PIB da construção civil cairá 8% em 2015, diz Sinduscon

Sindicato também prevê retração de 5% na receita em 2016; crise política e econômica trava obras e investimentos no País

Lucas Hirata, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2015 | 09h39

O Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) estima uma retração de 8% no Produto Interno Bruto (PIB) da construção em 2015 e uma contração de 5% para 2016. De acordo com o grupo, a crise política e a ausência de novos investimentos públicos e privados terão grande impacto na atividade do setor.

“A indústria da construção é favorável a uma resolução rápida da crise política, fundamental para a retomada das medidas destinadas ao ajuste fiscal e à consequente manutenção do grau de investimento”, afirma o presidente da entidade, José Romeu Ferraz Neto. “Mas queremos simultaneamente a adoção de medidas que abreviem a recessão e levem à retomada do crescimento”, acrescentou.

A coordenadora de projetos IBRE/FGV, Ana Maria Castelo, explicou, ao detalhar as tendências por segmento, que a atividade no mercado imobiliário não deve voltar ao terreno positivo em 2016, diante do cenário macroeconômico de desemprego, inflação e queda na confiança do consumidor. “Ainda não é possível pensar na retomada do mercado imobiliário” em 2016, disse, ao indicar que o segmento deve ter retração maior que infraestrutura.

Já em relação à infraestrutura, o cenário é mais nebuloso e depende do desenvolvimento de impasses políticos. Inicialmente, a perspectiva é negativa e não deve ter recuperação, mas não se sabe como será o cronograma de obras para o ano que vem, disse Ana Maria Castelo.

Em 2015, o segmento de infraestrutura teve uma forte queda. A Operação Lava Jato e os efeitos nos investimentos de grandes empresas, como Petrobrás, foram alguns dos principais motivos para o enfraquecimento da infraestrutura. De acordo com a pesquisadora, a redução de investimentos da estatal, que tem afetado a própria empresa e fornecedores, ainda deve prejudicar os resultados de 2016. Do lado positivo, ela enxerga um movimento a favor de uma melhora na governança.

Cenários. A maioria dos empresários da construção civil espera uma melhora no cenário econômico apenas em 2017, de acordo com levantamento feito pelo Sinduscon-SP. Caso a questão política seja resolvida e as reformas das contas públicas comecem a ser aplicadas, já é possível pensar num cenário melhor em 2017, afirmou Ferraz Neto. Ele explicou que juros mais baixos e medidas de ajuste fiscal são necessário para isso.

Os empresários apontaram na sondagem do Sinduscon a necessidade de novos estímulos governamentais para a retomada da economia. De acordo com dirigentes da entidade, são poucas as expectativas de contratação em 2016 na faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, que é um segmento que obtém recursos da União. Já outras faixas que usam o Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS) como fonte de capital têm operado de maneira e eficiente.

O presidente do Sinduscon diz que é fundamental atrair capital privado para novas concessões, indispensável para prosseguir com o Minha Casa Minha Vida e Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e ampliar a captação de recursos para financiamento imobiliário.

O dirigente apontou que há uma série de ferramentas alternativas, como Letra de Crédito Imobiliário (LCI), debêntures e securitização, que poderiam ajudar a captação de recursos. No entanto, com os juros elevados, não é possível acessá-los.

Emprego. Entre 2014 e 2015, o setor perdeu mais de 780 mil postos de trabalho. A expectativa é fechar o ano com o corte de 557 mil vagas, sendo 94 mil apenas no Estado de São Paulo. Em outubro, a construção civil brasileira já acumulava a perda de 508,2 mil empregos nos últimos 12 meses, de acordo com pesquisa do Sinduscon-SP, com base em informações do Ministério do Trabalho e do Emprego. A entidade acredita que o emprego pode ter nova queda em 2016, no patamar de 5,5% a 6% ou cerca de 200 mil vagas.

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