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PIB deve crescer 2,5% em 2012, prevê BNP Paribas

Para 2013, economista do banco projeta crescimento de 5%; ele admite que previsão está fora do consenso do mercado, que espera expansão maior para 2012 e crescimento menor para 2013

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

26 de março de 2012 | 16h38

SÃO PAULO - A previsão do Departamento Econômico do BNP Paribas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste e no próximo ano é de 2,5% e 5%, respectivamente, disse hoje o economista-chefe do banco para a América Latina, Marcelo Carvalho, em entrevista online.

Ele admite que suas projeções estão fora do consenso do mercado, que prevê uma expansão maior para 2012 e um crescimento menor para 2013. A mediana das expectativas das quase 100 instituições financeiras que compõem a Pesquisa Focus, por exemplo, apontou hoje para uma expansão de 3,23% do PIB neste ano e de 4,29% no próximo.

O que causa esse desencontro, segundo Carvalho, é que no BNP Paribas a percepção é a de que a economia neste ano se comportará como um espelho do que foi o ano passado. O que significa que, ao contrário do ano passado, quando a economia começou relativamente forte e encerrou fraca, em 2012 começa fraca e termina forte.

Para 2013, a previsão de Carvalho é a de que a economia inicie o ano fraca e se aqueça ao longo do ano para encerrar ao redor de 5%.

De modo geral, diz o economista do BNP Paribas, a situação econômica no Brasil e no exterior é bem melhor hoje do que há três meses, quando foi realizada a coletiva trimestral anterior do banco. Naquele momento, a projeção do banco para o crescimento da economia mundial em 2012 era de 3,1%. Agora, é de 3,5%. A composição desta taxa de crescimento se dá com a Europa mais ou menos mantendo o quadro atual de expansão perto de zero - com uma divergência muito clara com o PIB da Alemanha se expandindo acima de 1%, e os países periféricos com crescimento negativo, enquanto os Estados Unidos crescem perto de 5%.

Na China, o PIB deve crescer 8,50%, acima da taxa de 7,50% divulgada recentemente pelas autoridades chinesas, conforme projeção do banco. De acordo com Carvalho, a taxa de 7,5% de crescimento prevista pelas autoridades daquele país é um piso. "A China não vai crescer a taxas de 9,5% a 10%, mas ainda vai mostrar crescimento forte", disse o economista do BNP Paribas.

Inflação nos países emergentes

Os países emergentes deverão ter problemas com inflação a partir do segundo semestre deste ano e começo de 2013, segundo o economista-chefe para América Latina do BNP Paribas, Marcelo Carvalho. "Nos emergentes a inflação deverá ser um problema porque estes países sofreram menos com a crise do que os países desenvolvidos", afirmou o economista.

Para o Brasil, o economista do BNP Paribas espera para este ano uma taxa de inflação de 5,7% e para 2013, de 6,7%. "Nossas previsões estão fora do consenso, mas é que acreditamos que a partir do segundo semestre a economia vai crescer mais forte que no primeiro semestre", disse o economista do BNP Paribas.

Dessa forma, Carvalho acredita que o BC promoverá mais um corte de 0,75 ponto porcentual da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece nos dias 17 e 18 de abril, mas no ano que vem a autoridade monetária se verá obrigada a retomar a trajetória de alta da Selic. Para o final de 2013, o BNP projeta uma taxa de juros de 10% ao ano.

Dólar a R$ 1,75

A taxa de câmbio no fim deste ano deverá fechar com o dólar cotado a R$ 1,75, confrome previsão do economista. Para o fim do próximo ano, ele trabalha com o dólar sendo negociado a R$ 1,85.

Na entrevista, Carvalho comentou a declaração do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, feita sexta-feira em São Paulo, de que o câmbio no nível de R$ 1,80, embora continue apreciado, tranquiliza o governo por reduzir as perdas do setor produtivo.

"A questão do câmbio traz um dilema porque aparentemente o governo estabeleceu uma banda. Quando valoriza demais, o governo age. No sentido contrário, quando começa a caminhar para o lado dos R$ 2, o governo também age. Por isso o câmbio a R$ 1,80 é tranquilo", disse o economista do BNP Paribas. Contudo, segundo o economista, os sinais são de que o alto nível de liquidez lá fora vai manter a valorização cambial. Por isso, ele acredita que o governo continuará a intervir no câmbio, podendo até adotar mais medidas macroprudenciais.

Mas Carvalho lembra que tudo isso gera um custo para o governo. Ele cita como exemplo a compra de dólares para as reservas pelo BC. "Quando o BC compra dólares para as reservas, ele emite títulos com custos mais elevados do que a remuneração das reservas no exterior. Há um custo implícito muito alto", explica.

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