Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

'Prévia do PIB' aponta que virada na economia será adiada

Para analistas, melhora na economia deve vir apenas no primeiro trimestre do ano que vem

Maria Regina Silva, Thaís Barcellos, Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2016 | 15h16

O índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) reforçou a percepção de que o momento da virada na economia brasileira está cada vez mais distante. Se no início deste ano se esperava que a atividade começasse a crescer no terceiro trimestre, agora muitos analistas acreditam que esse ponto de inflexão deve ocorrer apenas no primeiro trimestre de 2017.

O IBC-Br de setembro teve leve alta de 0,15% ante agosto, com ajuste sazonal. A variação veio abaixo da mediana (+0,20%) das previsões captadas pelo Projeções Broadcast. O resultado ficou dentro do intervalo de estimativas, que ia de -0,50% a +0,70%. Na comparação entre os meses de setembro de 2016 e 2015, houve queda de 3,67%. No acumulado do terceiro trimestre, a baixa foi de 0,78% ante o segundo trimestre.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio Souza Leal, o PIB oficial do terceiro trimestre, que será divulgado pelo IBGE no próximo dia 30, deve mostrar retração de 0,7%. No segundo trimestre, a queda foi de 0,6%. "A retração de julho a setembro será maior do que a esperada no começo do trimestre", diz. O economista da Modal Asset Daniel Silva comenta que "a recuperação está vindo, existem fundamentos indicando isso, especialmente em termos de confiança, mas ela está sendo postergada".

Na avaliação do economista do Daycoval Investimentos Rafael Gonçalves Cardoso, a economia ainda não iniciou um processo firme de retomada. "O País vive uma crise diferente das anteriores. Na atual, as famílias e as empresas estão mais alavancadas. Apesar da volta da confiança, existe um processo de desalavancagem que precisa acontecer. Antes disso, a retomada deve ser lenta", analisa.

Além de esperar nova queda do PIB no terceiro trimestre, o economista-chefe da Santander Asset Management, Ricardo Denadai, acredita que o dado continuará no campo negativo no último trimestre de 2016. Com isso, ele alterou sua projeção para o PIB fechado deste ano de recuo de 3,2% para -3,5%, enquanto a estimativa para o PIB de 2017 foi revisada de alta de 1,50% para 0,50%.

"É mais uma revisão por causa do diagnóstico (pior) do terceiro trimestre. Porém, as condições para a recuperação estão sendo construídas, apenas houve um adiamento", pondera Denadai. Para os analistas do Fator, algum sinal mais evidente de reversão da atual recessão só deve vir no começo do próximo ano. "Crescimento, talvez só no final de 2017", diz o banco em relatório. A instituição está entre as mais pessimistas do mercado, com expectativa de crescimento zero no próximo ano.

O economista do Credit Suisse Leonardo Fonseca também aponta que o IBC-Br e outros indicadores econômicos recentes sugerem que a recessão este ano será maior do que o previsto. Ele estima contração de 3,5% em 2016, ante os -3,37% contidos na Focus. O analista cita ainda que o carrego estatístico levado deste ano para 2017 deve ser mais negativo. "Há pouco tempo, esperávamos que o carregamento fosse zerado. Com os dados do terceiro trimestre piores e o quarto trimestre (desfavorável), o carregamento vai para próximo de -1,00%. Deve continuar um movimento de revisão para baixo nas previsões de crescimento para PIB em 2017", afirma. Por enquanto, a expectativa do Credit Suisse é que a economia mostre um crescimento de 0,80% no ano que vem.

Mais conteúdo sobre:
Banco CentralPIBIBGESantander

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.