PIB da Grécia recua no 4º trimestre e Portugal fica estagnado

Países europeus fazem parte do grupo batizado de Piigs, que engloba nações com situações fiscais problemáticas

Economia & Negócios,

12 de fevereiro de 2010 | 12h46

O Produto Interno Bruto (PIB) de Grécia e Portugal, divulgado nesta sexta-feira, 12, comprovou que as duas economias europeias permanecem fragilizadas. Os países fazem parte do grupo de nações altamente endividadas batizadas de Piigs - Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha - e estão no centro do noticiário econômico.

 

O PIB da Grécia caiu 0,8% no quarto trimestre do ano passado, em comparação com o terceiro trimestre, quando havia registrado contração de 0,5%, informou o Serviço Nacional de Estatísticas. Em relação ao quarto trimestre de 2008, o PIB grego caiu 2,6%, depois do declínio de 2,5% no terceiro trimestre.

 

A atividade econômica na Grécia tem se desacelerado desde o começo de 2008, ano em que a economia cresceu a uma taxa de 2,9%, depois de ter registrado expansão de 4% em 2007. Em todo o ano passado, a economia grega teve 2% de contração, pior do que a previsão do governo de 1,5% de declínio.

 

Já a economia de Portugal ficou estagnado ante o trimestre anterior, mas registrou contração menor na comparação com o quarto trimestre de 2008, graças a um aumento das exportações, segundo dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas. O PIB de Portugal ficou estável no quarto trimestre em comparação ao terceiro trimestre e caiu 0,8% em relação ao quarto trimestre de 2008.

 

Em 2009, a economia registrou contração de 2,7% em base anual, segundo a prévia do instituto. No terceiro trimestre, a economia portuguesa cresceu 0,7%, em base mensal, e contraiu 2,5%, em termos anuais, dados revisados das estimativas de crescimento de 0,9% e de contração de 2,4%, respectivamente, feitas anteriormente.

 

Itália interrompe crescimento e Espanha permanece em recessão

 

A economia italiana, que também divulgou o PIB nesta sexta-feira, registrou inesperada contração no quarto trimestre, refletindo queda na produção industrial em relação aos três meses anteriores, segundo dados preliminares divulgados pelo escritório de estatísticas Istat. Já a Espanha, quarta maior economia da região, que foi duramente atingida pelo colapso do "boom" imobiliário, permaneceu na recessão, com queda de 0,1% no quarto trimestre em relação ao terceiro.

 

O PIB italiano caiu 0,2% no quarto trimestre em relação ao terceiro trimestre, revertendo crescimento de 0,6% no terceiro trimestre - a primeira expansão desde o início de 2008. Em base anual, o PIB caiu 2,8% no quarto trimestre. No terceiro trimestre, o PIB italiano havia registrado contração de 4,6%, em base anual.

 

Economistas esperavam aumento de 0,1% do PIB italiano no quarto trimestre em relação ao terceiro trimestre e queda de 2,6% frente ao quarto trimestre do ano passado. Em 2009, o PIB da Itália registrou contração de 4,9%, na comparação com 2008. As informações são da Dow Jones.

 

Perspectiva ruim para dívida

 

"O motor do crescimento da zona do euro fez uma pausa no quarto trimestre, mas deve voltar a funcionar em breve", afirmou Carsten Brzeski, economista do banco ING. "Os números de hoje, no entanto, são um bom lembrete de que a recuperação pode ser não só irregular como também caprichosa."

 

Parte do problema da Europa é que a região precisa de um crescimento relativamente forte para ajudar a limitar o salto da dívida resultante da recessão entre 2008 e 2009.

 

Portugal, assim como Espanha, está tentando controlar sua dívida para evitar ter os mesmos problemas que a Grécia vem enfrentando devido a seu elevado déficit e que levaram o país a ser o primeiro da zona do euro a pedir apoio dos demais membros nos 11 anos de história do bloco. O aprofundamento da recessão grega torna mais difíceis os planos de reduzir seu déficit.

 

(com Cynthia Decloedt e Danielle Chaves, da Agência Estado, e Reuters)

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