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PIB da China desacelera e crescimento cai para 4% no quarto trimestre de 2021

Resultado representa uma desaceleração sobre o crescimento de 4,9% no terceiro trimestre, influenciado pela demanda mais fraca no setor de construção civil

Redação, The New York Times

17 de janeiro de 2022 | 08h41

PEQUIM - A economia da China desacelerou nos últimos três meses do ano passado, após as medidas governamentais para limitar a especulação imobiliária também prejudicarem outros setores. Bloqueios e restrições a viagens para conter o coronavírus também reduziram os gastos dos consumidores. Uma regulamentação mais rigorosa sobre empresas de internet e educação também desencadeou uma onda de demissões. 

O Escritório Nacional de Estatísticas da China disse nesta segunda-feira, 17, que o Produto Interno Bruto (PIB) de outubro a dezembro foi apenas 4% maior do que no mesmo período de 2020. Isso representou uma desaceleração em relação ao crescimento de 4,9% no terceiro trimestre, de julho a setembro. 

O crescimento foi puxado pelas exportações, impulsionadas pela maior demanda mundial por eletrônicos, móveis e outros produtos domésticos durante a pandemia. Isso fez a China registrar exportações recordes, impedindo que seu crescimento estagnasse. 

Ao longo do ano passado, o PIB da China foi 8,1% maior do que em 2020, segundo o governo, mas grande parte do crescimento ocorreu no primeiro semestre do ano passado. 

O retrato da economia da China, principal locomotiva do crescimento global nos últimos anos, aumenta as expectativas de que as perspectivas econômicas mundiais mais amplas estão começando a diminuir. Para piorar a situação, a variante Ômicron do coronavírus está começando a se espalhar na China, levando a mais restrições em todo o país e aumentando o medo de novas interrupções nas cadeias de suprimentos. 

A desaceleração da economia representa um dilema para os líderes da China. As medidas que eles impuseram para combater a desigualdade de renda e controlar as empresas fazem parte de um plano de longo prazo para proteger a economia e a segurança nacional. Mas as autoridades temem causar instabilidade econômica de curto prazo, principalmente em um ano de importância política incomum. 

No próximo mês, a China sediará os Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim. No segundo semestre, Xi Jinping, líder da China, deve reivindicar um terceiro mandato de cinco anos em um congresso do Partido Comunista. Com o crescimento em seu país desacelerando, a demanda diminuindo e a dívida ainda em níveis quase recordes, Xi pode enfrentar alguns dos maiores desafios econômicos desde que Deng Xiaoping começou a tirar o país de sua camisa de força maoísta, quatro décadas atrás. 

“Temo que o desenvolvimento da economia da China nos próximos anos possa ser relativamente difícil", disse Li Daokui, economista e conselheiro do governo chinês, em um discurso no final do mês passado. “Olhando para os cinco anos como um todo, pode ser o período mais difícil desde nossa reforma e abertura há 40 anos.” 

A China também enfrenta o problema do envelhecimento rápido, o que pode criar um fardo ainda maior para a economia chinesa e sua força de trabalho. O Escritório Nacional de Estatísticas disse na segunda-feira que a taxa de natalidade da China caiu acentuadamente no ano passado e agora é pouco superior à taxa de mortalidade.

Setor privado

À medida que os custos de muitas matérias-primas aumentaram e a pandemia levou alguns consumidores a ficar em casa, milhões de empresas privadas desmoronaram, a maioria delas pequenas e familiares. 

Essa é uma grande preocupação porque as empresas privadas são a espinha dorsal da economia chinesa, respondendo por três quintos da produção e quatro quintos do emprego urbano. 

A construção e as reformas de novas casas representaram um quarto da economia da China. No fim do ano passado, o setor vacilou. O governo quer limitar a especulação e esvaziar uma bolha que tornou as novas casas inacessíveis para famílias jovens. O caso da incorporadora Evergrande, em dificuldades financeiras, é apenas o maior e mais visível de uma longa lista de empresas imobiliárias na China que têm enfrentado graves dificuldades financeiras recentemente. 

À medida que as empresas tentam economizar dinheiro, estão iniciando menos projetos de construção. E isso tem sido um grande problema para a economia. O preço das barras de aço para concreto em torres de apartamentos, por exemplo, caiu um quarto em outubro e novembro, antes de se estabilizar em um nível muito mais baixo em dezembro. 

O declínio nos preços das casas em cidades menores prejudicou o valor dos ativos das pessoas, o que, por sua vez, as tornou menos dispostas a gastar. Mesmo em Xangai e Pequim, os preços dos apartamentos não estão mais subindo.

Exportações 

A forte demanda externa por exportações da China, principalmente bens de consumo, estimulou uma onda nacional de investimentos em novas fábricas, com alta de 13,5% no ano passado em relação a 2020. 

Alguns segmentos de consumo foram bastante robustos, principalmente o setor de luxo, com carros esportivos e joias vendendo bem. As vendas no varejo se recuperaram 12,5% no ano passado em comparação com os níveis deprimidos pela pandemia em 2020. 

Mas as vendas no varejo caíram em dezembro em relação a novembro, pois as restrições do coronavírus mantiveram alguns consumidores em casa. 

Poucos analistas esperam que o governo permitirá uma severa recessão econômica este ano, antes do Congresso do Partido Comunista. Economistas esperam que o governo suavize suas restrições aos empréstimos e intensifique os gastos públicos. “A primeira metade do ano será desafiadora”, disse Zhu Ning, vice-reitor do Instituto Avançado de Finanças de Xangai. “Mas então o segundo tempo verá um rebote.” 

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