PIB da China passará o dos EUA em cinco anos

Apesar das divergências, conexão entre as duas economias continuará elevada

Denise Chrispim Marin, O Estado de S. Paulo

31 de maio de 2014 | 15h57

PEQUIM - A China vai superar os Estados Unidos como maior economia do mundo a partir de 2019. Nas estimativas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês alcançará US$ 22,4 trilhões, medido pela paridade de poder de compra (PPP), e será US$ 300 bilhões maior do que o americano. Cálculo da Moody’s divulgado em maio, e que usa os mesmos critérios, espera que a liderança chinesa ocorra em prazo mais curto, até o fim de 2014.

A disputa entre Pequim e Washington na seara econômica, assim como na esfera geopolítica, oculta dependência mútua. Para Otaviano Canuto, conselheiro do Banco Mundial, a ascensão da China ao topo do ranking econômico pouco diz. O PIB per capita, indicador do padrão de vida e do poder de consumo, continuará baixo. Apesar do aumento gradual da renda per capita, cada americano terá quatro vezes mais dinheiro do que um chinês em 2019. “A economia da China não será mais importante do que a dos EUA se não contar com um mercado tão atrativo quanto o americano”, disse.

A China, porém, tem inquestionável importância em Washington. Graças a seu volume de reservas, tornou-se o maior comprador de títulos do Tesouro dos EUA. Até outubro, tinha US$ 1,3 trilhão desses papéis. Com isso, permitiu o financiamento do déficit público americano e a política de juros próximos a zero. O comércio bilateral, motivado pela demanda aquecida na América até a crise de 2008, cresceu de US$ 5 bilhões, em 1980, para US$ 536 bilhões, em 2012.

Em 2013, os EUA registraram déficit de US$ 318,4 bilhões no comércio bilateral. No primeiro trimestre deste ano, somaram US$ 69,1 bilhões. Segundo o Congressional Research Service, de Washington, a mudança do eixo da economia chinesa da exportação para o consumo deverá abrandar esse déficit. Como a demanda da China por alimentos vai crescer, os EUA esperam ajuste no câmbio do yuan e redução de tarifas de importação.

Em busca de custos menores de produção, companhias americanas hoje mantêm de US$ 50 bilhões a US$ 70 bilhões na China, sobretudo em setores intensivos em mão de obra. Mas tendem a frear esse fluxo por causa do aumento dos salários e do transporte marítimo. A mão contrária surgiu nos últimos anos. O investimento produtivo chinês nos EUA saltou de US$ 1,9 bilhão, em 2007, para US$ 17,1 bilhões, em 2012.

Energia. Um dos pontos críticos entre Washington e Pequim é a energia. Enquanto os EUA estão relativamente confortáveis graças à exploração de gás e óleo de xisto, a China continua em busca de fontes para alavancar seu crescimento.

O país é o maior consumidor mundial de energia desde 2009, e vai demandar 70% mais energia do que os EUA em 2035. Vem construindo cidades verdes, apostando em fontes renováveis e investindo em grandes projetos, como o parque eólico de Guam e a hidrelétrica de Três Gargantas.

China e EUA assinaram acordo de cooperação técnica para exploração do gás e óleo de xisto em 2013. Os chineses vivem sobre a maior reserva mundial desse recurso, estimada em 1,1 trilhão de pés cúbicos. Como está na zona árida do oeste, a China precisa da tecnologia de extração sem uso de água.

Os EUA estão mais avançados nesses estudos. Na semana passada, porém, a China ignorou as sanções dos EUA e da Europa sobre a Rússia, por causa da crise da Ucrânia-Crimeia, e fechou contrato de US$ 50 bilhões com Moscou para a compra de gás natural.

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