PIB do 4º trimestre consolida retomada

Panorama global também é importante e gera ambiente econômico benigno para economias emergentes, como o Brasil

Mario Mesquita*, O Estado de S.Paulo

01 Março 2018 | 21h25

O avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 0,1% no quarto trimestre sugere, à primeira vista, desaceleração ante o crescimento observado ao longo do ano – o PIB avançou 1,3%, 0,6% e 0,2% nos três primeiros trimestres de 2017, respectivamente.

Mas um olhar mais atento mostra um quadro mais favorável. O consumo das famílias cresceu 0,1% no quarto trimestre, na quarta alta consecutiva, e o investimento subiu 2,0%, consolidando a recuperação iniciada no segundo trimestre do ano. Adicionalmente, os números menores de PIB na segunda metade do ano estão associados à contabilização da supersafra agrícola no primeiro semestre de 2017. A consequência é que o resultado do PIB no início do ano ficou acima do crescimento subjacente, ocorrendo o oposto na segunda metade do ano.

Diante das particularidades da dinâmica do crescimento trimestral em 2017, cabe olhar para o resultado na comparação anual. Pela ótica da oferta, a alta de 2,1% do PIB resultou de crescimento em dez atividades das 12 observadas, o que mostra recuperação disseminada.

Nesse sentido, um conjunto amplo de indicadores econômicos reforça a percepção de melhora da economia. Índices de confiança retomaram os níveis do começo de 2014 (antes do início da recessão), e os principais dados mensais de atividade econômica, como produção industrial, vendas no varejo, pesquisa de serviços, criação de empregos formais, entre outros, mostram um crescimento mais disseminado.

Para avaliar a sustentabilidade da retomada iniciada em 2017, devemos analisar as suas causas. Consideramos que a recuperação se baseia no avanço da agenda de reformas, que possibilitou queda dos prêmios de risco e contribuiu para a redução da inflação e, consequentemente, dos juros, assim como no ajuste dos balanços de empresas e famílias e no maior crescimento global. Poder de compra em recuperação e aumento da disponibilidade de crédito devem favorecer a expansão do consumo, componente principal da demanda, em 2018.

Para 2018, projetamos crescimento de 3,0% do PIB. Esse cenário considera a crença de que as reformas, em particular a da Previdência, serão retomadas à frente. O panorama global também é importante: projetamos crescimento global elevado, que, combinado com a retirada ainda gradual dos estímulos monetários nos países avançados, gera ambiente econômico benigno para economias emergentes, como o Brasil.

* ECONOMISTA-CHEFE DO ITAÚ-UNIBANCO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.