PIB dos EUA cai 3,8% no 4º trimestre

É o pior resultado em 26 anos; Obama diz que ?se trata de um desastre contínuo para as famílias trabalhadoras?

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos encolheu 3,8% no último trimestre de 2008, a maior queda desde 1982, em taxa anualizada. Apesar de ser o pior desempenho do PIB em 26 anos, o resultado superou as expectativas dos analistas, que esperavam um recuo de 5,5%. O número só não foi pior porque houve um acúmulo de estoques. Como as indústrias não conseguiram cortar produção na mesma velocidade que as vendas caíram, produtos continuaram a ser manufaturados e se acumularam nos armazéns, e esse aumento entra no cálculo do PIB.Excluindo estoques, a queda teria sido de 5,1%, segundo o Departamento de Comércio. "É a maior contração em quase três décadas. Isso não é apenas um conceito econômico, trata-se de um desastre contínuo para as famílias trabalhadoras dos Estados Unidos", disse o presidente Barack Obama. O presidente americano aproveitou a divulgação dos números negativos para voltar a pressionar o Congresso para aprovar o pacote de estímulo, que pode injetar quase US$ 900 bilhões na economia com cortes de impostos e gastos do governo. "Não podemos fazer corpo mole por muito mais tempo", disse Obama, fazendo alusão ao projeto que foi aprovado na Câmara na quarta-feira e deve ser votado no Senado na semana que vem. "A recessão está se aprofundando e está aumentando a urgência de nossa crise econômica."O consumo, que sustenta 70% da economia americana, teve queda de 3,5% no trimestre, à medida que os consumidores apertam o cinto com medo de perder o emprego, por estarem muito endividados ou por já terem sido demitidos. No terceiro trimestre de 2008, o consumo havia recuado 3,8%. É a primeira vez desde 1947, quando foram iniciados os registros, que o consumo recua mais de 3% em dois trimestres consecutivos.As exportações, que tinham dado um pouco de alento para a economia no primeiro semestre de 2008, caíram 19,7%. E os investimentos das empresas recuaram 19,1%, sendo que as compras de equipamentos e software caíram 27,8%Seguindo analistas, os cortes de gastos de governos estaduais e municipais também prejudicaram os esforços da Casa Branca para estimular a economia. Enquanto municípios e Estados estão demitindo funcionários e tentando compensar queda na arrecadação com cortes no orçamento, o governo federal está injetando recursos na economia.Com as demissões maciças que vêm sendo anunciadas, a queda no consumo deve persistir pelo menos até julho, dizem economistas. Em dezembro, empresas demitiram 524 mil funcionários, elevando o número de demissões para quase 2,6 milhões em 2008. Em janeiro, as demissões anunciadas por empresas como Caterpillar, Starbucks, Kodak e outras se aproximam de 100 mil, sinalizando que a situação pode piorar neste primeiro trimestre.No ano de 2008 inteiro, a economia avançou 1,3%, graças às exportações e restituição de impostos no primeiro semestre."É preciso que nós aprovemos o Plano de Recuperação e Reinvestimento Americano (pacote de estímulo), um plano que vai salvar ou criar mais de 3 milhões de empregos e fará investimentos que serão úteis para nossa economia durante anos", exortou Obama.

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