Werther Santana/Estadão
PIB do Brasil avançou 1,3% no terceiro trimestre de 2018 em relação a igual período de 2017 Werther Santana/Estadão

PIB do Brasil avança 0,8% no terceiro trimestre

Na comparação com o terceiro trimestre de 2017, Produto Interno Bruto avançou 1,3%

Daniela Amorim, Renata Batista, Vinicius Neder e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 09h12
Atualizado 30 Novembro 2018 | 17h23

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,8% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre deste ano, e totalizou R$ 1,716 trilhão, informou nesta sexta-feira, 30, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o terceiro trimestre de 2017, o PIB avançou 1,3%. A alta é a maior desde o primeiro trimestre de 2017, quando houve crescimento de 1,1%.

Para o ministro do Planejamento, Esteves Colnago, o crescimento da economia no segundo semestre dá expectativa positiva para 2019. "Os resultados esperados para o 2º semestre nos dão uma expectativa positiva para 2019. Eles refletem o muito que já foi feito, mas a consolidação dos resultados positivos depende fundamentalmente da continuidade das reformas econômicas", afirmou Colnago, em sua conta do Twitter.

O ministro ressaltou que o crescimento no terceiro trimestre, em linha com as expectativas do governo e do mercado, mostra que o PIB segue trajetória sustentável, apesar de ter sido menos expressivo no segundo trimestre, quando aumentou apenas 0,2%.

"Estamos há quase dois anos com PIBs trimestrais positivos. É o maior resultado desde o 1º trimestre de 2017, quando o País voltou a apresentar taxas positivas de crescimento trimestral da atividade econômica", completou. Colnago destacou o crescimento em todos os setores da oferta e o aumento nos investimentos. 

A alta de 6,6% nos investimentos - a formação bruta de capital fixo (FBCF) - foi a maior alta desde o quarto trimestre de 2009, quando os investimentos avançaram 7,1% em relação ao terceiro trimestre daquele ano, no contexto da recuperação econômica após a crise econômica internacional de 2008.

Para analistas, o dado pode ter sido inflado pela mudança nas regras do Repetro, programa de incentivos tributários para a indústria de petróleo e gás, como revelou o Estadão/Broadcast há duas semanas. Com as mudanças, plataformas já em atividade, que estavam registradas no exterior, foram registradas no País, contando como importações. O IBGE confirmou esse efeito, conforme apresentação distribuída a jornalistas.

O PIB do terceiro trimestre mostrou avanço de 10,2% nas importações em relação ao trimestre imediatamente anterior, melhor desempenho desde o segundo trimestre de 2016, quando o avanço foi de 10,6% em relação aos três primeiros meses daquele ano.

Pelo lado da produção, o PIB de serviços, com alta de 0,5% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre de 2018, teve o maior desempenho desde o segundo trimestre de 2017, quando a alta foi de 0,9% em relação aos três primeiros meses do ano passado.

Já o PIB da indústria, que cresceu 0,4% ante o segundo trimestre de 2018, teve o melhor desempenho desde o quarto trimestre de 2017, quando a alta foi de 1,1% sobre o terceiro trimestre do ano passado. Ainda assim, na contramão do PIB industrial, o segmento de indústria de eletricidade teve queda de 1,1% no terceiro trimestre, na comparação com o segundo trimestre de 2018. Foi o pior desempenho na comparação com trimestres imediatamente anteriores desde o primeiro trimestre de 2015, quando a queda foi de 2,1%.

O resultado do PIB veio igual à mediana (0,80%) das estimativas dos analistas de 30 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, que esperavam de alta de 0,40% a 1,1%.

 

Revisão dos dados de 2017

O IBGE revisou a variação do PIB de 2017: no passado, o Brasil cresceu 1,1% e não 1%, como divulgado anteriormente.

O resultado reflete a revisão da taxa do quarto trimestre do ano passado ante o terceiro trimestre, que saiu de 0% para 0,2%. Já o PIB do quarto trimestre de 2017 ante o quarto trimestre de 2016 saiu de 2,1% para 2,2%. O resultado do terceiro trimestre de 2017 ante o segundo trimestre de 2017 também foi revisado e passou de 0,6% para 0,4%.

O órgão revisou ainda o resultado do PIB do segundo trimestre de 2018 ante mesmo período de 2017, que passou de 1% para 0,9%. Já a taxa de crescimento do primeiro trimestre passou de alta de 0,1% para 0,2% na comparação com o último trimestre de 2017.

De acordo com o economista Fábio Silveira, as revisões de PIBs anteriores ocorre principalmente porque as informações continuam chegando para o analistas mesmo após a divulgação dos resultados. “Os ajustes normalmente são pequenos, para fazer pequenas correções de dados e eventualmente, metodologia. As revisões tornam o resultado mais preciso, mais acurado, e ocorrem em todas as economias do mundo, não são um problema”, explica.

 

 

Para especialistas, resultado do PIB é positivo, mas base de comparação é fraca

Na opinião de especialistas, a expansão de 0,8% do PIB no terceiro trimestre de 2018 ante o trimestre anterior reforça o cenário de recuperação gradativa da economia brasileira. Alguns deles apontam, no entanto, que a base de comparação é deprimida, já que o resultado do PIB do segundo trimestre foi impactado negativamente pela greve dos caminhoneiros.

Nas palavras do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o cenário é semelhante ao de um paciente que já saiu da UTI e agora inspira menos cuidados. 

Já o economista do Santander, Lucas Nóbrega, em nota distribuída aos clientes, afirmou que o resultado deve ser apreciado, mas com moderação.

"Esses resultados são claramente favoráveis. Porém, vale a pena dar um desconto para o frágil desempenho do PIB no segundo trimestre, quando teve ligeira alta de 0,2%, explicado pela paralisação no setor de transportes em maio e que deixou uma base de comparação muito deprimida para a leitura do trimestre seguinte. Devemos apreciar os bons números do PIB entre julho e setembro, mas com certa moderação".


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Para especialistas, resultado do PIB é positivo, mas base de comparação é fraca

Economistas destacaram melhora em investimentos e no consumo das famílias

Caio Rinaldi e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 10h42

Na opinião de especialistas, a expansão de 0,8% do PIB no terceiro trimestre de 2018 ante o trimestre anterior reforça o cenário de recuperação gradativa da economia brasileira. Alguns deles apontam, no entanto, que a base de comparação é deprimida, já que o resultado do PIB do segundo trimestre foi impactado negativamente pela greve dos caminhoneiros.

Nas palavras do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o cenário é semelhante ao de um paciente que já saiu da UTI e agora inspira menos cuidados. 

"No terceiro trimestre dessazonalizado ante o segundo, teve impacto da Copa do Mundo e da paralisação dos caminhoneiros. Os cálculos matemáticos de dessazonalização não captam a influência deste tipo de evento em sua plenitude, apenas uma parte", explicou o economista.

Segundo o economista-chefe da Spinelli, André Perfeito, a alta do PIB foi puxada pelos investimentos (FBCF). O resultado surpreendeu o economista, que esperava um crescimento menor no trimestre, de 0,3%.

"Nos surpreendeu numa primeira leitura a alta na margem de 6,6% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Na comparação com o mesmo período do ano passado o crescimento foi de 7,8%", disse Perfeito.

De acordo com ele, pode ter na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) um efeito base na margem uma vez que no segundo trimestre a greve dos caminhoneiros teve impacto relevante na Produção Industrial. "Mas mesmo assim o resultado foi positivo".

Vale notar, diz o economista, que o próprio IBGE aponta como razão da alta fatores pontuais no setor de Óleo e Gás decorrente de modificações no regime Repetro.

Em nota distribuída aos clientes, o economista do Santander, Lucas Nóbrega, destacou a absorção doméstica, com expansão de 1,5%, enquanto o setor externo entrou na somatória das contas nacionais com um recuo de 0,3%.

"Todos os setores ofertantes do PIB, como agropecuária, indústria e serviços tiveram expansão no trimestre passado. Pelo lado da demanda, a absorção doméstica, com crescimento de 1,5% contribuiu positivamente enquanto o setor externo, com queda de 0,3% contribuiu de forma negativa", disse Nóbrega.

Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o PIB do terceiro trimestre deste ano cresceu 1,3%.

"Esses resultados são claramente favoráveis. Porém, vale a pena dar um desconto para o frágil desempenho do PIB no segundo trimestre, quando teve ligeira alta de 0,2%, explicado pela paralisação no setor de transportes em maio e que deixou uma base de comparação muito deprimida para a leitura do trimestre seguinte", ponderou o economista do Santander, acrescentando que "devemos apreciar os bons números do PIB entre julho e setembro, mas com certa moderação".

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Com Repetro, investimentos têm a maior alta desde o 4º trimestre de 2009

Formação Bruta de Capital Fixo avançou 6,6% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre do ano; mudança tributária para setor de petróleo e gás inflou resultado

Daniela Amorim, Renata Batista e Vinicius Nedes, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 11h34

RIO - A alta de 6,6% na formação bruta de capital fixo (FBCF, os investimentos no PIB) foi destaque na divulgação das Contas Nacionais Trimestrais nesta sexta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse foi o maior avanço desde o quarto trimestre de 2009, quando os investimentos cresceram 7,1% em relação ao terceiro trimestre daquele ano, no contexto da recuperação econômica após a crise econômica internacional de 2008.

No terceiro trimestre, o PIB nacional avançou 0,8% ante o segundo trimestre deste ano, o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2017, quando o aumento foi de 1,1% ante o trimestre imediatamente anterior.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2017, a FBCF teve alta de 7,8%, a maior desde o segundo trimestre de 2013 (8,5%).

Analistas já esperavam que esse resultado fosse inflado pela mudança nas regras do Repetro,programa de incentivos tributários para a indústria de petróleo e gás, como revelou o Estadão/Broadcast. Com as alterações, plataformas já em atividade, que estavam registradas no exterior, foram registradas no País, contando como importações.

A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, diz, no entanto, que, tanto os investimentos na economia brasileira quanto as importações teriam crescido no terceiro trimestre independentemente do Repetro. Nas contas do IBGE, não fossem as alterações, os investimentos teriam avançado 2,7% no terceiro trimestre ante igual período de 2017, em vez dos 7,8% de alta efetivamente registrados.

As importações avançaram 10,2% no PIB do terceiro trimestre ante o segundo trimestre e tiveram alta 13,5% ante o terceiro trimestre de 2017. Nas contas do IBGE, a alta na comparação interanual seria de 6,9%, sem o efeito da mudança no Repetro. "Essa taxa da importação está aumentada, em parte pela mudança no Repetro. O investimento também foi afetado", afirmou Rebeca.

Segundo a pesquisadora, os efeitos estatísticos causados pela mudança no Repetro não afetam o cálculo do PIB agregado. "O efeito no PIB é nulo. A importação não entra no PIB", afirmou Rebeca, lembrando que as regras anteriores do Repetro geraram, no passado, aumento inflado nas exportações. Agora, o efeito se dá sobre as importações. "Houve uma importação fictícia (no terceiro trimestre de 2018), como houve antes uma exportação fictícia", disse Rebeca.

Mais de uma vez, Rebeca ressaltou que, mesmo com a retirada dos efeitos das novas regras do Repetro, ainda haveria alta nos investimentos. Essa alta foi puxada por importações de máquinas e equipamentos, por mais investimentos de empresas em caminhões, na esteira dos problemas gerados pela greve dos caminhoneiros, em maio, e pelo melhor desempenho na construção civil. 

Nas contas do Itaú Unibanco, o Repetro provocou uma distorção ainda maior nos investimentos. "Fazendo uma estimativa considerando dados de importação e exportação de bens de capital e limpando do dado de plataformas de petróleo, chegamos a um crescimento em torno de 1,0% da FBCF ante o trimestre anterior com ajuste sazonal", explicou o economista Artur Passos.

Para o economista do Itaú Unibanco, o desempenho do PIB no terceiro trimestre de 2018 tanto na comparação com o trimestre anterior quanto em relação ao período equivalente de 2017, com altas de 0,8% e 1,3% respectivamente, demonstra a continuidade do ritmo morno da retomada econômica. "No último trimestre de 2017, o PIB chegou a crescer 2,2% na comparação interanual, dado que foi sucedido por desempenhos menores nos três trimestre seguintes. O quadro é de crescimento fraco após a recessão."

O PIB do último trimestre de 2018, estima o banco, deverá crescer 0,2% na margem, o que corresponde a uma alta interanual de 1,6%. "É importante fazer a ressalva de que o PIB do terceiro trimestre na margem foi beneficiado pela fraca base de comparação do segundo trimestre do ano, que sofreu impacto da paralisação dos caminhoneiros", ponderou o economista ao explicar a taxa mais modesta no quarto trimestre do ano.

Para o resultado fechado de 2018, a expectativa do Itaú Unibanco segue em 1,3%. "O dado divulgado hoje (sexta-feira) não trouxe mudanças para os cenários de 2018 e 2019", comentou Passos. Já para 2019, o economista espera expansão de 2,5%, podendo chegar a 3,0% em 2020. / COLABOROU CAIO RINALDI

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Greve dos caminhoneiros afeta PIB de serviços de transporte do 3º trimestre

Com retomada do setor depois da paralisação em maio, alta foi de 2,6% na comparação com segundo trimestre do ano

Daniela Amorim, Renata Batista e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 13h01

RIO - Na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2018, a atividade de serviços de transporte foi destaque de alta no Produto Interno Bruto (PIB), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 30.

A alta de 2,6% na comparação com o segundo trimestre foi marcada pela retomada do setor após a greve dos caminhoneiros, em maio, disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

“O grande destaque neste trimestre (na comparação com o trimestre imediatamente anterior) foi o transporte, o que é muito explicado pela greve dos caminhoneiros”, afirmou Rebeca, explicando que, por causa da greve, a base de comparação ficou muito deprimida.

Efeito da bandeira vermelha na conta de luz

Ainda entre os componentes do PIB pelo lado da oferta, a queda de 1,1% na indústria de eletricidade (na contramão do avanço de 0,4% no PIB industrial) foi explicada pela adoção da “bandeira vermelha”, sobrepreço na conta de luz adotado pelas autoridades reguladoras do setor, como forma de custear o encarecimento da produção de energia quando as usinas térmicas são acionadas. Na metodologia do IBGE, o custo de geração afeta o valor adicionado pela atividade.

“Teve três bandeiras vermelhas no terceiro trimestre. Isso afeta o valor adicionado da atividade”, afirmou Rebeca.

Pelo lado da despesa, o destaque positivo foi a alta de 0,6% no consumo das famílias, que pesa 60% no cálculo do PIB. Segundo Rebeca, foi a sétima alta seguida, na comparação com trimestres imediatamente anteriores.

“O consumo das famílias tem muito a ver com a melhora no mercado de trabalho”, afirmou a pesquisadora do IBGE, ressaltando que houve aumento da ocupação, embora o avanço no mercado de trabalho ainda seja considerado de “baixa qualidade”.

Além disso, Rebeca destacou que as taxas de juros estão em patamares historicamente baixos, o que estimula o consumo, assim como houve expansão do crédito livre no terceiro trimestre

 

Algodão e café puxam PIB agropecuário 

O bom desempenho das lavouras de algodão e café puxaram a alta de 2,5% no PIB Agropecuário no terceiro trimestre de 2018 ante o mesmo período de 2017, segundo o IBGE.

A safra de algodão deve crescer 28,4% no ano, enquanto o café avança 26,6%. “Depois da safra recorde do ano passado, este ano não está com desempenho tão bom quanto 2017. Mas nesse trimestre a agropecuária está com bom desempenho por conta de duas lavouras especificamente”, apontou Rebeca.

O café foi beneficiado pela característica de bienualidade da produtividade da lavoura, que em 2018 está em alta. Já o algodão foi favorecido pelo aumento de preços, que incentivou o plantio, explicou Rebeca. “Além de aumento de produção dessas duas culturas, teve ganho de produtividade também. Por outro lado, a cana e a laranja estão apresentando queda.”

 

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Análise: A despeito de incertezas, economia cresce 0,8%

Taxa positiva de crescimento do PIB é a sétima consecutiva desde o fim da recessão

Claudio Considera, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 15h38

A despeito de todas as dificuldades políticas e as incertezas delas decorrentes, a economia continuou a crescer (0,8%) no terceiro trimestre, quando comparado com o segundo trimestre, na série com ajuste sazonal. Esta é a sétima taxa positiva consecutiva desde o fim da recessão. Não é supérfluo lembrar que esta elevada taxa pode estar sendo influenciada pelo fraco resultado do trimestre anterior quando ocorreu a greve dos caminhoneiros.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2017, na série sem ajuste sazonal, a taxa foi de 1,3%. Nesta comparação, todos os componentes do PIB, tanto pela ótica da oferta quanto pela ótica da demanda, apresentaram resultados positivos, à exceção da Construção. Embora a Construção tenha apresentado taxa positiva no trimestre, em comparação ao trimestre imediatamente anterior (0,7%); sua taxa acumulada no ano de 2018 até setembro é de -2,6% apontando para uma taxa ainda negativa em 2018. Os destaques positivos pelo lado da oferta são a Agropecuária, Transformação, Comércio, e Transportes e Atividades Imobiliárias, todos com taxas de crescimento superiores a 1,6%. Pelo lado da demanda, destaca-se a formação bruta de capital fixo (7,8%), em razão da incorporação das plataformas de petróleo ao seu cálculo.

Ainda na comparação trimestral interanual, vale a pena destacar o detalhamento dos elementos pela ótica da demanda, que são exclusivas do Monitor do PIB-FGV, possibilitando uma análise mais robusta. No caso da formação bruta de capital fixo seu desempenho se deve principalmente ao crescimento de máquinas e equipamentos (22,9%). Este desempenho fortemente positivo ocorre desde o terceiro trimestre de 2017, manifestando a confiança do empresariado numa nova fase de crescimento.

Por sua vez, o Consumo das Famílias continua com taxa positiva (1,4%) quando comparado com igual trimestre de 2017, sendo a sexta taxa positiva da série, desde o segundo trimestre de 2017, com destaque para o consumo de Bens duráveis (6,2%). Este resultado deverá continuar com a progressiva queda do desemprego e a baixa inflação que garante o poder de compra das famílias.

Por sua vez, as taxas trimestrais do comércio internacional de bens e serviços também foram positivas: a exportação de bens e serviços, com +2,6%, foi puxada principalmente por produtos agropecuários (+12,6%), extrativa mineral (+19,4%). As importações também tiveram relevância, crescendo no trimestre 13,5% com destaques para os bens de consumo duráveis (+59,6%) e os bens de capital (+20,9%).

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Brasil ocupa 39º lugar em ranking do PIB com 44 países

Levantamento da Austing Rating mostra que o País está à frente apenas da Rússia em relação aos integrantes do Brics

Daniela Amorim, Renata Batista e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 17h19

RIO - O Brasil ficou na 39.ª posição em um ranking de 44 países por taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), elaborado pela Austin Rating. Com alta de 1,3% no PIB do terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, o País ficou à frente apenas da Rússia no grupo de países que compõem o grupo de países emergentes conhecido como BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que registrou alta média de 4,1% no período.

Índia e China lideram o ranking com alta de 7,4% e 6,5% no terceiro trimestre de 2018 contra o mesmo período de 2017. Brasil e Rússia países tiveram o mesmo desempenho no trimestre, mas o Brasil ficou na frente porque o país asiático não divulgou o resultado do segundo trimestre, que é usado pela consultoria como critério de desempate.

Pelas projeções da Austin Rating, o Brasil terá o pior crescimento entre os BRICS em 2018, 1,6%. Em 2019, o País pode voltar a crescer mais do que a Rússia, 2,5% ante 1,7%. A Índia pode sustentar a alta taxa de crescimento, com projeção de alta de 7,2% e 7,4%, em 2018 e 2019 respectivamente.

A média de crescimento nos 44 países pesquisados no período entre julho e setembro de 2018 foi de 2,8%. Na Zona do Euro, a média ficou em 1,7% e os Estados Unidos registraram crescimento de 3%.

 

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