Fotomontagem/Estadão
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PIB do 1º trimestre cai 0,3%, puxado por indústria e investimentos

Resultado marca o quinto trimestre seguido de queda, mas veio melhor do que o esperado por analistas; com piora no mercado de trabalho, consumo das famílias caiu 1,7%

O Estado de S.Paulo

01 Junho 2016 | 09h04

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 0,3% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2015, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a quinta queda consecutiva na comparação trimestral, mas o recuo foi menos intenso do que no fim do ano passado, quando o PIB caiu 1,3%.

O resultado veio exatamente no teto do intervalo das estimativas dos analistas. Já em relação ao primeiro trimestre de 2015, o PIB sofreu contração de 5,4%.

O recuo foi generalizado entre as três atividades da economia e foi puxado pela indústria, que recuou 1,2% em relação ao fim de 2015. A agricultura encolheu 0,3% e os serviços caíram 0,2%. 

O tombo da indústria foi maior na comparação com igual período de 2015: queda de 7,3%. Segundo o IBGE, a retração decorre da queda da produção de petróleo e minério de ferro no País no período, que ajudou o PIB da indústria extrativa a cair 9,6%.

"A indústria extrativa mais que dobrou o ritmo de queda. O minério de ferro caiu mais do que petróleo, mas o petróleo pesa mais. Houve parada programada de algumas plataformas para manutenção", explicou Claudia Dionísio, gerente das Contas Nacionais Trimestrais. 

Na agricultura, a perda de produtividade da safra de soja e a queda na produção de algumas culturas levaram a um recuo no PIB Agropecuário no primeiro trimestre do ano. O PIB da Agropecuária recuou 3,7% em relação ao primeiro trimestre de 2015. 

"A soja tem o maior peso na colheita brasileira. Ela está com crescimento no ano, mas a aérea colhida está crescendo mais. Isso significa perda de produtividade", explica Claudia. Problemas climáticos nas principais regiões produtoras prejudicaram o rendimento da safra.

 

Apesar de a queda de 0,3% no PIB ter sido o melhor resultado na comparação trimestral desde os últimos três meses de 2014 (+0,2%), não houve melhora na atividade, disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. "Melhora por enquanto não houve. Mesmo na margem, a taxa é negativa", afirmou.

Segundo Rebeca, a conjuntura do primeiro trimestre de 2016 está muito parecida com a do último trimestre do ano passado. "Inflação e juros continuaram em patamar parecido", disse. Por isso, apesar do número menos negativo na margem, não é possível dizer que a atividade mostrou reação.

Investimento. Por sua vez, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que reflete os investimentos, amargou perdas de 2,7%, o décimo trimestre de queda consecutivo.

Com a piora do mercado de trabalho, o consumo das famílias voltou a piorar e caiu 1,7%, completando cinco trimestres de retração. O consumo do governo, por sua vez, subiu 1,1% no primeiro trimestre de 2016 em relação ao quarto trimestre de 2015. 

Exportações. Já as exportações de bens foram a única contribuição positiva e cresceram 6,5% em relação ao quatro trimestre de 2015. As importações contabilizadas no PIB, por sua vez, recuaram 5,6% a mesma análise. Já em relação ao primeiro trimestre do ano passado, as importações caíram 21,7%.

Segundo o IBGE, a melhora no desempenho do setor de exportações no PIB é resultado da desvalorização cambial e da atividade econômica interna mais fraca. "Pelo lado do setor externo, houve uma variação bem maior da exportação. A tendência não mudou, a última queda foi no 4º trimestre de 2014. Mas nesse trimestre essa contribuição aumentou", ressaltou Claudia. 

A taxa de poupança no primeiro trimestre de 2016 ficou em 14,3%. Já a taxa de investimento ficou em 16,9% no período. Ainda segundo o instituto, o PIB do primeiro trimestre do ano totalizou R$ 1,473 trilhão. 

Em 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) havia recuado 3,8%, na pior recessão em 25 anos.

(Antonio Pita, Daniela Amorim, Idiana Tomazelli, Vinicius Neder, Hugo Passarelli)

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