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PIB do Brasil tem maior queda entre 34 países

Mais uma vez, o desempenho do País foi superado por economias como Grécia, Ucrânia e Rússia

Daniela Amorim, Mariana Durão, Mariana Sallowicz, Nathália Larghi, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2016 | 12h40

A retração de 3,8% no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado pôs o Brasil mais uma vez na lanterna em um ranking de 34 países que já tiveram os dados oficiais para o período divulgados e representam 82% do PIB mundial. No primeiro trimestre o Brasil já havia amargado o pior desempenho para o período na comparação internacional.

Novamente o desempenho do País foi superado por economias que passaram por crises recentemente, como a Grécia (-0,1%), além de Ucrânia (1,3%) e Rússia (-0,6%), que enfrentaram guerras. A agência de classificação de risco Austin Rating, que elabora a análise, ressalva que outras economias que apresentaram resultados muito ruins nas edições anteriores do ranking, como a Venezuela, até o momento não divulgaram seus resultados.

Segundo a Austin, a Índia teve o melhor desempenho no segundo trimestre, com taxa de crescimento de 7,1%. Depois aparecem Filipinas, China, Indonésia, Malásia e Peru. Países europeus que foram fortemente atingidos pela crise financeira de 2008, seguida de graves problemas fiscais, ficaram bem à frente do Brasil. É o caso de Espanha (9º lugar), Portugal (27º) e Itália (28º).

O resultado do Brasil no trimestre ficou bem abaixo da média do Brics, de crescimento de 2,4% no período. A conta não engloba resultados da África do Sul, cujos dados ainda não foram divulgados. O país africano tem a realidade econômica mais próxima à brasileira entre os Brics. No início do ano enfrentou uma crise política, com um processo de impeachment contra o presidente Jacob Zuma, rejeitado pelo parlamento. Mesmo em relação à Rússia, penúltima do ranking, em 33º lugar, a diferença da performance do Brasil é significativa. O PIB nacional caiu 3,8%, contra retração de 0,6% do produto interno russo.

Levando em conta o resultado do PIB do segundo trimestre e de indicadores antecedentes dos últimos meses, a Austin revisou sua projeção para o PIB do País, de retração de 3,9% para recuo de 3,1% em 2016.

"A mudança na condução da gestão econômica do País, agora sob o comando de Michel Temer e Henrique Meirelles, que reiteram o controle dos gastos públicos via redução das despesas, tem gerado efeitos positivos nos indicadores de confiança e intenção de investimentos que registram recuperação constante, apesar de ainda moderada", destaca o economista-chefe Alex Agostini em relatório.

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