PIB da França recua 2,2% em 2009

PIB da França recua 2,2% em 2009

Mesmo com o resultado negativo, desempenho francês foi o melhor entre as maiores economias da União Europeia no ano passado

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2010 | 00h00

CORRESPONDENTE/ PARIS

A economia da França, a segunda maior da União Europeia, teve em 2009 seu pior desempenho desde o fim da 2.ª Guerra Mundial, em 1945. O recuo de 2,2% no Produto Interno Bruto (PIB) foi confirmado ontem, em Paris, pelo Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (Insee).

Apesar do índice pífio, a atividade resistiu melhor que em outras potências do bloco, como Alemanha e Reino Unido, e o desempenho no quarto trimestre aponta uma perspectiva positiva para este ano.

Os dados relativos ao último período de 2009 só foram divulgados de forma oficial ontem, embora projeções semelhantes tivessem sido publicadas em fevereiro.

Segundo cálculos do Insee, a economia do país cresceu 0,6% no quarto trimestre, 0,2% no terceiro e 0,3% no segundo ? quando se encerrou a recessão técnica no país.

A retomada tímida da atividade econômica, entretanto, foi insuficiente para apagar a queda do PIB do primeiro trimestre, que havia chegado a -1,3%.

"Na média do ano, o PIB recuou 2,2%, ou seja, a mais forte baixa do pós-guerra", confirmou o Insee em seu relatório.

Poder aquisitivo. Apesar dos dados macroeconômicos negativos, o poder aquisitivo dos franceses surpreendeu, crescendo em meio à crise.

Em 2009, a capacidade de consumo aumentou 2,1%, acelerando o ritmo de alta, que em 2008 havia aumentado 0,7%. Já a massa salarial se manteve estável no ano passado, mesmo com a onda de demissões na indústria.

"O dinamismo do poder aquisitivo é explicado por dois fatores: de um lado, os impostos sobre a renda e o patrimônio, em claro recuo, e de outro o aumento do volume de recursos empregados nos programas sociais, que cresceram 4,8% no ano passado", explicou o Insee.

Na França, a recessão foi interrompida mais cedo e foi menos severa que em outros países da Europa. A título de comparação, a Alemanha, maior economia do bloco, sofreu um revés de 4,9% em 2009, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

No Reino Unido, a estimativa é de que o recuo tenha sido tão grave quanto o alemão: 4,9%, de acordo com o escritório estatístico britânico (ONS).

Apesar da crise de endividamento e dos déficits acentuados, as previsões dos três países são melhores para 2010. Na França, o Insee projeta um crescimento de 1,4%. Na Alemanha, a expectativa é de crescimento de 1,2% do PIB neste ano.

No Reino Unido, a perspectiva de crescimento se situa entre 1% e 1,5%, de acordo com as últimas projeções reveladas pelo ministro de Finanças, Alistair Darling.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.