PIB de 2001 reflete desaceleração da economia

A queda consecutiva do Produto Interno Bruto (PIB) em três trimestres do ano passado, sobre trimestre imediatamente anterior, não caracteriza uma recessão da economia brasileira, segundo a avaliação do chefe do departamento de contas nacionais do IBGE, Eduardo Nunes. "No meu conceito, se há um crescimento de 1,5% no ano, não houve recessão, mas uma desaceleração", afirmou.Os resultados do PIB ao longo dos quatro trimestres de 2001 espelham com clareza tal desaceleração no período. O PIB acumulado no primeiro trimestre ostentava expansão de 4,33%, desacelerando para 3,17% no acumulado dos dois primeiros trimestres, caindo para 2,25% no terceiro trimestre e fechando o ano com crescimento de 1,51%.O gerente do departamento de Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto, ressaltou que todos os dados do PIB do ano passado apontam a desaceleração. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve queda consecutiva a partir do segundo trimestre (-0,77%), ampliando a redução para -0,83% no terceiro trimestre e para -1,67% no último trimestre."O que se pode observar é que desde o quarto trimestre de 2000 (crescimento acumulado de 4,36% no ano) há uma reversão de tendência de crescimento, com desaceleração", observou.Olinto disse que os números do PIB apontam que a economia, especialmente a indústria, foi afetada pelo racionamento, mas há vários outros fatores que contribuíram para a desaceleração, como elevação dos juros, crise argentina e redução do crescimento econômico mundial. "A conjugação desses fatores levou a desaceleração, mas não dá para quantificar a participação de cada um nos resultados finais", explicou.Dados coletados pelo departamento de Contas Nacionais do IBGE junto ao banco de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) revelaram que a economia brasileira teve desempenho melhor do que o apresentado (segundo estimativas) nas maiores economias do mundo.Segundo as projeções do Fundo, houve crescimento de 1% na economia dos Estados Unidos; queda de 2,7% na Argentina; expansão de 0,5% na Alemanha e redução de 0,4% no Japão. O México deverá ficar estagnado em 0% e o Chile deverá registrar expansão acima da média, de 3,3%.Desempenho no 1º trimestre de 2002 ainda será complicadoO desempenho da economia brasileira neste primeiro trimestre "ainda será muito complicado", segundo Olinto. A maior parte do primeiro trimestre deste ano está sendo afetada ainda pelos mesmos fatores que levaram à desaceleração do ano passado, tais como racionamento, que só terá fim amanhã, taxa de juros elevada e crise argentina.Olinto destacou que a base de comparação do ano anterior continuará elevada, já que o primeiro trimestre de 2001 registrou expansão no PIB de 4,33%. Ele sublinhou o efeito da base de comparação elevada sobre o resultado do último trimestre do ano passado, quando houve queda de 0,69% ante igual período de 2000.Já para Eduardo Nunes, ?todas as variáveis que contribuíram para a queda nos últimos trimestres do ano passado poderão agora levar a uma recuperação da economia, a partir do final deste trimestre?. Ele citou que a taxa de câmbio está bem abaixo de R$ 2,80 registrados em outubro, foi iniciada a trajetória de queda das taxas de juros e o racionamento está chegando ao fim.?Estatisticamente será difícil a recuperação imediata por causa das bases de comparação elevadas, mas a economia tem condições de melhorar?, afirmou.

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