociar nesta terça-feira, 20, quando a presidente da Câmara espera ter uma definição sobre a possibilidade de um pacote fiscal ser aprovado no Congresso antes das eleições  de 3 

de novembro. "Nessa ligação, eles continuaram a estreitar suas diferenças", escreveu Drew Hammill em sua conta oficial no Twitter. 

Bolsas da Ásia

O apetite por risco também ganhou força na Ásia após a Pfizer anunciar, na última sexta-feira, 16, que poderá solicitar autorização de uso emergencial de sua possível vacina para o coronavírus até o fim de novembro. A gigante farmacêutica americana está desenvolvendo a vacina em parceria com a alemã BioNTech.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 1,11% em Tóquio, enquanto o Hang Seng avançou 0,64% em Hong Kong,  o sul-coreano Kospi se valorizou 0,22% em Seul e o Taiex registrou ganho de 1,24% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana seguiu o viés majoritário da Ásia e ficou no azul. O S&P/ASX 200 avançou 0,85% em Sydney.

Já na China continental, as Bolsas se enfraqueceram após dados mostrarem que o PIB do país teve expansão anual de 4,9% no terceiro trimestre, menor do que o acréscimo de 5,3% esperado por analistas, ainda que números de produção industrial e de vendas no varejo tenham surpreendido positivamente em setembro. O Xangai Composto recuou 0,71% e o menos abrangente, Shenzhen Composto, teve perda similar, de 0,70%.

Bolsas da Europa 

No velho continente, o temor frente a uma segunda onda do vírus segurou os ganhos do mercado europeu, principalmente após a Itália endurecer as medidas de isolamento nesta segunda. Antes, França, Portugal, Reino Unido e Alemanha já haviam tomado decisões similares. Além disso, as dificuldades na busca por um acordo no Brexit, como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeiatambém continuaram no radar. Os dois blocos ainda não fecharam como será o futuro da relação comercial, após a separação, e a incerteza tem influenciado. 

Com isso, o Stoxx 600 fechou em baixa de 0,28%, enquanto a bolsa de Londres cedeu 0,69%. Já Paris caiu 0,13%, enquanto Frankfurt recuou 0,42%. Milão e Lisboa tiveram baixas de 0,08% e 0,23% cada, enquanto Madri foi na contramão e fechou com ganho de 0,15%. 

Bolsa de Nova York

O impasse por novos estímulos derrubou o mercado acionário dos EUA. Por lá, Dow Jones caiu 1,44%, S&P 500 recuou 1,63% e o Nasdaq cedeu 1,65%. "Continuamos a ver um acordo de estímulo pré-eleitoral como improvável, mas as manchetes podem mover os mercados antes do prazo auto-imposto de terça à noite", dizem analistas do Citigroup.

No S&P 500, os setores que lideraram as perdas foram o de energia, com baixas de 2,1%, o de tecnologia, com 1,87% e o de serviços  de comunicação, com 1,87%. As ações da Chevron recuaram 2,21%, as da Apple caíram 2,55% e as da Amazon cederam 2,00%. Em Washington, republicanos e democratas debateram hoje, no Congresso, possíveis regulamentações antitruste para conter o poder das grandes empresas de tecnologia. 

Petróleo 

Pesou para o mercado de petróleo nesta segunda, o comunicado da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+). O comitê da entidade alertou que a recuperação econômica desacelerou, o que pode afetar a demanda pela commodity. Além disso, com o avanço da covid-19 na Europa e nos Estados Unidos, a organização aumentou o alerta para a possibilidade de novos lockdowns ao redor do planeta. Com isso, o WTI para novembro fechou em queda de 0,15%, a US$ 41,06 o barril, enquanto o Brent para dezembro teve baixa de 0,72%, a 42,62 o barril./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.