Hélvio Romero|Estadão
Hélvio Romero|Estadão

PIB do Brasil deve ter maior queda entre grandes economias em 2016, diz Banco Mundial

Expectativa de entidade é que a economia brasileira recue 2,5% neste ano e só volte a crescer em 2017, com expansão de 1,4%

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2016 | 18h24

O Banco Mundial cortou as projeções de crescimento do Brasil e o País deve encolher 2,5% este ano, o pior desempenho entre as principais economias mundiais, de acordo com o relatório "Perspectivas Econômicas Globais", divulgado nesta quarta-feira (6). A expectativa dos economistas da instituição é de que o País só volte a crescer em 2017, com expansão prevista de 1,4%.

Entre um grupo de 23 países apresentados na principal tabela do relatório do Banco Mundial, além do Brasil, apenas a Rússia deve ter contração na economia em 2016, de 0,7%. A economia mundial deve se expandir 2,9%, os países em desenvolvimento devem crescer 4,8% e a América Latina, 0,1%. A Índia deve ser o destaque mundial, com alta de 7,8% no Produto Interno Bruto (PIB) este ano.

As perspectivas para o Brasil anunciadas hoje pelo Banco Mundial são bem piores do que as presentes no "Perspectivas Econômicas Globais" anterior, divulgado em junho de 2015. Naquele documento, a expectativa era de que o PIB brasileiro fosse ter alta de 1,1% este ano e de 2% em 2017. Para 2015, a aposta era de contração mais suave, de 1,3%, número que foi piorado para queda de 3,7% no documento de hoje. No novo relatório foi acrescentada uma projeção para 2018, ano em que o Brasil deve crescer 1,5%. Durante a reunião anual da instituição junto com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em outubro, em Lima, no Peru, os economistas do Banco Mundial falaram na possibilidade de o país encolher 0,61% este ano e 2,5% em 2015.

"A tranquilização eventual sobre os temores com a inflação e a redução dos déficits fiscais diminuirão a necessidade de maior aumento da taxa de juros e de cortes na despesa pública e deverão preparar o caminho para o retorno ao crescimento em 2017", afirma o Banco Mundial ao falar do Brasil. "Não se prevê que a América do Sul volte a crescer até 2017, à medida que as maiores economias dessa sub-região gradualmente adotem políticas para atenuar os desequilíbrios macroeconômicos e restaurar a confiança das empresas e dos consumidores."

Severo ajuste. Os economistas do Banco Mundial mencionam várias vezes o Brasil ao longo das 286 páginas do relatório e citam que a situação piorou no País desde a divulgação do documento de junho. O Brasil tem passado por um "severo ajuste" em meio a desafios domésticos e internacionais e aumento do risco político, afirma o documento.

O Brasil e a Rússia têm registrado piora acima do esperado das economia, enquanto a inflação fica acima das metas oficiais e as contas púbicas se deterioram. Enquanto a economia russa teve que lidar com a forte queda do preço do petróleo e sanções da Europa e Estados Unidos por conta do conflito da Ucrânia, o Brasil tem elevada incerteza política, que contribui para manter a confiança de empresários e consumidores em níveis historicamente baixos, afirma o documento. Além disso, o aperto na política fiscal, para melhorar as contas públicas, e monetária, para conter a inflação, acabaram tendo reflexo na atividade.

O relatório reforça que o investimento no Brasil vem caindo desde 2013. No ano passado, esse movimento foi exacerbado por conta dos reflexos da Operação Lava Jato, que investiga denúncias de corrupção na Petrobras. "O real brasileiro registrou uma depreciação excepcionalmente grande, devido a preocupações dos investidores sobre os desequilíbrios macroeconômicos e incerteza política", destaca o Banco Mundial.

A perda da classificação grau de investimento do Brasil pela Fitch, em seguida ao corte da Standard & Poor's em setembro, pode aumentar o risco de fuga de capital do país, ressalta o relatório. 

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