Kim Kyung-Hoon/Reuters
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Economia da China cresce abaixo dos 7% pela primeira vez desde a crise global

Produto Interno Bruto no terceiro trimestre cresceu 6,9% em comparação ao mesmo período do ano passado, afetado, principalmente, pela desaceleração do investimento; desempenho foi ligeiramente melhor do que a expectativa de alta de 6,8%

Sérgio Caldas, da Agência Estado, e Reuters

19 de outubro de 2015 | 07h27

(Atualização às 20h55)

A economia da China registrou no terceiro trimestre crescimento econômico abaixo de 7% pela primeira vez desde a crise financeira global, afetada em parte pela desaceleração do investimento, o que aumenta a pressão sobre Pequim para cortar mais a taxa de juros e adotar outras medidas para impulsionar a atividade.

O Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu 6,9% no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas do país.  

Os dados sugerem que a série de medidas do governo para apoiar a atividade econômica não foram suficientes para evitar a desaceleração da economia. Ainda assim, o crescimento ficou acima da previsão dos analistas do mercado, que era de 6,8%. Na comparação com o trimestre anterior, o crescimento foi de 1,8%, expansão mais forte do que a registrada entre abril e junho, quando a China cresceu 1,7%. 

A produção industrial e os investimentos em ativos fixos do gigante asiático avançaram menos do que o esperado, enquanto as vendas no varejo vieram em linha com as expectativas. As vendas no varejo aceleraram para 10,9%, ante expectativa de 10,8% e alta de 10,8% no mês anterior. A expansão da produção industrial também desacelerou mais do que o esperado para 5,7%, ante a expectativa de analistas de 6,0% na comparação anual após avanço de 6,1% no mês anterior.

Além disso, as vendas de moradias na China cresceram em ritmo mais lento entre janeiro e setembro, de 18,2%, após subirem 18,7% no ano até agosto. O crescimento do investimento em ativo fixo desacelerou para 10,3% no período entre janeiro e setembro em relação ao mesmo período do ano anterior, abaixo da expectativa de 10,8% e ante 10,9% no mês anterior.

Alguns analistas esperam que a desaceleração no terceiro trimestre possa ser o ponto mais baixo para 2015 já que uma série de medidas de estímulo entram em vigor nos próximos meses, mas dados mensais fracos para setembro colocam esse otimismo em xeque.

“Conforme o crescimento desacelera e o risco de deflação aumenta, reiteramos que a China precisa reduzir a taxa de compulsório em mais 0,50 ponto porcentual no quarto trimestre”, escreveram economistas do ANZ Bank em nota.

Gastos do governo. A China manteve os esforços de ampliar os gastos fiscais em setembro, como parte de uma ampla estratégia para estimular o crescimento da segunda maior economia do mundo.

Dados do Ministério de Finanças chinês mostram que os gastos fiscais subiram 26,9% em setembro ante igual mês do ano passado, a 1,78 trilhão de yuans (US$ 281,3 bilhões), após avançarem 25,9% na comparação anual de agosto.

Entre janeiro e setembro, os gastos fiscais do governo avançaram 16,4%, a 12,07 trilhões de yuans. A receita fiscal da China, por sua vez, teve aumento anual de 9,4% em setembro, a 1,09 trilhão de yuans, após crescer em ritmo mais lento em agosto, de 6,2%.

Projeções oficiais. A economia chinesa vai manter crescimento estável no quarto trimestre deste ano e em 2016, abaixo da meta anual do governo, de 7%, afirmou Sheng Laiyun, porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas do país, durante coletiva de imprensa. Segundo Sheng, é normal que ocorram flutuações na economia, mas a tendência geral é de que não haja mudança no crescimento estável do gigante asiático.

Sheng também comentou que o Acordo de Parceria do Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), histórico acordo de comércio fechado recentemente entre os EUA, o Japão e outros dez países na orla do Pacífico, poderá ter algum impacto na China, mas não deverá ter grande influência no curto prazo.

Para Sheng, o TPP - que envolve países responsáveis por 40% do PIB mundial - deverá exercer alguma pressão sobre as exportações chinesas. O porta-voz acrescentou, no entanto, que o acordo gera uma ótima oportunidade para a China reestruturar sua economia e promover melhorias em sua indústria. O governo chinês também está tomando iniciativas, como buscar acordos de livre comércio bilaterais, acrescentou Sheng.

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