Tingshu Wang/ REUTERS
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PIB da China cresce 4,9% no 3º trimestre com retomada do consumo

Número veio abaixo das projeções de analistas do mercado, mas confirma tendência de recuperação econômica depois de o país conseguir controlar a covid-19

Keith Bradsher, The New York Times

19 de outubro de 2020 | 08h07
Atualizado 19 de outubro de 2020 | 22h35

PEQUIM - Enquanto a maior parte do mundo ainda luta com a pandemia do coronavírus, a China está mostrando novamente que uma rápida recuperação econômica é possível quando o vírus é controlado com firmeza. A economia chinesa teve crescimento de 4,9% no trimestre de julho a setembro em comparação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com anúncio nesta segunda-feira, 19, do Gabinete Nacional de Estatísticas. 

O sólido desempenho quase devolve a China ao ritmo de crescimento de aproximadamente 6% observado no país antes da pandemia.

Muitas das principais economias do mundo emergiram rapidamente das profundezas de uma contração no segundo trimestre do ano, quando as quarentenas provocaram uma queda acentuada na produção. Mas a China é a primeira a anunciar um crescimento que ultrapassa significativamente o momento em que o país se encontrara no mesmo período do ano passado. Os Estados Unidos e outros países também devem anunciar uma melhoria expressiva no terceiro trimestre, mas ainda não alcançaram os patamares anteriores à pandemia.

A vantagem da China na liderança pode se ampliar nos próximos meses. O país praticamente interrompeu a transmissão local do vírus, enquanto EUA e Europa se veem diante de uma nova e cada vez mais rápida onda de casos.

A vigorosa expansão da economia chinesa significa que ela deve dominar o mercado global – respondendo por pelo menos 30% do crescimento econômico mundial neste ano e nos seguintes, disse Justin Lin Yifu, assessor do gabinete e reitor honorário da Faculdade Nacional de Desenvolvimento da Universidade de Pequim, em recente coletiva do governo na capital.

As empresas chinesas compõem uma fatia cada vez maior das exportações mundiais, produzindo eletrônicos para o consumidor, equipamento de proteção pessoal e outros artigos em alta demanda durante a pandemia. Ao mesmo tempo, a China agora compra mais minério de ferro do Brasil, mais milho e carne suína dos EUA e mais azeite de dendê da Malásia. Em parte, isso reverteu uma queda acentuada no valor das commodities no segundo trimestre e amenizou o impacto da pandemia em algumas indústrias.

Ainda assim, a recuperação da China ajudou menos do que no passado a recuperação global porque suas importações não acompanharam a acelerada expansão das exportações. Esse padrão criou empregos no país, mas freou o crescimento em outros lugares.

A recuperação econômica da China também depende há meses de grandes investimentos em estradas, linhas ferroviárias de alta velocidade e outros projetos de infraestrutura. E, nas semanas mais recentes, o país viu o início de uma recuperação no consumo doméstico.

Os mais ricos e os habitantes de províncias litorâneas voltadas para a exportação foram os primeiros a voltar a gastar. Mas agora a atividade está voltando até a lugares como Wuhan, cidade no centro da China onde o novo coronavírus foi detectado pela primeira vez.

A recuperação cada vez mais ampla da China também pode ser observada nas estatísticas econômicas de setembro. No mês passado, o varejo teve alta de 3,3% nas vendas em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a produção industrial teve alta de 6,9%.

Vulnerabilidade

A recuperação da China também é acompanhada por algumas fraquezas, em especial uma alta no endividamento geral este ano por uma razão de 15% a 25% da produção total da economia. Boa parte do endividamento adicional corresponde a empréstimos tomados pelos governos locais e empresas estatais para pagar pelos novos projetos de infraestrutura, ou hipotecas absorvidas por lares e empresas para pagar por novos apartamentos e edifícios.

O governo conhece os riscos de permitir que o endividamento se acumule rapidamente. Mas, se o novo crédito for contido agora, isso afetará a atividade imobiliária, setor que representa até um quarto da economia do país.

Outro risco para a recuperação da China é sua forte dependência em relação às exportações. A alta nas vendas externas no terceiro trimestre respondeu por uma grande parcela do crescimento econômico, uma das maiores já observadas para um trimestre nos últimos dez anos. As exportações representam mais de 17% da economia da China, quase o dobro da proporção que representam da economia americana. As lideranças da China reconhecem que as exportações do país são cada vez mais vulneráveis às tensões geopolíticas, incluindo as jogadas do governo Trump para perturbar as relações comerciais entre EUA e China. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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