PIB do Brasil cresce menos que o da média do G-20

Estatísticas trimestrais da OCDE demonstram o desaquecimento do País e a perda de ritmo dos 20 maiores mercados mundiais

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S.Paulo

15 Março 2012 | 03h06

Dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgados ontem, em Paris, indicam que a crise de crescimento na Europa e o desaquecimento da economia de grandes emergentes derrubaram o desempenho do G-20 em 2011.

No ano, as 20 maiores economias do planeta avançaram 2,8% em média, em forte queda em relação aos 5% de 2010. Índia e Indonésia foram exemplos positivos, enquanto Estados Unidos, Japão e China ficaram abaixo de suas perspectivas. Um dos fiascos foi o Brasil, que ficou abaixo da média dos maiores do mundo.

As conclusões do relatório confirmam a perda de fôlego da economia mundial. De acordo com a OCDE, o crescimento do bloco no quarto trimestre de 2011 ficou em 0,7%, ante 0,9% no trimestre anterior. Os desempenhos mais preocupantes foram verificados no Japão, com -0,2% no quarto trimestre, ante 1,7% no terceiro; na União Europeia, com -0,3%, ante 0,3% no período anterior; e nos Estados Unidos, com um insuficiente 0,7% no quarto, ante o já baixo 0,5% no terceiro trimestre. Mas as decepções não se limitam aos países desenvolvidos.

China. Também a desaceleração da China preocupa: 2% no quarto trimestre, ante 2,3% no terceiro. "O agregado do PIB do G-20 mascara divergências de evolução no interior das maiores economias do mundo", diz a OCDE, elogiando o desempenho de países como a Malásia.

Quanto ao Brasil, as constatações são especialmente preocupantes, segundo a organização. Em 2011, o Brasil foi nono lugar em crescimento do PIB, com 2,7% de crescimento. Também é certo que perderá posições para Argentina, Rússia e Turquia, que ainda não divulgaram seus dados.

Em crescimento no quarto trimestre, comparado ao mesmo período de 2010, o país registrou o 11.º melhor desempenho, e também pode perder posições para Argentina, Arábia Saudita, Rússia e Turquia.

Para efeitos de comparação, outros dois membros do Bric, Índia e Rússia, se saíram melhor: a economia indiana teve alta de 7% no último trimestre de 2011, em números anualizados. Já a russa subiu 4,9%.

Segundo Annabelle Mourougani, chefe do Desk Brasil do Departamento de Economia da OCDE, o País enfrenta uma "desaceleração muito forte", já esperada em razão do uso de políticas "um pouco restritivas" pelo Banco Central e pelo governo e do comércio internacional em baixa. "O que não se esperava era que o desaquecimento fosse tão forte no Brasil. Se observarmos a comparação com outros grandes emergentes, veremos que o desempenho é mais lento", adverte a economista. "A partir de 2011, a performance do Brasil é sempre abaixo da média do G-20, que é impulsionada pelo bom desempenho de alguns países da Ásia."

Juros brasileiros. Para Annabelle, a redução da Selic anunciada pelo BC estimulará a economia. "Mas ainda há grande margem de manobra para baixar os juros no Brasil, desde que haja uma política fiscal bem mais cuidadosa", entende. "O Brasil não deve perder a oportunidade de reduzir a taxa de juros, associando-a a uma política fiscal prudente, que não injete medidas excessivas para incentivar a economia."

Para a economista da OCDE, o BC não precisa mais temer a reação dos mercados em relação ao risco de inflação excessiva, porque ao longo dos últimos anos o governo brasileiro e a autoridade monetária construíram boa credibilidade no controle dos preços. "Era preciso construir uma credibilidade no combate à inflação. Agora o BC já tem uma certa credibilidade e pode agir de forma ativa para incentivar o crescimento do País."

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