'PIB do BC' tem a 1ª queda desde 2009

Indicador mostra que atividade econômica caiu 0,32% no 3 º trimestre; se a crise ganhar força, Brasil pode fechar o ano em recessão

FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h05

A economia diminuiu de tamanho no terceiro trimestre. Levantamento do Banco Central indica que a atividade econômica caiu 0,32% na comparação com o período entre abril e junho. Essa foi a primeira retração desde o primeiro trimestre de 2009 quando o País girava no turbilhão da crise passada. O dado negativo era esperado.

Agora, analistas aguardam o efeito da ação do governo para incentivar a economia. Se as medidas forem bem sucedidas, o País volta a crescer. Mas se a crise ganhar força, o Brasil pode fechar o ano em recessão. Divulgado ontem, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) confirma a leitura da própria instituição de que, após o rápido crescimento em 2010 e a moderação no primeiro semestre, o Brasil sentiria a piora do quadro internacional de maneira mais pronunciada. A queda do IBC-Br é prenúncio de retração do Produto Interno Bruto (PIB), já que o dado é considerado uma prévia do indicador que mede o tamanho da economia.

O recuo da atividade é reflexo de indicadores como os elevados estoques das empresas e a queda na produção industrial. Nem mesmo a ligeira expansão de 0,02% em setembro ante o mês anterior foi suficiente para anular a retração de agosto, quando a economia apresentou o pior desempenho desde dezembro de 2008. "O dado confirma indicadores que sinalizavam enfraquecimento de vários setores", diz a economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli.

A retração trimestral preocupa o governo porque é o primeiro passo para uma recessão. Como os rumos da Europa são completamente imprevisíveis e a demanda interna pode continuar patinando, há chance de o último trimestre ter nova diminuição da atividade econômica. Com temor de que o primeiro ano do governo Dilma Rousseff termine com dois trimestres seguidos de queda do PIB - situação que tecnicamente configura a recessão -, o governo age para tentar reverter a situação.

Primeiro, reduziu os juros em agosto. Na semana passada, incentivou operações de crédito para consumo e, agora, estuda cortar impostos para baratear financiamentos e reduzir a obrigação que bancos têm de manter dinheiro no BC, o que elevaria a oferta de empréstimos. "As medidas recentes mostram que o governo quer evitar a todo custo uma recessão. A queda do juro demora um pouco para chegar à economia, mas o incentivo ao crédito gera efeito mais rapidamente", diz Maristella. Ela avalia que as ações do governo podem gerar efeito a tempo e que a economia pode crescer entre 0,3% e 0,5% no último trimestre, o que afastaria a recessão.

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