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PIB do Brasil deveria incluir uso de ativos naturais--cientistas

Medidas tradicionais que mostram forte crescimento econômico no Brasil e na Índia ao longo de quase duas décadas não levam em conta o esgotamento de seus recursos naturais, afirmaram cientistas e economistas em uma conferência climática nesta quarta-feira.

NINA CHESTNEY, REUTERS

28 de março de 2012 | 15h15

Cientistas e grupos ambientalistas vêm pressionando os governos para incluir o valor dos recursos naturais dos seus países -e do uso ou perda deles- em medidas futuras da atividade econômica, ao invés de confiar apenas no cálculo do Produto Interno Bruto.

Entre 1990 e 2008, a riqueza do Brasil e da Índia medida pelo PIB cresceu 34 por cento e 120 por cento, respectivamente, mas esta medida é falha, argumentaram economistas na conferência "Planeta Sob Pressão", em Londres.

O capital natural, ou a soma dos ativos de um país que variam de florestas a combustíveis fósseis e minerais, declinou 46 por cento no Brasil e 31 por cento na Índia, disseram eles.

"O trabalho sobre o Brasil e a Índia ilustra por que o PIB é inadequado e enganoso como um índice do progresso econômico a partir de uma perspectiva de longo prazo", disse Anantha Duraiappah, diretor-executivo do Programa Internacional de Dimensões Humanas da Organização das Nações Unidas (UNU-IHDP, na sigla em inglês).

Quando as medidas de capital natural, humano e manufaturado são colocadas juntas, a "riqueza inclusiva" do Brasil subiu 3 por cento e a da Índia aumentou 9 por cento durante esse período, explicou ele.

A ideia de um indicador expandido, conhecido como PIB+, para incluir o PIB e o capital natural estará na pauta da conferência global a ser realizada no Rio de Janeiro em junho para tentar definir metas de desenvolvimento sustentável.

PRESSÃO NO RIO

Duraiappah disse que sua equipe de pesquisa e o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP, na sigla em inglês) vão apresentar um relatório no fórum do Rio mostrando a "riqueza inclusiva" de 20 países, que representam 72 por cento do PIB mundial e 56 por cento da população global.

A Grã-Bretanha já criou um Comitê de Capital Natural para assessorar o governo sobre a situação de seus recursos naturais.

A Grã-Bretanha também disse no mês passado que pedirá a empresas e governos na conferência do Rio que comecem a medir o uso ou a perda de água, agricultura, florestas e outros recursos naturais.

As empresas também precisam medir e informar sobre a sustentabilidade de suas atividades corporativas, disse Yvo de Boer, conselheiro global especial da consultoria KPMG e ex-chefe climático da ONU.

"Se as empresas tivessem que pagar os custos ambientais de suas atividades, elas teriam perdido 41 centavos de dólar para cada dólar ganho em 2010", disse ele.

"Os custos ambientais externos dos 11 setores-chave da indústria aumentaram quase 50 por cento entre 2002 e 2010, de 566 bilhões de dólares para 854 bilhões de dólares."

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