'PIB do BC' cai 0,23%, no 2º recuo seguido

Índice de fevereiro, na comparação com janeiro, registra o pior resultado desde outubro do ano passado, quando a economia havia recuado 0,58%

FERNANDO NAKAGAWA/ BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h07

A atividade econômica no Brasil caiu pelo segundo mês seguido em fevereiro. Levantamento do Banco Central mostra que o índice que mede o ritmo da economia doméstica teve queda de 0,23% na comparação com janeiro, no pior resultado desde outubro do ano passado, quando a economia havia recuado 0,58%. O número não surpreendeu o mercado, que mantém a aposta de que a atividade deve apresentar recuperação mais forte nos próximos meses, especialmente no segundo semestre.

A lenta reação da produção industrial e o fraco desempenho do comércio explicam a nova retração da economia em fevereiro, dizem analistas. No mês, o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) caiu ligeiramente menos que o esperado pelos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam contração de 0,30% .

"O número confirma que a economia seguiu ritmo muito fraco no primeiro bimestre em parte pela produção industrial que demora a reagir e também pelas vendas no varejo piores que o esperado", diz o analista da Tendências Consultoria, Rafael Bacciotti.

Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o índice do BC é uma maneira mensal de medir o ritmo da economia e leva em conta uma série de dados, como o comércio, indústria e balança comercial.

Varejo. Em fevereiro, a principal influência negativa veio do varejo, cujas vendas caíram 1,1% na comparação com janeiro, pior que o previsto pelos analistas. "A queda da atividade no mês, fato muito relacionado com a queda das vendas no varejo, é provavelmente apenas um ponto fraco no meio de um processo de recuperação", diz a equipe de pesquisa econômica do Itaú BBA em relatório.

Para o departamento de estudos e pesquisas econômicas do Bradesco, a piora no comércio "não deve ser lida de forma desfavorável, uma vez que ocorreu sobre uma base de comparação bastante elevada". O banco argumenta que, no trimestre, as vendas seguem em aceleração. Portanto, a variação negativa em fevereiro "não altera a nossa percepção em relação à retomada mais à frente".

Além do varejo ruim em fevereiro, Bacciotti, da Tendências, diz que o setor industrial segue com desempenho fraco. "Esperávamos um cenário mais favorável à recuperação do setor, fato que não foi confirmado. Os estoques não diminuíram como previsto e há algum efeito das importações", diz.

Apesar do desempenho negativo, ele mantém a previsão de que o setor deve se recuperar especialmente nos próximos meses, o que influenciará o restante da economia. "Essa reação é resultado da queda dos juros e não das medidas anunciadas pelo governo", afirma Bacciotti, ao comentar que a equipe econômica tem trabalhado para ajudar em aspectos "conjunturais".

BNDES. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou ontem que a economia deve ganhar maior ritmo no segundo trimestre e acelerar a partir do segundo semestre. Questionado sobre se sua previsão para o PIB seria ainda de 4%, Coutinho afirmou que o governo e o BNDES trabalharão nesse sentido: "Faremos o possível."

De acordo com ele, esse avanço dependerá, em grande medida, da recuperação dos investimentos. / COLABORARAM BIANCA RIBEIRO e RICARDO LEOPOLDO

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