PIB da OCDE se estabiliza no 2º tri após um ano de quedas

Relatório da organização apontou melhores expectativas econômicas nos EUA, Canadá e Oeste da Europa

Regina Cardeal, da Agência Estado,

19 de agosto de 2009 | 13h49

O Produto Interno Bruto (PIB) dos 30 países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) se estabilizou entre abril e junho com o apoio dos grandes exportadores como Alemanha e Japão, mas continuou sensivelmente abaixo do que estava no segundo trimestre do ano passado, informou o grupo com sede em Paris.

 

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Relatório separado da Câmara de Comércio Internacional (ICC) e do instituto de pesquisa econômica IFO, da Alemanha, indicou que as taxas de desemprego elevadas e o aumento da dívida pública em muitos países provocam grandes temores de que a recuperação na economia global não seja sustentada no curto prazo. "É preciso ter cautela contra o otimismo excessivo e perceber que os sinais de recuperação que estamos vendo continuam infelizmente fracos", disse o secretário-geral do ICC, em comunicado.

 

Segundo a OCDE, o PIB dos países do grupo, que incluem muitas das maiores econômicas do mundo, ficou estável no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses do ano, quebrando um ano de declínios trimestrais e marcado uma reversão do declínio recorde de 2,1% no primeiro trimestre. Mas o PIB dos 30 países continua 4,6% abaixo do segundo trimestre do ano passado, tendo melhorado apenas marginalmente em relação ao declínio de 4,7% na comparação ano a ano verificado no primeiro trimestre.

 

O relatório da OCDE dá sustentação à análise de que a severa recessão global causada pela crise de crédito está terminando, embora o grupo tenha alertado que a recuperação deva ser fraca e frágil.

 

O PIB das sete principais economias da OCDE - EUA, Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Japão - caiu 0,1% numa base trimestral entre abril e junho depois de cair 2,1% no primeiro trimestre. Mas houve uma variação considerável nas taxas nacionais, com os grandes exportadores como Japão e Alemanha liderando a recuperação, enquanto Reino Unido e Itália ficaram para trás.

 

O PIB do Reino Unido caiu 0,8%, o da Itália declinou 0,5% e o dos EUA recuou 0,3%. Do lado positivo, o Japão cresceu 0,9% no segundo trimestre e França e Alemanha apresentaram avanço de 0,3%. Não há dados disponíveis do PIB do Canadá.

 

Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o Japão registrou a queda mais acentuada do PIB entre as sete maiores economias, recuando 6,5%. Itália apresentou queda de 6%, seguida por Alemanha, com declínio de 5,9%, e Reino Unido, com queda de 5,6%. Os EUA apresentaram declínio de 3,9% na comparação ano a ano e a França caiu 2,6%.

 

Em junho, a OCDE previu que o PIB na área da OCDE declinaria de forma menos acentuada do que esperava anteriormente este ano e cresceria no próximo ano, na sua primeira revisão para cima das projeções desde que a crise econômica começou. A OCDE disse que esperava que os EUA tivessem desempenho melhor do que o previsto anteriormente, mas projetou que a zona do euro e a Alemanha em particular encolheriam mais rapidamente.

 

A ICC e o IFO disseram que seu índice de clima econômico mundial subiu para 78,7 pontos no terceiro trimestre, de 64,4 pontos em abril e 50,1 pontos em janeiro por causa do avanço nas expectativas econômicas e da leve melhora na economia global. O resultado é baseado em pesquisa junto a 1.049 especialistas em Economia em 92 países em julho.

 

O relatório apontou melhores expectativas econômicas nos EUA, Canadá e Oeste da Europa, mas houve pouca mudança na avaliação da situação atual. O maior avanço no clima econômico apareceu na Ásia por conta da combinação de expectativas otimistas e de uma visão menos negativa do atual estado das atividades. As informações são da Dow Jones.

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