Marcos Arcoverde
Marcos Arcoverde

Rompimento de barragem em Brumadinho afetou desempenho da indústria no 1º trimestre

PIB da indústria teve o pior resultado desde o quarto de trimestre de 2016, quando houve recuo de 1,8% frente ao terceiro trimestre daquele ano

Daniela Amorim, Denise Luna e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 10h44

RIO - Influenciado pelo rompimento da barragem de rejeitos de mineração da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria caiu 0,7% no primeiro trimestre de 2019 ante o quarto trimestre do ano passado. O desempenho foi o pior desde o quarto de trimestre de 2016, quando houve recuo de 1,8% frente ao terceiro trimestre daquele ano. Os dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O destaque negativo do primeiro trimestre deste ano foi a indústria extrativa, atingida diretamente pelo rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da Vale em janeiro. O PIB da indústria extrativa encolheu 6,3% na passagem do quarto trimestre de 2018 para os três primeiros meses de 2019.

Foi o pior desempenho nessa ótica de comparação desde o quarto trimestre de 2008. Naquela ocasião, auge da crise financeira internacional que eclodiu em setembro de 2008, o PIB da indústria extrativa recuou os mesmos 6,3% ante o terceiro trimestre daquele ano.

"Nas extrativas, a queda foi muito influenciada pelo minério de ferro", apontou Claudia Dionisio, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE. "Além de Brumadinho, outras barragens foram paralisadas, até mesmo por decisões judiciais. Atrelado a isso, a extração de petróleo e gás foi negativa. Menos negativa (que a extração de minério), mas certamente contribuiu".

Entre os segmentos industriais, a indústria de transformação também recuou na passagem do quarto trimestre de 2018 para o primeiro trimestre de 2019, com queda de 0,5%, afetando ainda atividades de serviços. "Transporte e comércio são atividades correlacionadas com o desempenho da (indústria de) transformação", lembrou Claudia. Segundo ela, a crise na Argentina impactou negativamente o desempenho da indústria de transformação.

O desempenho geral do PIB industrial só não foi ainda mais baixo porque a produção e a distribuição de eletricidade, gás e água avançou 4,7% no primeiro trimestre de 2019 ante o primeiro trimestre do ano passado.

A construção recuou 2,0% no período, enquanto o setor de transporte e armazenamento encolheu 0,6%. Já o comércio, teve ligeiro recuo de 0,1%.

O PIB industrial foi o principal responsável pela queda de 0,2% no PIB brasileiro no primeiro trimestre, pela ótica da oferta. Sob a ótica da demanda, foi a retração de 1,7% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos do PIB). "É um conjunto de coisas, confiança, cenário macroeconômico...", justificou Claudia.

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