PIB deve crescer 2% e economia vai se recuperar, diz Armínio Fraga

Para ex-presidente do Banco Central, o cenário, no entanto, continua a ser de risco elevado em razão da crise internacional

Beatriz Bulla, Bianca Ribeiro, Francisco Carlos de Assis e Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

19 de junho de 2012 | 11h15

SÃO PAULO - O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou nesta terça-feira, 19, que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 2% neste ano. "O mercado todo fala em crescimento de 2%. É razoável. Eu acredito que a economia vai se recuperar no segundo semestre. Mas na média do ano vai dar 2%, contra a média do ano passado", destacou. "Contudo, a sensação no final do ano pode ser melhor do que a de hoje", disse, antes de participar de evento em São Paulo.

Na avaliação de Fraga, porém, esse cenário pode mudar, caso a crise internacional se agrave mais nos próximos meses. "Os riscos continuam elevados", ressaltou.

Fraga, avaliou ainda que a taxa de crescimento de 2% não condiz com a realidade da economia brasileira e acredita estar ocorrendo uma visão muito pessimista em relação ao Brasil, especialmente da parte do investidor estrangeiro.

Segundo ele, é um processo inverso ao que se viu quando a economia estava crescendo a 7,5%, como em 2010, em que a percepção em relação à economia brasileira era altamente positiva.

"Crescimento de 7,5% não era condizente com a economia brasileira como o de 2% também não é. Temos capacidade para crescer de 4% a 5%", afirmou o ex-presidente ao participar do seminário "Guardiões da Estabilidade", realizado pela Revista IstoÉ Dinheiro.

Ele disse que sempre conversou com investidores estrangeiros e que eles sempre foram mais otimistas com relação ao Brasil do que ele próprio. "Não é que seja pessimista, tanto que estou apostando a minha vida profissional aqui, mas acho que sempre houve exagero em relação ao Brasil", disse Fraga.

Câmbio

Para o ex-presidente do BC,o câmbio pouco superior a R$ 2,00 não está causando efeitos negativos para a inflação no Brasil. "A projeção dos analistas para IPCA está em torno de 5%, tem gente falando menos. A inflação está caindo, não está subindo", afirmou.

Armínio Fraga disse ainda que o sistema de metas de inflação permite algum grau de suavização da gestão do nível de atividade, mas não elimina o ciclo econômico. Ele ponderou que esse regime é simples e fácil de entender e foi adotado no Brasil em 1999, quando ele era o dirigente máximo do BC, quase por critérios de exclusão. "Não queríamos o câmbio fixo nem achávamos que seria interessante a adoção de âncoras nominais (para a inflação)", destacou.

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