PIB da Espanha recua no 2º trimestre

Queda de 0,4% ficou dentro das estimativas e reflete a nova rodada de medidas de austeridade adotada pelo governo de Mariano Rajoy

MADRI, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h08

A recessão na Espanha se aprofundou ainda mais no segundo trimestre, com uma nova rodada de austeridade anticrise na zona do euro impactando a demanda e os preços dos bens.

Os primeiros números oficiais sobre o Produto Interno Bruto (PIB) mostraram que a economia espanhola encolheu 0,4% no segundo trimestre em relação ao período anterior, depois de se contrair 0,3% nos três primeiros meses do ano. A economia também encolheu 1,0% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os números vieram dentro das estimativas.

Os preços ao consumidor, de acordo tanto com a metodologia espanhola quanto da União Europeia (UE), subiram 2,2% na base anual, com a alta harmonizada da UE acima das expectativas por causa do aumento dos preços dos remédios.

Economistas alertaram que as altas de preços, e especialmente um aumento de três pontos no imposto sobre valor agregado que vai entrar em vigor em setembro, vão distorcer os preços aos consumidores enquanto a recessão reflete a demanda doméstica mais lenta.

Isso vai enfraquecer ainda mais os esforços do governo do primeiro-ministro, Mariano Rajoy, para pôr a economia no caminho do crescimento de novo - vital para o país atingir as metas de redução do déficit orçamentário e suspender a crise do mercado inspirada em como o governo financiará sua dívida.

"Para acompanhar apropriadamente a realidade econômica da Espanha, eu olharia para a inflação do serviço doméstica, que é onde veremos estagnação e até pressões deflacionárias. O consumo continua bastante fraco", disse o economista do Intermoney José Carlos Diez.

A Espanha entrou na segunda recessão desde 2009 no primeiro trimestre deste ano e deve continuar encolhendo até 2013, uma vez que os consumidores e as empresas controlam os gastos e a crise da dívida da zona do euro prejudica a confiança do investidor.

Detalhes completos dos dados de crescimento da economia serão publicados em 28 de agosto, enquanto os dados finais de preço estarão disponíveis em 14 de agosto.

Socorro. Ainda ontem, em entrevista ao jornal espanhol Expansion, o presidente do Tesouro do país, Inigo Fernandez de Mesa, declarou que a Espanha não pedirá aos fundos europeus que comprem sua dívida, apesar de o país precisar que seus custos de empréstimo caiam.

Fernandez de Mesa disse também que o Tesouro vai emitir títulos da dívida em 2013 para as regiões que pediram ajuda financeira.

As 17 regiões autônomas da Espanha estão sem acesso aos mercados de capital, e muitas estão avaliando utilizar a linha de liquidez de 18 bilhões do governo central para ajudá-las a cumprir suas necessidades financeiras.

"Não está no programa da Espanha pedir para o fundo comprar dívida, de modo algum. Isso não aconteceu, e eu posso garantir que não vai acontecer", afirmou Fernandez de Mesa ao Expansion.

No sábado, o presidente do Eurogroupo (ministro de Finanças dos países da zona do euro), Jean-Claude Juncker, afirmou que os líderes decidirão em poucos dias quais medidas serão tomadas para diminuir os yields (retornos) dos títulos espanhóis, que atingiram na semana passada os maiores níveis desde a implementação do euro.

Fernandez de Mesa insistiu que os yields por volta de 7,o% da dívida de dez anos da Espanha não correspondem aos fundamentos da economia e acrescentou que espera ver uma correção em breve nos mercados.

Na semana passada, os custos de empréstimo da Espanha alcançaram o maior nível desde que o país adotou o euro, atingindo 7,64% para os títulos de dez anos. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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