Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

PIB do 3º trimestre mostra uma economia em franca recuperação, diz José Marcio Camargo

Para economista, valor veio abaixo da média dos especialistas, mas crescimento de setores importantes, como indústria e serviços, merecem ser considerados

Entrevista com

José Marcio Camargo, economista da PUC- Rio e da Genial Investimentos

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2020 | 22h33

O processo gradual de reabertura da economia no terceiro trimestre e os efeitos no consumo do auxílio emergencial dado aos brasileiros mais afetados pela crise da covid-19 fizeram o Produto Interno Bruto (PIB) subir 7,7% no período, em comparação com o segundo trimestre.

Para José Marcio Camargo, economista da PUC- Rio e da Genial Investimentos, apesar de ter ficado abaixo da projeção de crescimento de 8,8%, o número ainda pode ser visto com otimismo, pois setores importantes da economia, como indústria e serviços "tiveram bom crescimento". Camargo também aponta que, nesse cenário de retomada, um plano de vacinação da população será extremamente importante para ajudar na recuperação do País nos próximos meses. Abaixo, trechos da entrevista:

Podemos ver os dados do 3º trimestre com otimismo?

Sem dúvida, o resultado do 3.º trimestre mostra um crescimento muito bom. É verdade que é um crescimento que vem de uma base muito baixa, de uma queda muito profunda no segundo trimestre, mas ainda assim é para ser comemorado. É verdade também que veio abaixo da média das expectativas dos analistas, mas é preciso olhar para os detalhes: setores importantes, como indústria e serviços tiveram bom crescimento. O dado mostra uma economia em franca recuperação e uma retomada da formação bruta de capital fixo e do consumo das famílias. 

Muito do resultado se deve ao auxílio emergencial. O fim do benefício deve travar a economia? 

O fim do auxílio emergencial preocupa, é claro, mas os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid ficaram acima do esperado também para o trabalho formal. Se o mercado de trabalho continuar nessa trajetória, a geração de emprego e renda vai conseguir substituir a redução da renda causada pelo fim do auxílio. O problema é que tem uma pandemia no caminho. 

Se houver uma segunda onda de covid-19, isso poderia postergar a recuperação da economia?

Se essa segunda onda vier com um aumento forte das restrições de circulação, não necessariamente como tivemos no começo da quarentena, mas se for preciso voltar ao isolamento mais forte, certamente afetaria o comportamento da atividade econômica. Mas isso é algo difícil de ser feito. A sociedade está cansada, não quer o isolamento. O planejamento da vacinação é importante para a recuperação.

O aumento da dívida pública é uma preocupação para 2021? 

Se o governo respeitar o teto de gastos, não vejo grandes problemas. Se ele não respeitar, a situação se complica muito. O País vai ter aumento dos juros, descontrole da inflação, desvalorização cambial e um retorno à taxas de crescimento negativas. Mas creio que o teto vai ser respeitado.

Qual é o seu balanço das medidas tomadas pela equipe econômica no enfrentamento da crise? 

É uma crise diferente de tudo que já vivemos. Algumas coisas foram muito positivas, o governo fez um programa para ter a menor queda possível de renda das pessoas. Dado o cenário, a reação foi positiva e os dados estão mostrando um pouco isso, o Brasil deve ter uma recuperação acima do que se esperava.

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