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PIB da Europa deve apontar recuperação, dizem especialistas

Países exportadores, como a Alemanha, devem reagir antes do que países dependentes do consumo

Daniela Milanese, da Agência Estado,

12 de agosto de 2009 | 09h54

Depois de bater no fundo do poço no início deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro deve apontar uma recuperação, na avaliação de especialistas consultados pela Agência Estado. Apesar de o pior momento da crise já ter passado, a percepção é a de que a economia ainda patinará em razão da fraqueza do mercado interno, o que levanta questionamentos sobre a sustentabilidade da recuperação.

 

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Projeções apontam que o PIB deve ter recuado 0,4% no segundo trimestre em relação ao anterior, dado a ser divulgado amanhã (quinta-feira). Se confirmado, o número representará melhora significativa em relação ao tombo de 2,5% dos primeiros três meses do ano.

 

A chefe de pesquisas do Itaú Europa, Ana Esteves, acredita que as exportações e os investimentos, principais responsáveis pela severidade da recessão, devem se recuperar primeiro, enquanto o consumo tende a continuar pesando negativamente.

 

Consequentemente, os países mais ligados às vendas externas, como a Alemanha, reagirão antes do que as nações dependentes do consumo, como a Espanha.

 

O maior suporte para o PIB do segundo trimestre virá, entretanto, dos gastos públicos, já que os pacotes de estímulo dos governos vêm liderando o processo de retomada.

 

Indicadores econômicos recentes, como as encomendas na Alemanha e a produção industrial na França, evidenciam que a retração econômica está perdendo força, após um período prolongado de más notícias, aponta Luigi Speranza, do BNP Paribas.

 

Para o terceiro trimestre, ele acredita que o PIB conseguirá deixar finalmente o território negativo e subir 0,2%, pois se diz surpreso com uma reação mais forte do que o esperado.

 

Mas essa previsão ainda não é consensual. "A economia da zona do euro deve progressivamente melhorar, se bem que é mais provável que o crescimento apareça só no quarto trimestre", disse Ana, do Itaú Europa, que espera estabilidade para o período de julho a setembro.

 

O economista-chefe do UniCredit Group, Marco Annunziata, vê leve contração da atividade no segundo semestre ou desempenho igual a zero. Ele não descarta a possibilidade de surpresas positivas nos próximos meses, como a melhora do comércio externo, o que ajuda principalmente a Alemanha.

 

"O problema, no entanto, continua sendo a sustentabilidade do crescimento, pois as perspectivas para a demanda doméstica seguem fracas, em razão da alta do desemprego, enquanto e a valorização do euro limita o potencial das exportações", disse Annunziata.

 

Dessa forma, ele vê uma recuperação modesta em 2010, visão compartilhada por outros especialistas. Speranza, do BNP, aponta que a reconstrução dos estoques, um dos fatores que têm estimulado a retomada, é um processo transitório. Além disso, a desalavancagem no setor financeiro ainda está em curso e os bancos não se encontram em condições de financiar uma expansão sustentada.

 

É por isso que os analistas avaliam que o Banco Central Europeu (BCE) manterá os juros no atual piso histórico de 1% ao ano por um bom tempo. "O BCE não começará a subir os juros antes do terceiro trimestre do próximo ano", disse Ana, do Itaú Europa.

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