Paul Yeung/WashingtonPost/Bloomberg
Paul Yeung/WashingtonPost/Bloomberg

PIB da China tem alta anual de 7,9% no 2º trimestre, em linha com expectativa do mercado

No entanto, número aponta para uma desaceleração da recuperação da segunda maior economia do mundo, para um patamar pré-pandemia

Eduardo Gayer e Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2021 | 00h02

O Produto Interno Bruto (PIB) da China registrou alta anual de 7,9% no segundo trimestre de 2021, segundo dados publicados na noite de quarta-feira, 14, pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês). Além dele, outros indicadores sobre a economia do país asiático também foram divulgados. Nenhuma leitura frustrou o mercado, com a maioria superando a expectativa. No entanto, elas mostram uma desaceleração no processo de retomada da economia chinesa, após o choque causado pela covid.

O resultado do PIB, por exemplo, veio em linha com o esperado por analistas do The Wall Street Journal. Na comparação com o trimestre anterior, o PIB chinês mostrou avanço de 1,3% entre abril e junho e, no primeiro semestre deste ano, a expansão do indicador foi de 12,7%. Porém, nos três primeiros meses do ano, o avanço do PIB chinês foi de 18,3%, em relação a igual período do ano passado.

Segundo o NBS, a economia da China continua com uma "recuperação estável" na primeira metade do ano. Porém, o órgão alertou que ainda existem "muitas incertezas externas e a recuperação interna é desigual. São necessários esforços para consolidar as bases para uma recuperação e um desenvolvimento estáveis”, acrescentou.

O resultado também decepcionou os especialistas, que o veem como um sinal de perda de fôlego do processo de recuperação da segunda maior economia do mundo. "A trajetória de crescimento da China está voltando ao normal no pós-pandemia, com o governo mais uma vez tendo que equilibrar o imperativo de manter um forte crescimento com a mitigação dos riscos financeiros", disse Eswar Prasad, professor de economia e comércio da Universidade Cornell.

Nas últimas semanas, alguns sinais dados pelo governo chinês têm reforçado a tese de que a recuperação econômica do país no pós-pandemia pode diminuir. Entre eles, o Banco Popular da China (PBoC, o banco central chinês) cortou as exigências de reserva para os bancos na semana passada, movimento que visa estimular a economia, ao permitir que mais dinheiro circule em vez de ficar parado no sistema bancário.

"A China está enfrentando um crescimento mais lento na segunda metade do ano, mas isso pode não ser uma coisa ruim", disse Andy Xie, um economista independente baseado em Xangai. Vale lembrar que em 2020, a economia chinesa foi uma das poucas a registrar crescimento mesmo em meio à pandemia, com uma alta de 2,3%.

Além disso, o cenário ainda é positivo para a China. Depois de aumentar sua taxa de vacinação nos últimos meses, as autoridades chinesas anunciaram esta semana que metade da população do país foi vacinada contra a covid, segundo a mídia local. A economia doméstica em grande parte voltou à operação normal, embora as autoridades tenham mantido controles estritos nas fronteiras, com três semanas de quarentena exigidas para os viajantes que chegam.

Atividade econômica

Outros dados também foram divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas. A produção industrial do país registrou alta anual de 8,3% em junho, a taxa de expansão representa uma desaceleração ante os 8,8% registrados em maio, na mesma base de comparação. Contudo, o número veio acima das projeções do The Wall Street Journal, cujo consenso era de avanço de 7,8%. Na comparação mensal, o indicador subiu 0,56%, após 0,52% em maio.

A taxa de desemprego no período foi de 5%, contra 5,3% no final do primeiro trimestre deste ano. Já o desemprego entre pessoas de 16 e 24 anos subiu de 13,6% para 15,4%. 

Já as vendas no varejo chinês registraram salto anual de 12,1% no mês passado. Novamente, a leitura superou a expectativa de analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal, que projetavam avanço de 10,9%. Na comparação mensal, o indicador mostrou variação positiva de 0,7% no mês passado.

No setor financeiro, os investimentos em ativos fixos do país tiveram alta de 12,6% no acumulado de janeiro a junho ante igual período de 2020. O crescimento também ficou além da previsão de economistas consultados pelo The Wall Street Journal, que esperavam expansão de 12,1%. /COM INFORMAÇÕES DO DOW JONES NEWSWIRES, WASHINGTON POST E AFP

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