Mike Segar/Reuters
Mike Segar/Reuters

PIB dos Estados Unidos cresce 1,5% no 3º trimestre do ano

A atividade econômica do país desacelerou diante do ritmo mais fraco dos gastos dos consumidores, empresas e governos; taxa de crescimento é anualizada

Dow Jones Newswires

29 de outubro de 2015 | 14h04

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos desacelerou no terceiro trimestre, para um crescimento de 1,5%, na taxa anualizada, segundo a primeira estimativa do dado, divulgada nesta quinta-feira pelo Departamento do Comércio. O número coincidiu com a previsão dos analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires.

No segundo trimestre, a economia dos EUA cresceu a 3,9%, em números anualizados. No terceiro trimestre, houve uma desaceleração, com companhias preferindo deixar seus estoques diminuir e também com a desaceleração no ritmo dos gastos de consumidores, empresas e governos.

A taxa de crescimento dos EUA é calculada de forma diferente do PIB brasileiro, pois calcula quanto o país cresceria em um ano caso a taxa de crescimento trimestral se repetisse no período. Considerando a metodologia do IBGE, o PIB norte-americano cresceu 0,37% no terceiro trimestre de 2015 na comparação com o mesmo trimestre de 2014. O PIB do Brasil do terceiro trimestre será divulgado no início de dezembro.

Na comparação anual, a economia norte-americana cresceu 2% no terceiro trimestre. O número representa o avanço anual mais fraco desde o primeiro trimestre de 2014, mostrando que a economia permanece em um patamar modesto no país.

Muitos economistas avaliam se há sinais de que a valorização do dólar e a desvalorização na China pode prejudicar a economia dos EUA. O comércio internacional, porém, teve um impacto negativo muito pequeno, enquanto por outro lado houve uma expansão nos gastos das empresas em equipamentos, uma categoria associada à indústria.

Já a mudança nos estoques das companhias foi de longe o fator de maior impacto para impedir um crescimento mais forte, subtraindo 1,44 ponto porcentual do avanço total. A redução nos estoques pode sugerir que as empresas não têm confiança suficiente sobre a demanda futura e evitam produzir em exagero.

As vendas finais reais, uma média da produção econômica que exclui mudanças nos estoques, teve crescimento de 3% no terceiro trimestre, um pouco abaixo do avanço de 3,9% do trimestre anterior.

O crescimento registrado é o mais recente sinal de que a expansão nos EUA pode estar perdendo fôlego. O dado é relativo ao mesmo trimestre em que os empregadores desaceleraram suas contratações, após 18 meses de geração média de mais de 200 mil vagas ao mês.

Os gastos com consumo tiveram crescimento de 3,2% no terceiro trimestre, menos que o avanço de 3,6% do trimestre anterior. O avanço recente foi impulsionado por gastos maiores em bens duráveis, incluindo veículos.

Os gastos na construção de residências e em reformas aumentaram em 6,1%, uma desaceleração da taxa de crescimento de quase 10% dos três trimestres anteriores.

O investimento das empresas, por sua vez, avançou 2,1% no terceiro trimestre, abaixo da alta de 4,1% do trimestre anterior. Os gastos em construção recuaram, mas os investimentos em equipamento avançaram a um ritmo mais forte.

O comércio foi em geral um fator neutro para a economia, subtraindo 0,03 ponto porcentual da taxa de crescimento. As exportações tiveram crescimento de 1,9% no terceiro trimestre, enquanto as importações avançaram 1,8%. Os gastos do governo tiveram crescimento 1,7% no terceiro trimestre, abaixo dos 2,6% do trimestre anterior. Um gasto maior no nível estadual e municipal compensou a queda nos gastos com defesa no período.

O PIB, que será revisado no próximo mês, deve ser levado em conta pelos diretores do Federal Reserve, o banco central norte-americano, que volta a se reunir em dezembro. Ontem, o Fed disse em seu comunicado que a economia dos EUA avança a "um ritmo moderado", além de dizer que considerará uma alta nos juros em sua próxima reunião de política monetária.

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