PIB decepciona e reforça expectativa de corte maior da Selic

A queda de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, em relação ao segundo, veio muito pior do que as previsões mais pessimistas do mercado (que variavam de -0,5% a +0,2%) e detonou uma onda de revisões nas estimativas para o crescimento no ano. O resultado do PIB derrubou as taxas de juros no mercado futuro, já que o crescimento menor abre a expectativa de um corte maior da taxa básica de juros da economia, a Selic. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os contratos de juros pós-fixados (DI), com vencimento em janeiro de 2007, caiu a 16,73% ao ano, ante fechamento ontem em 16,90%. Já a taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2006 estava em 18,10% (18,15% ao ano) ontem. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o resultado do PIB do terceiro trimestre fez a Bovespa bater a mínima de -1,12% logo nos primeiros quinze minutos de negócios. Mas, passado o choque inicial, os investidores estão tentando ver o dado do IBGE pelo lado menos ruim. Às 14h13, a Bolsa recuava 0,44%. Já o dólar abriu em alta e sustentou essa direção até bater máxima de R$ 2,2170 (+1,28%). Ao final do período, perdeu fôlego e recuou para R$ 2,2030, mas mantendo valorização considerável, de 0,64%, ante o fechamento anterior. Juro pode cair mais O fato é que a idéia de corte de 0,75 ponto porcentual na Selic em dezembro, que está em 18,5% ao ano, ganhou um poderoso reforço com o resultado do PIB. O IBGE também anunciou, esta manhã, revisão para baixo no crescimento do segundo trimestre em relação ao primeiro, de +1,4% para +1,1%. E isso fez uma bela diferença no cálculo da média para o ano. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o PIB cresceu 1%, bem menos do que as expectativas mais baixas (as previsões variavam de +1,5% a +2,5%). As previsões anteriores do mercado de crescimento do PIB de 3% este ano (dado da última pesquisa Focus) foram descartadas pela maioria dos analistas ouvidos esta manhã pela Agência Estado. As novas previsões mal chegam aos 2,5%. Segundo o IBGE, para a economia ter um crescimento de 3% este ano, o PIB teria de ter uma expansão de 4,3% nesse último trimestre. É consenso no mercado que aumentarão as pressões sobre o BC para queda dos juros. E também sobre o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em torno da sua briga com a ministra Dilma Roussef. Palocci ainda não falou nada sobre o PIB, assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos evitaram o assunto, na chegada a Puerto Iguazú, para o encontro dos presidentes da Argentina e do Brasil, mas prometeram uma declaração mais tarde. Apenas o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan (também presente) falou. "É preocupante", disse ele, porque mostra que a economia está reagindo ao "aperto financeiro de taxas de juros e de contenção de investimentos". Alguns economistas, no entanto, acham que é prematuro precificar uma queda maior de juro neste momento e aguardem sinais do BC para fechar questão sobre uma possível queda mais acentuada da queda de juro. Nesse sentido, a ata da última reunião do Copom, que sai amanhã, será lida com muita atenção, devido aos novos sinais sobre as condições da atividade econômica.

Agencia Estado,

30 Novembro 2005 | 14h49

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