Lino Mirgeler/AP
Lino Mirgeler/AP

PIB do 2º trimestre deve vir próximo de zero ou negativo, diz Meirelles

Ministro comemora alta de 0,25% do IBC-Br entre abril e junho, mas ressalta diferenças metodológicas

Francisco Carlos de Assis, Broadcast

17 Agosto 2017 | 18h19

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse na tarde desta quinta-feira, 17, que a alta de 0,25% da economia no segundo trimestre, segundo o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), é um dado a ser comemorado porque se soma a uma outra gama de indicadores antecedentes e coincidentes da economia que mostram recuperação. Ainda assim, Meirelles adiantou que o Produto Interno Bruto (PIB) referente ao segundo trimestre, a ser divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 1º de setembro, deverá trazer uma taxa próximo de zero ou mesmo negativa.

Segundo o ministro, a previsão de crescimento menor do PIB oficial no segundo trimestre deve-se ao fato do produto ter crescido muito ao longo dos primeiros três meses - a expansão foi de 1% - e também à diferença entre as metodologias de cálculo do BC e do IBGE.

"O que tenho para dizer é que os dados de serviços conjugados com os do varejo, criação de postos de trabalho na economia brasileira e conjugado finalmente com o IBC-Br, mostra que o Brasil voltou a crescer", disse o ministro após reunião de cerca de uma hora e meia com os dirigentes do Grupo Abril, em São Paulo.

+ Rombo gigante anula esforço fiscal de 15 anos

O ministro ressalvou, no entanto, que como em todo processo de inflexão de uma economia que estava caindo, existe uma série de indicativos não homogêneos. "Por exemplo, o índice do BC, o IBC-Br, já é positivo no trimestre, mas o PIB pode ser um pouco mais baixo por um problema de ajuste, mas no geral a economia já está crescendo", disse. 

Política fiscal. Meirelles também disse na tarde desta quinta-feira, 17, que a equipe econômica continua vendo a política fiscal como uma importante variável de ajuste econômico.

Meirelles fez esta afirmação ao ser questionado pelo Broadcast se ao relaxar as metas fiscais, especialmente para 2019, a equipe econômica não estaria desvinculando a política fiscal do resto da economia e se isso não poderia ser entendido como uma forma de não contar mais com política fiscal para o ajuste econômico de modo geral.

"Não, absolutamente. A política fiscal continua a mais rigorosa possível dentro da Constituição Brasileira", disse o ministro. Para ele, o nível das despesas discricionárias é o menor desde 2010. Portanto o ajuste fiscal continua rigoroso", rebateu Meirelles. De acordo com ele, a questão de o déficit existir é o que torna ainda mais importante a aprovação destas medidas [reformas] pelo Congresso, afirmou.

Para Meirelles, todo o ajuste econômico passa pela aprovação do Congresso. "Muitas delas dependem de leis e das reformas aprovadas", insistiu Meirelles, acrescentando que é preciso que se continue aprovando "as medidas que lá na frente vão abrir as possibilidades de se ter quedas maiores de juros, o que vai beneficiar o consumo". Ele disse que tudo isso está no processo normal de ajuste econômico, mas que demanda tempo na medida em que a despesa pública brasileira cresce de forma ininterrupta desde 1991.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.