PIB da China surpreende no 4o tri, permitindo aperto

A China encerrou 2010 com uma surpresa ao ver seu crescimento econômico superar previsões e a inflação desacelerar menos que o esperado, números que podem levar o governo a intensificar o aperto monetário.

AILEEN WANG E KEVIN YAO, REUTERS

20 de janeiro de 2011 | 08h15

Evidências de um crescimento robusto podem dar às autoridades confiança para adotar mais medidas agressivas, como restrições ao crédito e elevações de juros, com o objetivo de combater as pressões inflacionárias. Os preços cada vez mais altos de alimentos registrados nas últimas semanas sugerem que a inflação subirá nos próximos meses.

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China acelerou para 9,8 por cento no quarto trimestre de 2010 em relação ao igual período do ano anterior, ante 9,6 por cento no terceiro trimestre, informou a Agência Nacional de Estatísticas nesta quinta-feira.

Em 2010 como um todo, a expansão econômica acelerou para 10,3 por cento, comparado a 9,2 por cento em 2009.

Enquanto o presidente chinês, Hu Jintao, faz uma visita oficial aos Estados Unidos, os números do PIB servem como lembrete de que, apesar da controvérsia em torno do superávit comercial da China, sua economia está longe de depender apenas de exportações.

O investimento e o consumo domésticos contribuíram com 9,5 pontos percentuais para o crescimento do ano passado, enquanto as exportações líquidas contribuíram com apenas 0,8 ponto.

Os preços ao consumidor no país subiram 4,6 por cento em dezembro sobre o mesmo mês do ano anterior, desacelerando após a máxima em 28 meses de novembro, quando houve alta de 5,1 por cento.

Outros dados divulgados, de indústria a investimento, mostraram que a segunda maior economia não está superaquecendo, apesar da aceleração do crescimento.

A produção industrial subiu 13,5 por cento em dezembro sobre o mesmo mês de 2009, ante estimativa de 13,4 por cento.

A formação bruta de capital fixo, uma medida dos investimentos, cresceu 24,5 por cento em 2010 sobre 2009, levemente abaixo da previsão do mercado de 24,9 por cento.

As vendas no varejo em dezembro subiram 19,1 por cento sobre o ano anterior, ante estimativa do mercado de 18,6 por cento.

INFLAÇÃO E MAIS APERTO MONETÁRIO

As oscilações semanais dos preços de alimentos indicam um declínio na pressão inflacionária de dezembro, mas muitos analistas acreditam que o possível esfriamento da inflação será temporário.

Os dados de dezembro mostraram uma desaceleração clara nas pressões inflacionárias, com a inflação mensal diminuindo de 1,1 por cento para 0,5 por cento.

Mas as pressões podem voltar em janeiro, pois o inverno rigoroso deve contribuir com um aumento da demanda e o feriado do Ano Novo lunar será mais cedo neste ano.

A China elevou o depósito compulsório bancário sete vezes desde o começo do ano passado. O último acréscimo entra em vigor nesta quinta-feira. Porém, o país subiu as taxas de juros apenas duas vezes nesse período, e alguns analistas advertem que medidas mais fortes são necessárias.

O governo chinês ainda discute a extensão dos controles de crédito, e notícias recentes indicam que Pequim deve impor um teto menor que o esperado sobre a concessão de empréstimos por bancos.

Economistas em uma pesquisa da Reuters viram duas elevações de juros no primeiro semestre de 2011.

A apreciação do iuan também é outra ferramenta potencial de Pequim no aperto monetário.

Analistas estimam que o iuan subirá apenas 5 por cento neste ano, e o presidente Hu disse que a inflação dificilmente será o principal fator na determinação da taxa de câmbio.

(Reportagem adicional de Langi Chiang, Zhou XIn e Koh Gui Qing)

Tudo o que sabemos sobre:
MACROCHINACONSOLIDA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.